Cameron quer tirar Reino Unido da "beira do precipício" com plano de austeridade drástico

23-10-2010
marcar artigo

Observadores consideram que medidas põem em causa crescimento futuro. Sindicatos protestam nas ruas e prometem greves

"Hoje é o dia em que a Grã-Bretanha se afasta da beira do precipício e se confronta com as facturas de uma década de dívida. É um dia de reconstrução." Com estas palavras iniciou ontem o ministro das Finanças britânico, George Osborne, a apresentação do maior plano de austeridade do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Num discurso de 21 páginas, Osborne desvendou no Parlamento as linhas gerais do programa com que pretende reduzir o défice das contas públicas dos 10 por cento estimados, para 2 por cento até 2015 e onde se destaca uma redução de despesa de mais de 81.000 milhões de libras (cerca de 95.000 milhões de euros), a eliminação de quase 500 mil empregos no sector público e um aumento de impostos de 30.000 milhões de libras (quase 34.000 milhões de euros).

Todavia, se Osborne defende que "a estrada é dura, mas conduz a um melhor futuro", outros, como o ex-ministro das Finanças trabalhista Alistair Darling, entendem que o plano hipoteca o crescimento económico futuro. "Os fundamentais da economia britânica são bons, o risco está em retirar esta quantidade de dinheiro da economia de repente e cortarem-se 500 mil empregos; isto diminui as possibilidades de ter crescimento no futuro", afirmou Darling, em declarações à Bloomberg.

Também o National Institute of Economic Social Research (NIESR), uma das mais conceituadas entidades de análise económica do Reino Unido, considera que o plano do Governo de coligação liderado por David Cameron aumenta as probabilidades de que a economia britânica enfrente uma contracção em 2011. Citado pelo The Wall Street Journal, o estudo do NIESR refere que, se a economia desacelerar, Cameron terá de pôr de lado a austeridade para garantir alguns estímulos, mesmo que sejam medidas temporárias de política fiscal. E, se houver crescimento económico, será sempre a menor ritmo, o que põe em causa o calendário do Governo de consolidação das contas públicas em cinco anos, sustenta o NIESR.

A contestação dos sindicatos já se fez ouvir. Ontem, cerca de três mil pessoas ter-se-ão concentrado em Londres, em frente ao Parlamento, ficando a promessa de greves e protestos a nível nacional. Um dos argumentos esgrimidos pelos manifestantes era o de que os bancos que foram ajudados pelo anterior Governo de Gordon Brown na crise financeira terão isenções fiscais de 19 mil milhões de libras (cerca de 21.600 milhões de euros), um valor que serviria para cobrir mais de dez por cento do défice de 155.000 milhões de libras (cerca de 176.000 milhões de euros).

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

O líder da federação sindical TUC (uma das mais representativas do país), Brendan Barber, alega que as medidas vão custar um milhão de empregos e "não são uma necessidade económica, mas uma escolha política". Entre as críticas ao programa do Governo o TUC destaca, por exemplo, que os cortes na despesa com abonos de família vão afectar cerca de um milhão de famílias com apenas um rendimento.

Certo é que o plano traçado pela equipa de George Osborne - que prevê que cada ministério veja a sua despesa reduzir-se, em média, em 19 por cento - já está em marcha. Dentro de um mês espera-se que os diversos departamentos governamentais estejam em condições de apresentar os seus orçamentos para os próximos quatro anos.

Cameron já tinha anunciado na terça-feira um corte de oito por cento nas despesas com a defesa. E ainda que esta redução para os próximos quatro anos seja menor que os tais 19 por cento, a imprensa escreve que as poupanças com o esforço militar britânico já são motivo de preocupação em Washington.

Observadores consideram que medidas põem em causa crescimento futuro. Sindicatos protestam nas ruas e prometem greves

"Hoje é o dia em que a Grã-Bretanha se afasta da beira do precipício e se confronta com as facturas de uma década de dívida. É um dia de reconstrução." Com estas palavras iniciou ontem o ministro das Finanças britânico, George Osborne, a apresentação do maior plano de austeridade do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Num discurso de 21 páginas, Osborne desvendou no Parlamento as linhas gerais do programa com que pretende reduzir o défice das contas públicas dos 10 por cento estimados, para 2 por cento até 2015 e onde se destaca uma redução de despesa de mais de 81.000 milhões de libras (cerca de 95.000 milhões de euros), a eliminação de quase 500 mil empregos no sector público e um aumento de impostos de 30.000 milhões de libras (quase 34.000 milhões de euros).

Todavia, se Osborne defende que "a estrada é dura, mas conduz a um melhor futuro", outros, como o ex-ministro das Finanças trabalhista Alistair Darling, entendem que o plano hipoteca o crescimento económico futuro. "Os fundamentais da economia britânica são bons, o risco está em retirar esta quantidade de dinheiro da economia de repente e cortarem-se 500 mil empregos; isto diminui as possibilidades de ter crescimento no futuro", afirmou Darling, em declarações à Bloomberg.

Também o National Institute of Economic Social Research (NIESR), uma das mais conceituadas entidades de análise económica do Reino Unido, considera que o plano do Governo de coligação liderado por David Cameron aumenta as probabilidades de que a economia britânica enfrente uma contracção em 2011. Citado pelo The Wall Street Journal, o estudo do NIESR refere que, se a economia desacelerar, Cameron terá de pôr de lado a austeridade para garantir alguns estímulos, mesmo que sejam medidas temporárias de política fiscal. E, se houver crescimento económico, será sempre a menor ritmo, o que põe em causa o calendário do Governo de consolidação das contas públicas em cinco anos, sustenta o NIESR.

A contestação dos sindicatos já se fez ouvir. Ontem, cerca de três mil pessoas ter-se-ão concentrado em Londres, em frente ao Parlamento, ficando a promessa de greves e protestos a nível nacional. Um dos argumentos esgrimidos pelos manifestantes era o de que os bancos que foram ajudados pelo anterior Governo de Gordon Brown na crise financeira terão isenções fiscais de 19 mil milhões de libras (cerca de 21.600 milhões de euros), um valor que serviria para cobrir mais de dez por cento do défice de 155.000 milhões de libras (cerca de 176.000 milhões de euros).

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

O líder da federação sindical TUC (uma das mais representativas do país), Brendan Barber, alega que as medidas vão custar um milhão de empregos e "não são uma necessidade económica, mas uma escolha política". Entre as críticas ao programa do Governo o TUC destaca, por exemplo, que os cortes na despesa com abonos de família vão afectar cerca de um milhão de famílias com apenas um rendimento.

Certo é que o plano traçado pela equipa de George Osborne - que prevê que cada ministério veja a sua despesa reduzir-se, em média, em 19 por cento - já está em marcha. Dentro de um mês espera-se que os diversos departamentos governamentais estejam em condições de apresentar os seus orçamentos para os próximos quatro anos.

Cameron já tinha anunciado na terça-feira um corte de oito por cento nas despesas com a defesa. E ainda que esta redução para os próximos quatro anos seja menor que os tais 19 por cento, a imprensa escreve que as poupanças com o esforço militar britânico já são motivo de preocupação em Washington.

marcar artigo