Um estudo confirma o óbvio. No entanto, que quer saber de estudos ou de óbvios o trio do Ministério da Educação?A Sócrates, já se percebeu, só interessa o lucro imediato, mesmo que isso represente destruir ou saltar por cima do que quer que seja. Estudo afirma que nova avaliação dos docentes prejudicou alunosPEDRO SOUSA TAVARES "Aumentar o enfoque na performance individual do professor causou um considerável e estatisticamente significativo declínio nos resultados dos estudantes." A afirmação parece saída do discurso de um dirigente sindical. Mas não é. O seu autor é um português, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) de Bona, na Alemanha. E os dados em que se baseia foram divulgados pelo Júri Nacional de Exames, em Portugal.Mas as conclusões do estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, a que o DN teve acesso, não deixam ainda assim de se prestar a muita polémica.Não só por o autor concluir que as medidas de "valorização" profissional dos professores introduzidas pelo actual Governo criaram um clima de "torneio" na classe, que conduziu à "inflação das notas internas" e a piores resultados nos exames nacionais. Mas, sobretudo, porque, apesar de o estudo remeter para dados entre 2002 e 2008, estas afirmações parecem ser sustentadas, apenas, pelos resultados escolares de 2006/07.A quebra de 2007Nesse ano lectivo (em Janeiro de 2007) entrou em vigor o novo Estatuto da Carreira Docente, que dividiu a classe nas categorias de "professor" e "titular" e estabeleceu quotas máximas para as avaliações de "muito bom" e "excelente".Na época de exames nacionais que se seguiu, os resultados foram fracos - em nove disciplinas comparáveis com o ano anterior, seis registaram quebras. E as diferenças entre as classificações obtidas pelos alunos nas escolas e nas provas nacionais foram notórias, com a grande maioria da rede pública a não justificar nos exames as médias internas. Variações que, assume o autor, não podem ser atribuídas a mais nenhum "efeito específico para as escolas públicas" além da "reforma na educação".Porém, são menos convincentes as explicações para a subida generalizada da médias dos exames no ano lectivo seguinte - em que os professores estavam em "pé de guerra" com a avaliação. O autor atribui a subida dos indicadores a "efeitos cumulativos" da reforma, não se percebendo se está a referir-se à possibilidade de muitos professores terem passado a preparar os seus alunos para os exames, ou ao alegado "facilitismo" das provas que foi invocado por várias associações de professores.In Diário de Notícias.
Categorias
Entidades
Um estudo confirma o óbvio. No entanto, que quer saber de estudos ou de óbvios o trio do Ministério da Educação?A Sócrates, já se percebeu, só interessa o lucro imediato, mesmo que isso represente destruir ou saltar por cima do que quer que seja. Estudo afirma que nova avaliação dos docentes prejudicou alunosPEDRO SOUSA TAVARES "Aumentar o enfoque na performance individual do professor causou um considerável e estatisticamente significativo declínio nos resultados dos estudantes." A afirmação parece saída do discurso de um dirigente sindical. Mas não é. O seu autor é um português, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) de Bona, na Alemanha. E os dados em que se baseia foram divulgados pelo Júri Nacional de Exames, em Portugal.Mas as conclusões do estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, a que o DN teve acesso, não deixam ainda assim de se prestar a muita polémica.Não só por o autor concluir que as medidas de "valorização" profissional dos professores introduzidas pelo actual Governo criaram um clima de "torneio" na classe, que conduziu à "inflação das notas internas" e a piores resultados nos exames nacionais. Mas, sobretudo, porque, apesar de o estudo remeter para dados entre 2002 e 2008, estas afirmações parecem ser sustentadas, apenas, pelos resultados escolares de 2006/07.A quebra de 2007Nesse ano lectivo (em Janeiro de 2007) entrou em vigor o novo Estatuto da Carreira Docente, que dividiu a classe nas categorias de "professor" e "titular" e estabeleceu quotas máximas para as avaliações de "muito bom" e "excelente".Na época de exames nacionais que se seguiu, os resultados foram fracos - em nove disciplinas comparáveis com o ano anterior, seis registaram quebras. E as diferenças entre as classificações obtidas pelos alunos nas escolas e nas provas nacionais foram notórias, com a grande maioria da rede pública a não justificar nos exames as médias internas. Variações que, assume o autor, não podem ser atribuídas a mais nenhum "efeito específico para as escolas públicas" além da "reforma na educação".Porém, são menos convincentes as explicações para a subida generalizada da médias dos exames no ano lectivo seguinte - em que os professores estavam em "pé de guerra" com a avaliação. O autor atribui a subida dos indicadores a "efeitos cumulativos" da reforma, não se percebendo se está a referir-se à possibilidade de muitos professores terem passado a preparar os seus alunos para os exames, ou ao alegado "facilitismo" das provas que foi invocado por várias associações de professores.In Diário de Notícias.