Evento no Porto reservou um espaço próprio para 24 criadores emergentes mostrarem o seu trabalho através de um formato mais informal
Um colectivo de jovens designers funcionou como uma lufada de ar fresco nos quatro dias de desfiles do Portugal Fashion, que termina hoje à noite.
No edifício da Alfândega do Porto, a moda não desfilou só na passerelle principal. Nesta edição, e como forma de assinalar os 15 anos do evento, foi criado um espaço, da responsabilidade do professor de moda Miguel Flor, onde 24 criadores de moda emergentes tiveram a oportunidade de mostrar o seu trabalho num formato diferente da passerelle tradicional, mais informal e urbano. Funcionou e algumas das roupas apresentadas surpreenderam o público presente.
"Gostava de ter estas roupas todas. E os óculos também. Será que estão à venda?", questionava um estudante de moda após a apresentação de Estelita Mendonça. E estão, na Baixa do Porto, disse ao PÚBLICO o jovem criador, que levou à passerelle cinco modelos masculinos que vestiram camisas, calças e calções de cortes direitos, em tons de verde e caqui, muito bem confeccionados e cuja imagem parecia ter sido inspirada no grupo musical português Heróis do Mar, que fez sucesso nos anos de 1990. Mas não. "Procurei criar uma nova estética na roupa masculina e fui buscar detalhes aos anos de ouro da moda, os de 1950", disse Estelita Mendonça.
Maratona de desfiles
Dos quatro dias de desfiles, sexta-feira foi o mais forte do calendário. Há que referir a colecção de Felipe Oliveira Baptista, já apresentada em Paris há duas semanas. A directora do Museu do Design e da Moda (Mude), Bárbara Pereira Coutinho, ressalta "a inovação da silhueta, bem como a crescente qualidade da escolha dos materiais e confecção das roupas de Oliveira Baptista".
No final do desfile, Coutinho fez questão de cumprimentar Baptista e disse, sem revelar pormenores, que o museu tem uma ideia para o estilista, que espera concretizar brevemente.
O recém-nomeado director criativo da Lacoste trouxe outra novidade: a FOB, uma linha de roupa mais acessível. "É quase um mono-produto com um conceito muito básico: são cinco calças, cinco partes de cima e uma parka. Tudo em algodão e a um preço mais acessível", disse o criador. "Terminamos ontem as vendas desta colecção, que correu muito bem, sobretudo para o Japão". E para Portugal? "Nada. Não apareceu nenhum português. Nem para ver", diz Oliveira Baptista. Mas é em Portugal que está centrada a maior parte da produção das colecções deste criador. "A confecção é de qualidade e o preço ainda compensa".
Sexta-feira ainda foi dia para ver as colecções de Anabela Baldaque, Storytailors e Luís Buchinho. Enquanto Anabela Baldaque apostou em tecidos estampados, leves e fluidos, os Storytailors procuraram dar resposta aos tempos de incerteza que se vivem, transformando e interpretando o que os rodeia em boas peças de vestuário.
O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×
"Pegamos nos bestsellers do vestuário em geral, como a t-shirt, a ganga ou a camisa branca, e os possíveis bestsellers do futuro próximo. Misturamos tudo e servimos nesta colecção", disseram os Storytailors.
Luís Buchinho deu a conhecer a parte da sua colecção que o público mais consome, com peças confortáveis e fáceis de usar. Calças e casacos com volumes pareo sobrepostos em camadas, calças à boca-de-sino e muitas parkas dominaram a colecção, que misturou materiais como o algodão, linho e seda. "Deu-me muito prazer organizar este desfile", disse, no final, o criador, que atravessa um dos melhores momentos da sua carreira em termos de criação e de vendas.
O dia de sábado foi marcado pelos desfiles de Luís Onofre e Fátima Lopes. Hoje o dia é dedicado às marcas e a Carlos Gil, responsável pelo guarda-roupa da primeira-dama, Maria Cavaco Silva, que encerram os quatro dias de desfiles.
