Zeus a Pregar no Deserto

01-05-2010
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Na cerimónia de comemoração dos 34 anos do 25 de Abril Cavaco Silva mostrou-se preocupado com o afastamento dos jovens da política. É muito estranho que só ao fim de mais de 30 anos na vida política ocupando cargos de grande relevo Cavaco Silva tenha manifestado esta preocupação. É que este fenómeno tem mais de 30 anos. Mas enfim, mais vale tarde do que nunca.

Todos sabemos que em 34 anos de “democracia”, a grande maioria dos jovens esteve sempre afastada da vida política, tal como está hoje. De resto, não são apenas os jovens que estão afastados da vida política. Os Portugueses de um modo geral, de todas as origens e idades estão afastados da vida política. E isto não acontece por mero acaso. Acontece porque uma casta de cidadãos que se julgam iluminados se reserva o direito de manter a grande maioria dos Portugueses afastados da política. Para mal dos Portugueses, é essa mesma casta que tem gerido a política Portuguesa desde Abril de 1974 como se de um assunto da COSA NOSTRA se tratasse. E essa COSA NOSTRA existe em todos os partidos políticos Portugueses sem excepção.

A saudosa Helena Sanches Osório teve um dia a coragem de dizer o que pensava sobre a política em Portugal. Disse ela que os partidos políticos em Portugal são escolas de crime. Infelizmente a prática política de todos os partidos políticos em Portugal tem confirmado inteiramente o pensamento de Helena Sanches Osório. Desde logo a adesão a qualquer partido político Português exige que o aderente tenha de ter a assinatura de 2 militantes (uma espécie de Padrinhos) do partido a que pretende aderir. Ou seja, só adere quem fôr proposto pela COSA NOSTRA, não vá o diabo tecê-las.

Um dos problemas é que o percurso normal dos poucos jovens que participam na política em Portugal é feito através de associações de estudantes. Os poucos estudantes que têm disponibilidade para participar nas associações de estudantes são os oriundos de famílias mais abonadas. Os estudantes oriundos de famílias menos abonadas (que são a maioria) têm de estudar porque não se podem dar ao luxo de repetir anos. Os partidos políticos usam os estudantes universitários como testas de ferro das listas afectas a esses partidos para controlar as associações de estudantes. Acenam-lhes com promessas de cargos e de carreira política. Esses jovens quando entram nos partidos já estão comprados pelos partidos de modo a não contestarem a organização interna desses partidos, o tal aparelho partidário (ou COSA NOSTRA). Muitos deles interrompem ou abandonam os cursos para se dedicarem ao partido. Toranam-se ainda mais dependentes dos partidos, pois não têm profissão.

Outra originalidade Portuguesa que impede o funcinamento democrático dos partidos são as juventudes partidárias. Aparentemente, as juventudes partidárias são apresentadas como algo de positivo para ajudar os jovens a participarem na vida partidária. Mas, na verdade, só contribuem para afastar os jovens da política. As juventudes partidárias são um atestado de incompetência aos jovens. Visam únicamente impedir os jovens de participarem mais activamente e de renovarem os partidos. As direcções dos partidos metem 1 ou 2 jovens (o presidente e o vice-presidente das Jotas) em lugares elegíveis e eles comprometem-se a manter os militantes das Jotas calados a colar cartazes.

É fundamental proibir a existência de juventudes partidárias. As juventudes partidárias são uma forma de segregar os jovens dentro dos partidos. São uma forma de impedir a renovação dos partidos. Por isso é que as listas de deputados dos partidos variam muito pouco ao longo de decadas. As cumplicidades estabelecem-se entre os deputados dinossauros e a partir daí limitam-se a governar as suas vidinhas. É tambem fundamental criar um limite ao número de mandatos de todos os cargos políticos/públicos incuíndo os de deputados. Dois mandatos (num máximo de 8 anos) é mais do que suficiente para qualquer cidadão dar o seu contributo ao País.

Outro problema gravíssimo é a perpetuação dos memos políticos dinossauros no poder. Se analisarmos bem, em 34 anos de democracia, os principais protagonistas políticos da vida Portugesa são quase todos os mesmos, a começar pelo senhor Presidente da República. De facto, Cavaco Silva, foi Secretário de Estado num governo de Sá Carneiro. Depois foi Primeiro Ministro em 3 governos e agora é Presidente da República. Como se não existisse mais ninguem em Portugal capaz de desempenhar esses cargos melhor do que Cavaco Silva desempenhou. O pior é que Cavaco não é caso único, pelo contrário. Nos últimos 34 anos os deputados e os membros dos sucessivos governos foram quase sempre os mesmos. Os cargos passam de pais para filhos despudoradamente como se vivessemos numa monarquia. O filho do ex-deputado do PSD Montalvão Machado, é deputado do PSD. O filho do ex-deputado do PS Carlos Candal, Afonso Candal, é deputado do PS. E não são casos únicos. Olhando para as listas de deputados de todos os partidos, fácilmente constatamos que mudaram muito pouco nas últimas decadas.

