De acordo com o Orçamento de Estado, as necessidades brutas de financiamento este ano somam 47 000 000 000 de euros. Destes, 30 000 000 000 são para amortizar compromissos fundados. Ou seja, temos de ir ao mercado buscar esta quantia para pagar o que devemos.Não sei o que se vai passar. Ninguém verdadeiramente sabe. Sabemos já que, para Bilhetes do Tesouro, o Estado propunha-se há uns dias financiar-se em 500 000 000 de euros, e teve de recuar para 300 000 000.O IGCP informa que o programa de emissão de Obrigações deverá atingir 18 000 000 000. Um terço é já neste primeiro trimestre.Conseguiremos? Não conseguiremos? Não sabemos. Não sabemos sequer o que nos vai acontecer se não conseguirmos. Entramos em incumprimento, ou somos salvos (bail-out) por... quem? O BCE não o pode fazer. Recorrer ao FMI poderia ser, como explica aqui o jornalista mais bem informado do mundo sobre estas matérias, Wolfgang Munchau, que cobre o euro desde a sua criação, no Financial Times, poderia ser o fim do euro - os mercados passariam a tomar a zona como um conjunto de economias ligadas por uma taxa de câmbio fixa e não propriamente como uma zona monetária.O emprestador, seja lá quem for, se houver, imporá ao Estado recipiente limites sérios à sua soberania, obrigando-o a fazer qualquer coisa de tão drástico, queira ou não, essa é a condição para o salvamento face ao incumprimento, que ninguém mais quererá experimentar a necessidade de recorrer a essa solução (evitar moral hazard). Ele terá de produzir, sem taxa de câmbio, os mesmo efeitos: reduções de salários na economia da ordem de quê? 20%? E isso é possível? Sinceramente, não sei. Ninguém sabe, como podem ver.Arrisco o seguinte: a indefinição europeia relativamente ao emprestador de último recurso vai levar os mercados a provocar um ataque especulativo sobre os elos fracos - Portugal, Grécia, Espanha - até que haja definições. Os mercados não lidam bem com tanta incerteza. Não lidam bem com o «state of denial». Itália e Bélgica a seguir? O euro sobrevive? Ninguém sabe.Certo, certo é que vamos assistir a uma subida em flecha do discurso esquizofrénico: a esquerda radical, e até mesmo a outra, amaldiçoará os mercados e exigirá absolutamente a qualquer poder que faça o que só pode fazer recorrendo a eles, isto é, recuperando-lhes a confiança. A demagogia populista, acéfala, estilo arrastão, sonha com um apocalipse geral no sistema... para o «reformar» (juro que é a palavra que eles usam, a demissão mental a que isto já chegou).
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De acordo com o Orçamento de Estado, as necessidades brutas de financiamento este ano somam 47 000 000 000 de euros. Destes, 30 000 000 000 são para amortizar compromissos fundados. Ou seja, temos de ir ao mercado buscar esta quantia para pagar o que devemos.Não sei o que se vai passar. Ninguém verdadeiramente sabe. Sabemos já que, para Bilhetes do Tesouro, o Estado propunha-se há uns dias financiar-se em 500 000 000 de euros, e teve de recuar para 300 000 000.O IGCP informa que o programa de emissão de Obrigações deverá atingir 18 000 000 000. Um terço é já neste primeiro trimestre.Conseguiremos? Não conseguiremos? Não sabemos. Não sabemos sequer o que nos vai acontecer se não conseguirmos. Entramos em incumprimento, ou somos salvos (bail-out) por... quem? O BCE não o pode fazer. Recorrer ao FMI poderia ser, como explica aqui o jornalista mais bem informado do mundo sobre estas matérias, Wolfgang Munchau, que cobre o euro desde a sua criação, no Financial Times, poderia ser o fim do euro - os mercados passariam a tomar a zona como um conjunto de economias ligadas por uma taxa de câmbio fixa e não propriamente como uma zona monetária.O emprestador, seja lá quem for, se houver, imporá ao Estado recipiente limites sérios à sua soberania, obrigando-o a fazer qualquer coisa de tão drástico, queira ou não, essa é a condição para o salvamento face ao incumprimento, que ninguém mais quererá experimentar a necessidade de recorrer a essa solução (evitar moral hazard). Ele terá de produzir, sem taxa de câmbio, os mesmo efeitos: reduções de salários na economia da ordem de quê? 20%? E isso é possível? Sinceramente, não sei. Ninguém sabe, como podem ver.Arrisco o seguinte: a indefinição europeia relativamente ao emprestador de último recurso vai levar os mercados a provocar um ataque especulativo sobre os elos fracos - Portugal, Grécia, Espanha - até que haja definições. Os mercados não lidam bem com tanta incerteza. Não lidam bem com o «state of denial». Itália e Bélgica a seguir? O euro sobrevive? Ninguém sabe.Certo, certo é que vamos assistir a uma subida em flecha do discurso esquizofrénico: a esquerda radical, e até mesmo a outra, amaldiçoará os mercados e exigirá absolutamente a qualquer poder que faça o que só pode fazer recorrendo a eles, isto é, recuperando-lhes a confiança. A demagogia populista, acéfala, estilo arrastão, sonha com um apocalipse geral no sistema... para o «reformar» (juro que é a palavra que eles usam, a demissão mental a que isto já chegou).