Para entender melhor a "epopéia" da Bruninha acesse primeiro seu "site" e, logo após leia o texto abaixo: O livro negro de Bruna Surfistinha 13.11.2005 “O doce veneno do escorpião”, recém-lançado livro da garota de programa Bruna Surfistinha, pode ser comparado a uma boa transa. As primeiras 100 páginas funcionam como as preliminares, nas quais ela conta a história da sua carreira como prostituta em São Paulo e o sofrimento da jovem adolescente Raquel, que fugiu de casa porque se sentia oprimida e maltratada pelos pais. As 30 páginas finais, batizadas de “As histórias proibidas de Bruna Surfistinha”, são o clímax e revelam os detalhes mais picantes: o dia em que ela transou com oito homens ao mesmo tempo, as fantasias de ser o centro das atenções numa suruba exclusivamente com mulheres, as experiências com clientes que a levaram a fazer chuva dourada (gozar enquanto a mulher urina sobre eles) e chuva negra (gozar enquanto a mulher defeca), e a experiência de penetração em homens que pediam a ela o uso de um pênis artificial. Bruna, que em matéria de sexo já fez de tudo nessa vida, revela quem era e como era Raquel, a menina que, poucos meses antes de completar 18 anos, fugiu de casa com uma mochila para viver e trabalhar numa casa de programas em São Paulo. Para quem já se expôs em entrevistas, programas de TV e um bem-sucedido blog, ainda assim ela guarda surpresas: conta que apanhou do pai e foi levada a julgamento na Febem por ter roubado jóias da mãe. A prática de roubo começou com dinheiro da família, se alastrou pela escola e chegou ao que sua mãe tinha de mais importante: um conjunto de jóias que ganhou do pai de Bruna de presente. A menina diz ainda que tem medo de ficar sozinha, e conta quais são os seus sonhos, que estão prestes a se realizar. Ela juntou dinheiro, arrecadou R$ 100 mil durante os três anos que ganhou a vida como garota de programa, vai casar, ter filhos e estudar Psicologia. O livro é o fecho de ouro da história dessa moça que não tem nenhum pudor em revelar o quanto gosta de sexo. Seja mediante alguma quantia em dinheiro (R$ 200,00 só oral e vaginal, R$ 250,00 com anal, último preço antes de se aposentar), seja com os namorados, ela quer ter prazer. É claro que três anos no mercado a fizeram encarar situações nojentas, homens deploráveis, cheiros ruins, e até alguma violência, embora ela mesma reconheça que deu muita sorte nessa área.Desde que trocou a casa de prostituição por uma atividade, digamos, mais independente, Bruna recebia os clientes num flat em São Paulo e só uma vez encarou um homem mais agressivo. Mas não é de lamúrias que vive Surfistinha. Ela teve orgasmos múltiplos, com homens e mulheres que passaram pela sua cama, e não escreve para se arrepender ou se lamentar. Aproveitou a fama, que não foi pouca, o quanto pôde. Fez o contrário de suas colegas de profissão – ao invés de se esconder, envergonhada, virou celebridade. O livro é a jogada final dessa estratégia bem-sucedida.Uma profissão como outra qualquer “O doce veneno do escorpião” é, ainda que indiretamente, um libelo a favor do projeto de lei do deputado Fernando Gabeira que pretende regulamentar a profissão de prostituta. Surfistinha é uma profissional tarimbada: soube administrar tão bem o seu negócio que em três anos alcançou a quantia possível (a meta inicial de R$ 500 mil foi abandonada por demais audaciosa) de R$ 100 mil para se aposentar. Aos 21 anos, vai zerar e começar vida nova, com a experiência de quem teve a disciplina de fazer cinco programas por dia, cinco dias por semana, terapia nas tardes de segunda-feira (uma espécie de Belle de Jour ao contrário), com direito a folga nos finais de semana, coisa que muito profissional liberal de sucesso não tem. Mesmo com tanto profissionalismo, Surfistinha derruba o mito de que prostituta não goza nem beija na boca. Bruna fazia com seus clientes o que define como “sexo de namoradinho” e hoje todos os seus amigos já passaram pela sua cama. Homens ou mulheres. Com uma ressalva: depois que a amizade começa, o sexo acaba. Apesar da inexperiência – quando ela começou a trabalhar, aos 17 anos, tinha quase nenhuma prática com o sexo e mal perdera a virgindade com um namorado da mesma idade –, ela admite que a menina Raquel já adorava uma sacanagem desde os 13 anos, quando ia de saia bem curta para as festas e “tocava punheta” nos meninos com quem dançava. O que poderia ser apenas sem-vergonhice de menina se transformou em pura volúpia. Seus relatos sexuais são de quem não tem nenhum pudor de se satisfazer, mas