Categorias
Entidades
Evento no Porto reservou um espaço próprio para 24 criadores emergentes mostrarem o seu trabalho através de um formato mais informal
Um colectivo de jovens designers funcionou como uma lufada de ar fresco nos quatro dias de desfiles do Portugal Fashion, que termina hoje à noite.
No edifício da Alfândega do Porto, a moda não desfilou só na passerelle principal. Nesta edição, e como forma de assinalar os 15 anos do evento, foi criado um espaço, da responsabilidade do professor de moda Miguel Flor, onde 24 criadores de moda emergentes tiveram a oportunidade de mostrar o seu trabalho num formato diferente da passerelle tradicional, mais informal e urbano. Funcionou e algumas das roupas apresentadas surpreenderam o público presente.
"Gostava de ter estas roupas todas. E os óculos também. Será que estão à venda?", questionava um estudante de moda após a apresentação de Estelita Mendonça. E estão, na Baixa do Porto, disse ao PÚBLICO o jovem criador, que levou à passerelle cinco modelos masculinos que vestiram camisas, calças e calções de cortes direitos, em tons de verde e caqui, muito bem confeccionados e cuja imagem parecia ter sido inspirada no grupo musical português Heróis do Mar, que fez sucesso nos anos de 1990. Mas não. "Procurei criar uma nova estética na roupa masculina e fui buscar detalhes aos anos de ouro da moda, os de 1950", disse Estelita Mendonça.
Maratona de desfiles
Dos quatro dias de desfiles, sexta-feira foi o mais forte do calendário. Há que referir a colecção de Felipe Oliveira Baptista, já apresentada em Paris há duas semanas. A directora do Museu do Design e da Moda (Mude), Bárbara Pereira Coutinho, ressalta "a inovação da silhueta, bem como a crescente qualidade da escolha dos materiais e confecção das roupas de Oliveira Baptista".
No final do desfile, Coutinho fez questão de cumprimentar Baptista e disse, sem revelar pormenores, que o museu tem uma ideia para o estilista, que espera concretizar brevemente.
O recém-nomeado director criativo da Lacoste trouxe outra novidade: a FOB, uma linha de roupa mais acessível. "É quase um mono-produto com um conceito muito básico: são cinco calças, cinco partes de cima e uma parka. Tudo em algodão e a um preço mais acessível", disse o criador. "Terminamos ontem as vendas desta colecção, que correu muito bem, sobretudo para o Japão". E para Portugal? "Nada. Não apareceu nenhum português. Nem para ver", diz Oliveira Baptista. Mas é em Portugal que está centrada a maior parte da produção das colecções deste criador. "A confecção é de qualidade e o preço ainda compensa".
Sexta-feira ainda foi dia para ver as colecções de Anabela Baldaque, Storytailors e Luís Buchinho. Enquanto Anabela Baldaque apostou em tecidos estampados, leves e fluidos, os Storytailors procuraram dar resposta aos tempos de incerteza que se vivem, transformando e interpretando o que os rodeia em boas peças de vestuário.
O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×
"Pegamos nos bestsellers do vestuário em geral, como a t-shirt, a ganga ou a camisa branca, e os possíveis bestsellers do futuro próximo. Misturamos tudo e servimos nesta colecção", disseram os Storytailors.
Luís Buchinho deu a conhecer a parte da sua colecção que o público mais consome, com peças confortáveis e fáceis de usar. Calças e casacos com volumes pareo sobrepostos em camadas, calças à boca-de-sino e muitas parkas dominaram a colecção, que misturou materiais como o algodão, linho e seda. "Deu-me muito prazer organizar este desfile", disse, no final, o criador, que atravessa um dos melhores momentos da sua carreira em termos de criação e de vendas.
O dia de sábado foi marcado pelos desfiles de Luís Onofre e Fátima Lopes. Hoje o dia é dedicado às marcas e a Carlos Gil, responsável pelo guarda-roupa da primeira-dama, Maria Cavaco Silva, que encerram os quatro dias de desfiles.