Para mudar este estado de coisas é fundamental mudar a lei. É imperioso:

1.- Limitar os mandatos de todo e qualquer cargo político/público incluíndo os dos líderes partidários a 2 mandatos (ou um máximo de 8 anos).

2.- Exigir a exclusividade absoluta para todo e qualquer cargo político/público. Qualquer cargo político/público, se levado a sério, é suficientemente absorvente para poder ser acumulado com qualquer outra actividade. Não é aceitável que cargos políticos/públicos possam ser acumulados com qualquer actividade.

3.- É fundamental proíbir que ex-políticos possam ser Presidentes da República. O Presidente da República deve ser uma personalidade respeitada da sociedade civil sem quaisquer cumplicidades políticas. Caso contrário ficamos condenados à mesma meia dúzia de protagonistas políticos com o consequente afastamento da maioria dos cidadãos Portugueses.

4.- É tambem fundamental impedir que a Assembleia da República possa ser constituída maioritáriamente por gente do Direito. A maioria esmagadora dos políticos, deputados, governantes, etc. são gente do Direito que acumula com outras actividades, nomeadamente escritórios de advogados. Tal como disse o bastonário da ordem dos advogados, isto tem de ser proíbido porque gera uma promiscuidade inaceitável entre os legisladores e os escritórios de advogados. Por outro lado, afasta a maioria dos cidadãos de outras profissões da vida política.

Se o senhor Presidente da República está a falar a sério quando diz estar preocupado com o afastamento dos jovens da política, o senhor Presidente da República deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acolher as sugestões que dei acima e torná-las em lei. Se isso acontecer, garanto-lhe que a maioria dos cidadãos se aproximará mais da política e participará na resolução dos problemas do país.

Na cerimónia de comemoração dos 34 anos do 25 de Abril Cavaco Silva mostrou-se preocupado com o afastamento dos jovens da política. É muito estranho que só ao fim de mais de 30 anos na vida política ocupando cargos de grande relevo Cavaco Silva tenha manifestado esta preocupação. É que este fenómeno tem mais de 30 anos. Mas enfim, mais vale tarde do que nunca.

Todos sabemos que em 34 anos de “democracia”, a grande maioria dos jovens esteve sempre afastada da vida política, tal como está hoje. De resto, não são apenas os jovens que estão afastados da vida política. Os Portugueses de um modo geral, de todas as origens e idades estão afastados da vida política. E isto não acontece por mero acaso. Acontece porque uma casta de cidadãos que se julgam iluminados se reserva o direito de manter a grande maioria dos Portugueses afastados da política. Para mal dos Portugueses, é essa mesma casta que tem gerido a política Portuguesa desde Abril de 1974 como se de um assunto da COSA NOSTRA se tratasse. E essa COSA NOSTRA existe em todos os partidos políticos Portugueses sem excepção.

A saudosa Helena Sanches Osório teve um dia a coragem de dizer o que pensava sobre a política em Portugal. Disse ela que os partidos políticos em Portugal são escolas de crime. Infelizmente a prática política de todos os partidos políticos em Portugal tem confirmado inteiramente o pensamento de Helena Sanches Osório. Desde logo a adesão a qualquer partido político Português exige que o aderente tenha de ter a assinatura de 2 militantes (uma espécie de Padrinhos) do partido a que pretende aderir. Ou seja, só adere quem fôr proposto pela COSA NOSTRA, não vá o diabo tecê-las.

Um dos problemas é que o percurso normal dos poucos jovens que participam na política em Portugal é feito através de associações de estudantes. Os poucos estudantes que têm disponibilidade para participar nas associações de estudantes são os oriundos de famílias mais abonadas. Os estudantes oriundos de famílias menos abonadas (que são a maioria) têm de estudar porque não se podem dar ao luxo de repetir anos. Os partidos políticos usam os estudantes universitários como testas de ferro das listas afectas a esses partidos para controlar as associações de estudantes. Acenam-lhes com promessas de cargos e de carreira política. Esses jovens quando entram nos partidos já estão comprados pelos partidos de modo a não contestarem a organização interna desses partidos, o tal aparelho partidário (ou COSA NOSTRA). Muitos deles interrompem ou abandonam os cursos para se dedicarem ao partido. Toranam-se ainda mais dependentes dos partidos, pois não têm profissão.