de quem sabe que é paga para dar prazer a quem está pagando. Às vezes, ela dá a sensação de que faria tudo aquilo de graça (veja abaixo trechos do livro). Mas tem horas que a menina parece apenas uma mulher absolutamente calculista, que faria qualquer coisa por dinheiro e nunca conheceu nenhuma restrição sexual por nem sequer ter desenvolvido algum tipo de senso moral. De qualquer natureza. O mais provável é que todas essas coisas sejam verdadeiras e se misturem na confusão de personalidades que a menina apresenta ao leitor.Raquel não explica Bruna. Logo no começo do livro, ela informa: são duas histórias diferentes numa mesma garota. Raquel, seu nome verdadeiro, e Bruna, nome de guerra que ganhou de uma amiga. Ao longo da narrativa, os dois relatos vão se alternando, até que Raquel desaparece e só Bruna existe. Ao final, reaparece Raquel, já recuperada pela terapia e financeiramente confortável com os R$ 100 mil acumulados. Namora Pedro, sabe o que quer da vida. As angústias da menina Raquel aos 13 anos não explicam o caminho da prostituição tomado por Bruna. Ela era rebelde, sim. Adolescente difícil. Descobriu ser filha adotiva e sofreu por isso. Foi fortemente reprimida pelos pais, que reagiram com mais proibição a todas as tentativas de libertação de Raquel. Usou drogas. Começou com maconha, quando ainda morava em casa, e passou para cocaína quando entrou para a prostituição. Já parou. Virar garota de programa não é exatamente um caminho fácil, porque a barra é pesada. Mas a decisão de ganhar a vida vendendo o corpo levou Raquel aonde queria: ser livre e ter independência. Pagou um preço por essa liberdade, mas sobreviveu. Interpreta, bem, um personagem: Bruna Surfistinha tem o fascínio de ser uma garota de programa de classe média que poderia ser a namorada do cliente. Ousou vir a público contar o que faz da vida, jogando com a fantasia sexual tão antiga quanto a profissão que escolheu: os mistérios que, para homens e mulheres, envolvem o sexo pago, supostamente mais liberado, no qual o vale-tudo ofereceria só prazer e nenhuma obrigação. Fora a conta, é claro. Leia mais sobre este assunto Trechos de “O doce veneno do escorpião” Texto de Carla Rodrigues - carla@nominimo.ibest.com.brVia: NoMínimo
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Para entender melhor a "epopéia" da Bruninha acesse primeiro seu "site" e, logo após leia o texto abaixo: O livro negro de Bruna Surfistinha 13.11.2005 “O doce veneno do escorpião”, recém-lançado livro da garota de programa Bruna Surfistinha, pode ser comparado a uma boa transa. As primeiras 100 páginas funcionam como as preliminares, nas quais ela conta a história da sua carreira como prostituta em São Paulo e o sofrimento da jovem adolescente Raquel, que fugiu de casa porque se sentia oprimida e maltratada pelos pais. As 30 páginas finais, batizadas de “As histórias proibidas de Bruna Surfistinha”, são o clímax e revelam os detalhes mais picantes: o dia em que ela transou com oito homens ao mesmo tempo, as fantasias de ser o centro das atenções numa suruba exclusivamente com mulheres, as experiências com clientes que a levaram a fazer chuva dourada (gozar enquanto a mulher urina sobre eles) e chuva negra (gozar enquanto a mulher defeca), e a experiência de penetração em homens que pediam a ela o uso de um pênis artificial. Bruna, que em matéria de sexo já fez de tudo nessa vida, revela quem era e como era Raquel, a menina que, poucos meses antes de completar 18 anos, fugiu de casa com uma mochila para viver e trabalhar numa casa de programas em São Paulo. Para quem já se expôs em entrevistas, programas de TV e um bem-sucedido blog, ainda assim ela guarda surpresas: conta que apanhou do pai e foi levada a julgamento na Febem por ter roubado jóias da mãe. A prática de roubo começou com dinheiro da família, se alastrou pela escola e chegou ao que sua mãe tinha de mais importante: um conjunto de jóias que ganhou do pai de Bruna de presente. A menina diz ainda que tem medo de ficar sozinha, e conta quais são os seus sonhos, que estão prestes a se realizar. Ela juntou dinheiro, arrecadou R$ 100 mil durante os três anos que ganhou a vida como garota de programa, vai casar, ter filhos e estudar Psicologia. O livro é o fecho de ouro da história dessa moça que não tem nenhum pudor em revelar o quanto gosta de sexo. Seja mediante alguma quantia em dinheiro (R$ 200,00 só oral e vaginal, R$ 250,00 com anal, último preço antes de se aposentar), seja com os namorados, ela quer ter prazer. É claro que três anos no