Octávio V Gonçalves: Diagnóstico: isaltinismo. O vírus dissemina-se na exacta proporção do seu não impacto nas sondagens. Esta é que é a dimensão trágica do fenómeno

03-08-2010
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Análise social e política de Cunha RibeiroO ISALTINISMOO Isaltinismo não é infelizmente uma teoria filosófica nova. O isaltinismo é uma doença contagiosa que se propaga com vertiginosa facilidade em zonas de forte expansão urbanística.Há espécimes em que esta doença tem maior propensão ao contágio. Entre eles sobressai, com enorme destaque, o dos presidentes de câmara.Com efeito, basta que se abra um concurso para pavimentar uma estrada, construir um bairro social ou uma nova escola, para o clima aquecer e o vírus encontrar o terreno propício à sua incubação. Normalmente ele vem alojado no bafo alarve de um empreiteiro que o transmite, subrepticiamente, numa conversa bem comida e bem regada com o virtual receptor.O isaltinismo tem enormes semelhanças com o novo-riquismo. Quem sofre de isaltinismo tem grande carência alimentar no domínio gastronómico da lagosta e do caviar. Fuma, sem vício, charuto de Havana. Reserva garrafa de uísque no Elefante Branco. Viaja no banco de trás de um Mercedes ou de um Jaguar. Foge compulsivamente aos impostos e tem contas na Suíça ou em paraísos fiscais.Quem sofre de isaltinismo não tem qualquer problema em ser arguido. Vai a tribunal como se fosse ao café. Olha o Juiz com íntimo desprezo, pois sabe , de antemão, que vai ser absolvido, por falta de prova.O isaltinismo é uma doença mas não parece, porque há muita gente que admira os isaltinos e não se importava de sofrer do mesmo contágio.Ainda não há estatísticas, mas consta que o isaltinismo teve um grande impulso sob este governo, que, segundo dizem, sofre também da mesma doença.Do Norte ao Sul, do litoral ao interior, a doença não pára de crescer.E o pior é que não se vislumbra nenhuma vacina que ponha fim a esta terrível maleita.Cunha Ribeiro


Análise social e política de Cunha RibeiroO ISALTINISMOO Isaltinismo não é infelizmente uma teoria filosófica nova. O isaltinismo é uma doença contagiosa que se propaga com vertiginosa facilidade em zonas de forte expansão urbanística.Há espécimes em que esta doença tem maior propensão ao contágio. Entre eles sobressai, com enorme destaque, o dos presidentes de câmara.Com efeito, basta que se abra um concurso para pavimentar uma estrada, construir um bairro social ou uma nova escola, para o clima aquecer e o vírus encontrar o terreno propício à sua incubação. Normalmente ele vem alojado no bafo alarve de um empreiteiro que o transmite, subrepticiamente, numa conversa bem comida e bem regada com o virtual receptor.O isaltinismo tem enormes semelhanças com o novo-riquismo. Quem sofre de isaltinismo tem grande carência alimentar no domínio gastronómico da lagosta e do caviar. Fuma, sem vício, charuto de Havana. Reserva garrafa de uísque no Elefante Branco. Viaja no banco de trás de um Mercedes ou de um Jaguar. Foge compulsivamente aos impostos e tem contas na Suíça ou em paraísos fiscais.Quem sofre de isaltinismo não tem qualquer problema em ser arguido. Vai a tribunal como se fosse ao café. Olha o Juiz com íntimo desprezo, pois sabe , de antemão, que vai ser absolvido, por falta de prova.O isaltinismo é uma doença mas não parece, porque há muita gente que admira os isaltinos e não se importava de sofrer do mesmo contágio.Ainda não há estatísticas, mas consta que o isaltinismo teve um grande impulso sob este governo, que, segundo dizem, sofre também da mesma doença.Do Norte ao Sul, do litoral ao interior, a doença não pára de crescer.E o pior é que não se vislumbra nenhuma vacina que ponha fim a esta terrível maleita.Cunha Ribeiro

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