Outra originalidade Portuguesa que impede o funcinamento democrático dos partidos são as juventudes partidárias. Aparentemente, as juventudes partidárias são apresentadas como algo de positivo para ajudar os jovens a participarem na vida partidária. Mas, na verdade, só contribuem para afastar os jovens da política. As juventudes partidárias são um atestado de incompetência aos jovens. Visam únicamente impedir os jovens de participarem mais activamente e de renovarem os partidos. As direcções dos partidos metem 1 ou 2 jovens (o presidente e o vice-presidente das Jotas) em lugares elegíveis e eles comprometem-se a manter os militantes das Jotas calados a colar cartazes.

É fundamental proibir a existência de juventudes partidárias. As juventudes partidárias são uma forma de segregar os jovens dentro dos partidos. São uma forma de impedir a renovação dos partidos. Por isso é que as listas de deputados dos partidos variam muito pouco ao longo de decadas. As cumplicidades estabelecem-se entre os deputados dinossauros e a partir daí limitam-se a governar as suas vidinhas. É tambem fundamental criar um limite ao número de mandatos de todos os cargos políticos/públicos incuíndo os de deputados. Dois mandatos (num máximo de 8 anos) é mais do que suficiente para qualquer cidadão dar o seu contributo ao País.

Outro problema gravíssimo é a perpetuação dos memos políticos dinossauros no poder. Se analisarmos bem, em 34 anos de democracia, os principais protagonistas políticos da vida Portugesa são quase todos os mesmos, a começar pelo senhor Presidente da República. De facto, Cavaco Silva, foi Secretário de Estado num governo de Sá Carneiro. Depois foi Primeiro Ministro em 3 governos e agora é Presidente da República. Como se não existisse mais ninguem em Portugal capaz de desempenhar esses cargos melhor do que Cavaco Silva desempenhou. O pior é que Cavaco não é caso único, pelo contrário. Nos últimos 34 anos os deputados e os membros dos sucessivos governos foram quase sempre os mesmos. Os cargos passam de pais para filhos despudoradamente como se vivessemos numa monarquia. O filho do ex-deputado do PSD Montalvão Machado, é deputado do PSD. O filho do ex-deputado do PS Carlos Candal, Afonso Candal, é deputado do PS. E não são casos únicos. Olhando para as listas de deputados de todos os partidos, fácilmente constatamos que mudaram muito pouco nas últimas decadas.

Para mudar este estado de coisas é fundamental mudar a lei. É imperioso:

1.- Limitar os mandatos de todo e qualquer cargo político/público incluíndo os dos líderes partidários a 2 mandatos (ou um máximo de 8 anos).

2.- Exigir a exclusividade absoluta para todo e qualquer cargo político/público. Qualquer cargo político/público, se levado a sério, é suficientemente absorvente para poder ser acumulado com qualquer outra actividade. Não é aceitável que cargos políticos/públicos possam ser acumulados com qualquer actividade.

3.- É fundamental proíbir que ex-políticos possam ser Presidentes da República. O Presidente da República deve ser uma personalidade respeitada da sociedade civil sem quaisquer cumplicidades políticas. Caso contrário ficamos condenados à mesma meia dúzia de protagonistas políticos com o consequente afastamento da maioria dos cidadãos Portugueses.

4.- É tambem fundamental impedir que a Assembleia da República possa ser constituída maioritáriamente por gente do Direito. A maioria esmagadora dos políticos, deputados, governantes, etc. são gente do Direito que acumula com outras actividades, nomeadamente escritórios de advogados. Tal como disse o bastonário da ordem dos advogados, isto tem de ser proíbido porque gera uma promiscuidade inaceitável entre os legisladores e os escritórios de advogados. Por outro lado, afasta a maioria dos cidadãos de outras profissões da vida política.

Se o senhor Presidente da República está a falar a sério quando diz estar preocupado com o afastamento dos jovens da política, o senhor Presidente da República deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acolher as sugestões que dei acima e torná-las em lei. Se isso acontecer, garanto-lhe que a maioria dos cidadãos se aproximará mais da política e participará na resolução dos problemas do país.

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