mercado a fizeram encarar situações nojentas, homens deploráveis, cheiros ruins, e até alguma violência, embora ela mesma reconheça que deu muita sorte nessa área.Desde que trocou a casa de prostituição por uma atividade, digamos, mais independente, Bruna recebia os clientes num flat em São Paulo e só uma vez encarou um homem mais agressivo. Mas não é de lamúrias que vive Surfistinha. Ela teve orgasmos múltiplos, com homens e mulheres que passaram pela sua cama, e não escreve para se arrepender ou se lamentar. Aproveitou a fama, que não foi pouca, o quanto pôde. Fez o contrário de suas colegas de profissão – ao invés de se esconder, envergonhada, virou celebridade. O livro é a jogada final dessa estratégia bem-sucedida.Uma profissão como outra qualquer “O doce veneno do escorpião” é, ainda que indiretamente, um libelo a favor do projeto de lei do deputado Fernando Gabeira que pretende regulamentar a profissão de prostituta. Surfistinha é uma profissional tarimbada: soube administrar tão bem o seu negócio que em três anos alcançou a quantia possível (a meta inicial de R$ 500 mil foi abandonada por demais audaciosa) de R$ 100 mil para se aposentar. Aos 21 anos, vai zerar e começar vida nova, com a experiência de quem teve a disciplina de fazer cinco programas por dia, cinco dias por semana, terapia nas tardes de segunda-feira (uma espécie de Belle de Jour ao contrário), com direito a folga nos finais de semana, coisa que muito profissional liberal de sucesso não tem. Mesmo com tanto profissionalismo, Surfistinha derruba o mito de que prostituta não goza nem beija na boca. Bruna fazia com seus clientes o que define como “sexo de namoradinho” e hoje todos os seus amigos já passaram pela sua cama. Homens ou mulheres. Com uma ressalva: depois que a amizade começa, o sexo acaba. Apesar da inexperiência – quando ela começou a trabalhar, aos 17 anos, tinha quase nenhuma prática com o sexo e mal perdera a virgindade com um namorado da mesma idade –, ela admite que a menina Raquel já adorava uma sacanagem desde os 13 anos, quando ia de saia bem curta para as festas e “tocava punheta” nos meninos com quem dançava. O que poderia ser apenas sem-vergonhice de menina se transformou em pura volúpia. Seus relatos sexuais são de quem não tem nenhum pudor de se satisfazer, mas de quem sabe que é paga para dar prazer a quem está pagando. Às vezes, ela dá a sensação de que faria tudo aquilo de graça (veja abaixo trechos do livro). Mas tem horas que a menina parece apenas uma mulher absolutamente calculista, que faria qualquer coisa por dinheiro e nunca conheceu nenhuma restrição sexual por nem sequer ter desenvolvido algum tipo de senso moral. De qualquer natureza. O mais provável é que todas essas coisas sejam verdadeiras e se misturem na confusão de personalidades que a menina apresenta ao leitor.Raquel não explica Bruna. Logo no começo do livro, ela informa: são duas histórias diferentes numa mesma garota. Raquel, seu nome verdadeiro, e Bruna, nome de guerra que ganhou de uma amiga. Ao longo da narrativa, os dois relatos vão se alternando, até que Raquel desaparece e só Bruna existe. Ao final, reaparece Raquel, já recuperada pela terapia e financeiramente confortável com os R$ 100 mil acumulados. Namora Pedro, sabe o que quer da vida. As angústias da menina Raquel aos 13 anos não explicam o caminho da prostituição tomado por Bruna. Ela era rebelde, sim. Adolescente difícil. Descobriu ser filha adotiva e sofreu por isso. Foi fortemente reprimida pelos pais, que reagiram com mais proibição a todas as tentativas de libertação de Raquel. Usou drogas. Começou com maconha, quando ainda morava em casa, e passou para cocaína quando entrou para a prostituição. Já parou. Virar garota de programa não é exatamente um caminho fácil, porque a barra é pesada. Mas a decisão de ganhar a vida vendendo o corpo levou Raquel aonde queria: ser livre e ter independência. Pagou um preço por essa liberdade, mas sobreviveu. Interpreta, bem, um personagem: Bruna Surfistinha tem o fascínio de ser uma garota de programa de classe média que poderia ser a namorada do cliente. Ousou vir a público contar o que faz da vida, jogando com a fantasia sexual tão antiga quanto a profissão que escolheu: os mistérios que, para homens e mulheres, envolvem o sexo pago, supostamente mais liberado, no qual o vale-tudo ofereceria só prazer e nenhuma obrigação. Fora a conta, é claro. Leia mais sobre este assunto Trechos de “O doce veneno do escorpião” Texto de Carla Rodrigues - carla@nominimo.ibest.com.brVia: NoMínimo