Parece-me semelhante a oposição à alta velocidade (TGV) e outros grandes investimentos públicos e a oposição que valeu ao Alqueva a demora de quarenta anos para ser construído.Fico com a ideia que a agenda política dos “pretensos liberais” (os verdadeiros têm uma representação considerável no Parlamento Europeu e não têm nada que ver com a direita política nacional) não pode ser usada porque os portugueses nunca a aceitariam numa altura como esta. É o que a gíria política chama de agenda escondida.Seria absurdo para os portugueses ouvir falar na privatização da Segurança Social e da Saúde, ou da Caixa Geral de Depósitos, ou mesmos da menor intervenção do Estado na Economia, para não ir mais longe.Por isso hoje a forma de fazer oposição política à direita e à esquerda parece resumir-se a estar contra. Uma moda fácil que se estende para lá da classe política.Só a esquerda radical não tem vergonha do seu programa. Ele é tão transparente que me deixa espantado. Dizer por exemplo que o Alqueva só serve para regar campos de golfe é um despautério da ingenuidade ou do desconhecimento. Para além de não ver mal nenhum na existência de campos de golpe percebo a parangona. Mas não é séria.Quanto à direita suspeito que, com a excepção sórdida de associar as ferramentas de apoio social à preguiça, tudo o mais é envergonhado, para falar verdade.Fazer oposição hoje só distingue os mais à direita ou mais esquerda pelo maior ou menor radicalismo que se demonstra ter contra quem governa.O debate político parece ter-se transformado numa retórica de mercearia, com respeito que me merece uma boa mercearia. Ele tem visado atacar a estratégia do investimento público, propagando a ideia errada que confunde o conceito de investimento com o de hipoteca. E ataca também o carácter das pessoas mas a coisa terá um limite.Vendo curto (e a vista não é má) o TGV é importante para uma região como a nossa. Por onde passe, o TGV tem contribuído fortemente para o desenvolvimento territorial. Não seremos excepção.Vendo largo e acrescentando outros investimentos públicos e público-privados, como o porto de águas profundas de Sines e o aeroporto de Beja, teremos uma ligação excepcional com o resto da Europa, comercial e de passageiros. A questão não é só de interesse local como nacional.Contudo bem se vê o que fazemos habitualmente com um e com outro. Lá encheremos a boca daqui por uns anos com o fatídico “atraso estrutural”.É a vida. Texto publicado no DS
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Parece-me semelhante a oposição à alta velocidade (TGV) e outros grandes investimentos públicos e a oposição que valeu ao Alqueva a demora de quarenta anos para ser construído.Fico com a ideia que a agenda política dos “pretensos liberais” (os verdadeiros têm uma representação considerável no Parlamento Europeu e não têm nada que ver com a direita política nacional) não pode ser usada porque os portugueses nunca a aceitariam numa altura como esta. É o que a gíria política chama de agenda escondida.Seria absurdo para os portugueses ouvir falar na privatização da Segurança Social e da Saúde, ou da Caixa Geral de Depósitos, ou mesmos da menor intervenção do Estado na Economia, para não ir mais longe.Por isso hoje a forma de fazer oposição política à direita e à esquerda parece resumir-se a estar contra. Uma moda fácil que se estende para lá da classe política.Só a esquerda radical não tem vergonha do seu programa. Ele é tão transparente que me deixa espantado. Dizer por exemplo que o Alqueva só serve para regar campos de golfe é um despautério da ingenuidade ou do desconhecimento. Para além de não ver mal nenhum na existência de campos de golpe percebo a parangona. Mas não é séria.Quanto à direita suspeito que, com a excepção sórdida de associar as ferramentas de apoio social à preguiça, tudo o mais é envergonhado, para falar verdade.Fazer oposição hoje só distingue os mais à direita ou mais esquerda pelo maior ou menor radicalismo que se demonstra ter contra quem governa.O debate político parece ter-se transformado numa retórica de mercearia, com respeito que me merece uma boa mercearia. Ele tem visado atacar a estratégia do investimento público, propagando a ideia errada que confunde o conceito de investimento com o de hipoteca. E ataca também o carácter das pessoas mas a coisa terá um limite.Vendo curto (e a vista não é má) o TGV é importante para uma região como a nossa. Por onde passe, o TGV tem contribuído fortemente para o desenvolvimento territorial. Não seremos excepção.Vendo largo e acrescentando outros investimentos públicos e público-privados, como o porto de águas profundas de Sines e o aeroporto de Beja, teremos uma ligação excepcional com o resto da Europa, comercial e de passageiros. A questão não é só de interesse local como nacional.Contudo bem se vê o que fazemos habitualmente com um e com outro. Lá encheremos a boca daqui por uns anos com o fatídico “atraso estrutural”.É a vida. Texto publicado no DS