Às vezes vale a pena contar a história devagarinho. No fim da II Guerra Mundial, a Alemanha foi submetida ao costumeiro processo de humilhação e Berlim dividida em quatro sectores: o americano, o inglês, o francês e o soviético. Não sobrou nada para os alemães. Em 1949, o sector soviético foi integrado na República Democrática da Alemanha (RDA), que gravitava em torno da URSS.
Como milhares de berlinenses do lado de lá, apesar de viverem no paraíso socialista, insistissem em emigrar para o inferno do capitalismo, construiu-se o muro na madrugada de 13 de Agosto de 1961. Houve famílias separadas de um dia para o outro, algumas para sempre. Foi proibida a passagem de pessoas para o sector ocidental da cidade. Em 300 torres de vigilância havia soldados prontos a disparar sobre quem violasse a ordem socializante.
O muro de Berlim cumpriu o seu papel de divisão e enfraquecimento da Europa, imagem de marca de um continente rachado a meio.
A rapaziada esquerdista dos anos 70 e 80 sabia de cor o currículo dos atletas da RDA e as medalhas olímpicas conquistadas. Segundo eles, a prova inequívoca da superioridade do comunismo e da «transformação da realidade». Há dias vi uma reportagem sobre a Heidi Krieger, antiga campeã da Europa do lançamento do peso e grande vedeta da RDA. Hoje chama-se Andreas, tem bigode e contraiu matrimónio com uma nadadora. Há outros exemplos. Os planos quinquenais de doping obrigatório foram, eles sim, a maior prova de «transformação da realidade». Em Portugal abundam no parlamento entusiastas e ex-entusiastas do falecido bloco. Mas, por cá, para transformar a realidade nem sequer peço mudanças de sexo. Já me contentava de ver a Ana Drago com um bigode maior e as orelhas mais pequenas.
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Às vezes vale a pena contar a história devagarinho. No fim da II Guerra Mundial, a Alemanha foi submetida ao costumeiro processo de humilhação e Berlim dividida em quatro sectores: o americano, o inglês, o francês e o soviético. Não sobrou nada para os alemães. Em 1949, o sector soviético foi integrado na República Democrática da Alemanha (RDA), que gravitava em torno da URSS.
Como milhares de berlinenses do lado de lá, apesar de viverem no paraíso socialista, insistissem em emigrar para o inferno do capitalismo, construiu-se o muro na madrugada de 13 de Agosto de 1961. Houve famílias separadas de um dia para o outro, algumas para sempre. Foi proibida a passagem de pessoas para o sector ocidental da cidade. Em 300 torres de vigilância havia soldados prontos a disparar sobre quem violasse a ordem socializante.
O muro de Berlim cumpriu o seu papel de divisão e enfraquecimento da Europa, imagem de marca de um continente rachado a meio.
A rapaziada esquerdista dos anos 70 e 80 sabia de cor o currículo dos atletas da RDA e as medalhas olímpicas conquistadas. Segundo eles, a prova inequívoca da superioridade do comunismo e da «transformação da realidade». Há dias vi uma reportagem sobre a Heidi Krieger, antiga campeã da Europa do lançamento do peso e grande vedeta da RDA. Hoje chama-se Andreas, tem bigode e contraiu matrimónio com uma nadadora. Há outros exemplos. Os planos quinquenais de doping obrigatório foram, eles sim, a maior prova de «transformação da realidade». Em Portugal abundam no parlamento entusiastas e ex-entusiastas do falecido bloco. Mas, por cá, para transformar a realidade nem sequer peço mudanças de sexo. Já me contentava de ver a Ana Drago com um bigode maior e as orelhas mais pequenas.