PS utiliza nome de Cavaco Silva na comissão de inquérito

30-04-2010
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É o novo argumento do PS na "batalha" em que está a transformar-se a comissão parlamentar de inquérito que está a investigar o negócio PT/TVI. Foi usado pela primeira vez esta semana e chama-se Cavaco Silva, Presidente da República. Afinal, o apelo à transparência do Presidente sobre o negócio, a 25 de Junho, tem sido usado por responsáveis da PT para explicar o fracasso do projectado negócio.

O argumento foi esta semana usado por um vice-presidente da Ongoing. Rafael Mora falou no incómodo do Presidente com as notícias sobre o negócio de compra da Media Capital, que detém a TVI, pela PT. A juntar à oposição do Governo. "A oportunidade não era a melhor" para fazer o negócio, concluiu.

Mora foi ouvido na quarta-feira e no dia seguinte Soares Carneiro, ex-administrador da PT, esteve na comissão de inquérito. O argumento foi o mesmo. E aí já foi um deputado do PS, Acácio Pinto, a fazer a pergunta directamente. Ou seja, se foram as opiniões de Cavaco Silva a ajudar ao fim do negócio. Soares Carneiro anuiu: foi o "somar de dúvidas" do Parlamento, do Presidente, da opinião pública que levou a administração da PT a concluir que o "negócio a partir de certa altura se tornou inoportuno". O antigo administrador recordou a reunião do conselho de administração da empresa, a 25 de Junho, em que Henrique Granadeiro abordou o negócio de compra da Media Capital e as declarações do Presidente.

Belém em silêncio

Nesse dia, Cavaco Silva quebrou a regra de não falar em "negócios das empresas", como o próprio admitiu, para defender que, por uma "questão de transparência", seria "importante que os responsáveis da empresa expliquem o que está a acontecer entre a PT e a TVI".

No dia seguinte, o negócio caiu e foi o próprio primeiro-ministro, José Sócrates, a anunciá-lo, em declarações aos jornalistas no Parlamento, dias depois de ter garantido que nada sabia sobre o negócio. E esse é, aliás, um dos objectos do inquérito: saber se Sócrates mentiu "ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de Junho de 2009", ao dizer não ter sido informado sobre o plano.

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Deputados do PS na comissão de inquérito garantiram que não há qualquer estratégia especial para utilizar o nome do Presidente. No entanto, o pedido de esclarecimento de Cavaco Silva é visto, por deputados da oposição contactados pelo PÚBLICO, como uma forma de os socialistas corroborarem a tese de que a tentativa de negócio teve por base critérios económicos e de oportunidade.

A 10 de Março, porém, numa entrevista a Judite de Sousa, na RTP, o próprio Cavaco Silva disse não acreditar que tenham sido as suas afirmações a ditar o desfecho. "Custa-me a crer que uma declaração minha tenha determinado a decisão da PT" em não concretizar o negócio. "Com certeza que existiam outras razões para que a PT cancelasse o negócio", acrescentou, afirmando que dificilmente um negócio deste tipo poderia acontecer "sem o conhecimento prévio do Governo".

Contactada pelo PÚBLICO, a Presidência da República optou pelo silêncio sobre esta questão. Nuno Simas

É o novo argumento do PS na "batalha" em que está a transformar-se a comissão parlamentar de inquérito que está a investigar o negócio PT/TVI. Foi usado pela primeira vez esta semana e chama-se Cavaco Silva, Presidente da República. Afinal, o apelo à transparência do Presidente sobre o negócio, a 25 de Junho, tem sido usado por responsáveis da PT para explicar o fracasso do projectado negócio.

O argumento foi esta semana usado por um vice-presidente da Ongoing. Rafael Mora falou no incómodo do Presidente com as notícias sobre o negócio de compra da Media Capital, que detém a TVI, pela PT. A juntar à oposição do Governo. "A oportunidade não era a melhor" para fazer o negócio, concluiu.

Mora foi ouvido na quarta-feira e no dia seguinte Soares Carneiro, ex-administrador da PT, esteve na comissão de inquérito. O argumento foi o mesmo. E aí já foi um deputado do PS, Acácio Pinto, a fazer a pergunta directamente. Ou seja, se foram as opiniões de Cavaco Silva a ajudar ao fim do negócio. Soares Carneiro anuiu: foi o "somar de dúvidas" do Parlamento, do Presidente, da opinião pública que levou a administração da PT a concluir que o "negócio a partir de certa altura se tornou inoportuno". O antigo administrador recordou a reunião do conselho de administração da empresa, a 25 de Junho, em que Henrique Granadeiro abordou o negócio de compra da Media Capital e as declarações do Presidente.

Belém em silêncio

Nesse dia, Cavaco Silva quebrou a regra de não falar em "negócios das empresas", como o próprio admitiu, para defender que, por uma "questão de transparência", seria "importante que os responsáveis da empresa expliquem o que está a acontecer entre a PT e a TVI".

No dia seguinte, o negócio caiu e foi o próprio primeiro-ministro, José Sócrates, a anunciá-lo, em declarações aos jornalistas no Parlamento, dias depois de ter garantido que nada sabia sobre o negócio. E esse é, aliás, um dos objectos do inquérito: saber se Sócrates mentiu "ao Parlamento, na sessão plenária de 24 de Junho de 2009", ao dizer não ter sido informado sobre o plano.

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Deputados do PS na comissão de inquérito garantiram que não há qualquer estratégia especial para utilizar o nome do Presidente. No entanto, o pedido de esclarecimento de Cavaco Silva é visto, por deputados da oposição contactados pelo PÚBLICO, como uma forma de os socialistas corroborarem a tese de que a tentativa de negócio teve por base critérios económicos e de oportunidade.

A 10 de Março, porém, numa entrevista a Judite de Sousa, na RTP, o próprio Cavaco Silva disse não acreditar que tenham sido as suas afirmações a ditar o desfecho. "Custa-me a crer que uma declaração minha tenha determinado a decisão da PT" em não concretizar o negócio. "Com certeza que existiam outras razões para que a PT cancelasse o negócio", acrescentou, afirmando que dificilmente um negócio deste tipo poderia acontecer "sem o conhecimento prévio do Governo".

Contactada pelo PÚBLICO, a Presidência da República optou pelo silêncio sobre esta questão. Nuno Simas

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