Alguns chamar-lhe-ão “baixa política” e o caso fica assim arrumado. Outros indignar-se-ão e o adjectivo utilizado será terceiro-mundismo. Incluo-o no lote dos segundos na classificação dos dois casos seguintes de desigualdade perante a lei, que acontecem sistematicamente porque os seus autores nunca incorrem em qualquer sanção e porque a autoridade que detecta as irregularidades é sistematicamente desautorizada. Um costume que, ao enraizar-se, convida à generalização do desprezo pela lei entre uma classe imunizada e ao aparecimento de novos casos com a mesma inconsequência. «Em época de contenção orçamental, e com a administração pública sujeita a restrições na aquisição de viaturas novas, por indicação do Decreto de Execução Orçamental para 2007, o ministro da Justiçaacaba de comprar cinco automóveis topo de gama. O negócio, sem incluir o imposto automóvel (IA), de que as instituições públicas estão isentas, rondou um valor global de quase 176 mil euros (35 mil contos) e foi por ajuste directo, sem recurso a concurso público, e sem autorização do Ministério das Finanças.» (continua)«O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, foi apanhado a conduzir em excesso de velocidade durante uma operação stop da PSP, que era acompanhada pelo governador civil de Viseu. Na Avenida da Europa, dentro da cidade, onde é proibido circular a mais de 50 km/h, Ruas foi o primeiro condutor a ser fiscalizado pelos agentes que controlavam a velocidade. O radar marcou 89 km/h.De acordo com as ordens dos agentes, Ruas encostou a viatura, um jeep da câmara. Mas, no momentoimediatamente a seguir, o governador civil de Viseu, Acácio Pinto, aproximou-se da viatura e conversou com o autarca. Pouco tempo depois, Ruas seguia viagem, sem ser identificado pelos agentes, ao contrário do que estava a acontecer com outros condutores fiscalizados noutro ponto da cidade, nomeadamente na circunvalação, junto à Universidade Católica.» (continua)
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Alguns chamar-lhe-ão “baixa política” e o caso fica assim arrumado. Outros indignar-se-ão e o adjectivo utilizado será terceiro-mundismo. Incluo-o no lote dos segundos na classificação dos dois casos seguintes de desigualdade perante a lei, que acontecem sistematicamente porque os seus autores nunca incorrem em qualquer sanção e porque a autoridade que detecta as irregularidades é sistematicamente desautorizada. Um costume que, ao enraizar-se, convida à generalização do desprezo pela lei entre uma classe imunizada e ao aparecimento de novos casos com a mesma inconsequência. «Em época de contenção orçamental, e com a administração pública sujeita a restrições na aquisição de viaturas novas, por indicação do Decreto de Execução Orçamental para 2007, o ministro da Justiçaacaba de comprar cinco automóveis topo de gama. O negócio, sem incluir o imposto automóvel (IA), de que as instituições públicas estão isentas, rondou um valor global de quase 176 mil euros (35 mil contos) e foi por ajuste directo, sem recurso a concurso público, e sem autorização do Ministério das Finanças.» (continua)«O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, foi apanhado a conduzir em excesso de velocidade durante uma operação stop da PSP, que era acompanhada pelo governador civil de Viseu. Na Avenida da Europa, dentro da cidade, onde é proibido circular a mais de 50 km/h, Ruas foi o primeiro condutor a ser fiscalizado pelos agentes que controlavam a velocidade. O radar marcou 89 km/h.De acordo com as ordens dos agentes, Ruas encostou a viatura, um jeep da câmara. Mas, no momentoimediatamente a seguir, o governador civil de Viseu, Acácio Pinto, aproximou-se da viatura e conversou com o autarca. Pouco tempo depois, Ruas seguia viagem, sem ser identificado pelos agentes, ao contrário do que estava a acontecer com outros condutores fiscalizados noutro ponto da cidade, nomeadamente na circunvalação, junto à Universidade Católica.» (continua)