Uma crítica com ética

19-04-2010
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David Lopes Ramos, jornalista do PÚBLICO e crítico gastronómico, foi a personalidade homenageada na edição deste ano do Festival Peixe em Lisboa, sucedendo a Maria de Lurdes Modesto e Bento dos Santos. A organização distinguiu o exemplo "de há muitos anos de um jornalista e crítico que trabalha com um rigor, isenção e conhecimento que são referências para toda a gente" na área da gastronomia, como sublinhou Duarte Calvão, o director do evento.

O secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, associaram-se à homenagem. David Lopes Ramos agradeceu emocionado, confessando a dificuldade que sente com a exposição pública e dedicando à família a distinção.

Meio a brincar, diz dele próprio ser um "crítico de vinhos e petiscos". Mas para quem trabalha no meio ele é "um mestre". Não o homem que sabe tudo ou sabe mais, mas sim o jornalista que se rege pela ética dos mestres. Aquele que, mesmo sabendo muito e escrevendo de forma admirável, como é o caso, nunca perde a humildade, não busca os holofotes, não menospreza o trabalho dos outros, não infringe os deveres da profissão, não desrespeita o trabalho daqueles sobre os quais escreve. Aos 62 anos, é um crítico respeitado e sem inimigos, o que é raro. Isto só é possível porque a sua crítica tem ética. Na hora de dizer verdades desagradáveis, sabe fazê-lo com educação e sentido pedagógico.

O falecido crítico gastronómico Alfredo Saramago considerava-o o melhor de todos. Mas, para David Lopes Ramos, o melhor continua a ser José Quitério, o jornalista do Expresso a quem deve a decisão de apostar a sério na crítica gastronómica, em 1987, mais ou menos dois anos depois de ter começado a fazer as primeiras crónicas no antigo Diário. Naquele ano, Quitério publicou um livro e, embora não o conhecendo, convidou David Lopes Ramos para o lançamento, tendo-lhe oferecido e dedicado um exemplar. "Percebi que a pessoa que eu mais admirava me lia e que apreciava o que eu escrevia. Ele passou a ser meu leitor. Escrevemos sempre para alguém. Neste caso, as minhas crónicas de gastronomia, escrevo-as para o José Quitério e estou sempre a pensar o que é que ele achará disto", disse à Lusa. Os mestres são assim, humildes.

David Lopes Ramos, jornalista do PÚBLICO e crítico gastronómico, foi a personalidade homenageada na edição deste ano do Festival Peixe em Lisboa, sucedendo a Maria de Lurdes Modesto e Bento dos Santos. A organização distinguiu o exemplo "de há muitos anos de um jornalista e crítico que trabalha com um rigor, isenção e conhecimento que são referências para toda a gente" na área da gastronomia, como sublinhou Duarte Calvão, o director do evento.

O secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, associaram-se à homenagem. David Lopes Ramos agradeceu emocionado, confessando a dificuldade que sente com a exposição pública e dedicando à família a distinção.

Meio a brincar, diz dele próprio ser um "crítico de vinhos e petiscos". Mas para quem trabalha no meio ele é "um mestre". Não o homem que sabe tudo ou sabe mais, mas sim o jornalista que se rege pela ética dos mestres. Aquele que, mesmo sabendo muito e escrevendo de forma admirável, como é o caso, nunca perde a humildade, não busca os holofotes, não menospreza o trabalho dos outros, não infringe os deveres da profissão, não desrespeita o trabalho daqueles sobre os quais escreve. Aos 62 anos, é um crítico respeitado e sem inimigos, o que é raro. Isto só é possível porque a sua crítica tem ética. Na hora de dizer verdades desagradáveis, sabe fazê-lo com educação e sentido pedagógico.

O falecido crítico gastronómico Alfredo Saramago considerava-o o melhor de todos. Mas, para David Lopes Ramos, o melhor continua a ser José Quitério, o jornalista do Expresso a quem deve a decisão de apostar a sério na crítica gastronómica, em 1987, mais ou menos dois anos depois de ter começado a fazer as primeiras crónicas no antigo Diário. Naquele ano, Quitério publicou um livro e, embora não o conhecendo, convidou David Lopes Ramos para o lançamento, tendo-lhe oferecido e dedicado um exemplar. "Percebi que a pessoa que eu mais admirava me lia e que apreciava o que eu escrevia. Ele passou a ser meu leitor. Escrevemos sempre para alguém. Neste caso, as minhas crónicas de gastronomia, escrevo-as para o José Quitério e estou sempre a pensar o que é que ele achará disto", disse à Lusa. Os mestres são assim, humildes.

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