Octávio V Gonçalves: Quem responde pelas consequências da idiotia política?

03-08-2010
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Constituem duas das medidas mais emblemáticas das políticas educativas de Sócrates:
- a distribuição a patacos, indiscriminada e pedagogicamente desenquadrada de computadores às crianças - os  "Magalhães", subsumidos à tonteira de uma propaganda política primária;
- o encerramento de escolas nas aldeias rurais do interior.
Eu próprio e muitos outros bloggers da área da educação temos sublinhado as implicações profundamente nefastas destas duas medidas, em virtude, quer dos critérios, contornos e metodologias que presidiram à definição das mesmas, quer da impreparação e da precipitação que tem pautado a sua implementação.
Independentemente da consideração de muitas outras implicações igualmente ocorrentes e perniciosas ou contraproducentes, apontei, em devido tempo, as duas consequências que os estudos divulgados em baixo vêm agora confirmar, a saber:
- a estratégia de não alocar os computadores nas escolas, num contexto de utilização vigiada, programada e pedagogicamente acompanhada (formação prévia em termos de utilização básica, pesquisas, exploração de ferramentas didácticas e treino em projectos de trabalho), preferindo disponibilizá-los a todos quase a título de brinquedos ou de instrumentos de lazer, descurando-se o tipo de utilização que lhes seria dado, sobretudo em famílias displicentes e/ou com iliteracia informática, constituiria um erro de consequências mais negativas do que positivas, como agora se demonstra;
- enquanto alguns têm abordado o encerramento de escolas, focando-se mais nas implicações em termos de desertificação e graves desequilíbrios regionais (também verdadeiros) ou nas questões estritamente pedagógicas, pela minha parte sempre chamei a atenção, até pela minha formação e sensibilidade académica, para os problemas desenvolvimentais, a nível de desestruturações psicossociais e de desajustamentos comportamentais das crianças que sejam, em idades precoces, desenraizadas e desvinculadas dos seus contextos familiares e locais suportivos. Estas minhas preocupações e denúncias encontram agora fundamentação nos dados da pedopsiquiatria revelados no segundo estudo.
Os decisores políticos não podem alegar que não foram alertados para estas consequências, pelo que, em Portugal, deveria pensar-se em instituir formas de responsabilização política pelos erros grosseiros que enformam muitas das decisões políticas, pois o veredicto eleitoral nem sempre está convenientemente informado sobre as implicações desastrosas de muitas políticas e a Assembleia da República nem sempre está qualificada para a exploração séria destas problemáticas (até pela inexistência de debates públicos sobre estas temáticas - não fosse o futebol ficar sem fórum de discussão, bem como pela inacessibilidade do saber académico e especializado aos meios de comunicação social).

"Around the country and throughout the world, politicians and education activists have sought to eliminate the "digital divide" by guaranteeing universal access to home computers, and in some cases to high-speed Internet service. However, according to a new study by scholars at Duke University's Sanford School of Public Policy, these efforts would actually widen the achievement gap in math and reading scores. Students in grades five through eight, particularly those from disadvantaged families, tend to post lower scores once these technologies arrive in their home."

"A concentração de escolas e a transferência de crianças de estabelecimentos de ensino localizados em meios rurais para o meio urbano, onde a escola é frequentada por alunos de várias idades, está a provocar um aumento no número de casos em acompanhamento de pedopsiquiatria."


Constituem duas das medidas mais emblemáticas das políticas educativas de Sócrates:
- a distribuição a patacos, indiscriminada e pedagogicamente desenquadrada de computadores às crianças - os  "Magalhães", subsumidos à tonteira de uma propaganda política primária;
- o encerramento de escolas nas aldeias rurais do interior.
Eu próprio e muitos outros bloggers da área da educação temos sublinhado as implicações profundamente nefastas destas duas medidas, em virtude, quer dos critérios, contornos e metodologias que presidiram à definição das mesmas, quer da impreparação e da precipitação que tem pautado a sua implementação.
Independentemente da consideração de muitas outras implicações igualmente ocorrentes e perniciosas ou contraproducentes, apontei, em devido tempo, as duas consequências que os estudos divulgados em baixo vêm agora confirmar, a saber:
- a estratégia de não alocar os computadores nas escolas, num contexto de utilização vigiada, programada e pedagogicamente acompanhada (formação prévia em termos de utilização básica, pesquisas, exploração de ferramentas didácticas e treino em projectos de trabalho), preferindo disponibilizá-los a todos quase a título de brinquedos ou de instrumentos de lazer, descurando-se o tipo de utilização que lhes seria dado, sobretudo em famílias displicentes e/ou com iliteracia informática, constituiria um erro de consequências mais negativas do que positivas, como agora se demonstra;
- enquanto alguns têm abordado o encerramento de escolas, focando-se mais nas implicações em termos de desertificação e graves desequilíbrios regionais (também verdadeiros) ou nas questões estritamente pedagógicas, pela minha parte sempre chamei a atenção, até pela minha formação e sensibilidade académica, para os problemas desenvolvimentais, a nível de desestruturações psicossociais e de desajustamentos comportamentais das crianças que sejam, em idades precoces, desenraizadas e desvinculadas dos seus contextos familiares e locais suportivos. Estas minhas preocupações e denúncias encontram agora fundamentação nos dados da pedopsiquiatria revelados no segundo estudo.
Os decisores políticos não podem alegar que não foram alertados para estas consequências, pelo que, em Portugal, deveria pensar-se em instituir formas de responsabilização política pelos erros grosseiros que enformam muitas das decisões políticas, pois o veredicto eleitoral nem sempre está convenientemente informado sobre as implicações desastrosas de muitas políticas e a Assembleia da República nem sempre está qualificada para a exploração séria destas problemáticas (até pela inexistência de debates públicos sobre estas temáticas - não fosse o futebol ficar sem fórum de discussão, bem como pela inacessibilidade do saber académico e especializado aos meios de comunicação social).

"Around the country and throughout the world, politicians and education activists have sought to eliminate the "digital divide" by guaranteeing universal access to home computers, and in some cases to high-speed Internet service. However, according to a new study by scholars at Duke University's Sanford School of Public Policy, these efforts would actually widen the achievement gap in math and reading scores. Students in grades five through eight, particularly those from disadvantaged families, tend to post lower scores once these technologies arrive in their home."

"A concentração de escolas e a transferência de crianças de estabelecimentos de ensino localizados em meios rurais para o meio urbano, onde a escola é frequentada por alunos de várias idades, está a provocar um aumento no número de casos em acompanhamento de pedopsiquiatria."

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