Programa Vallia

20-06-2010
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Projecto quer populações do Alentejo como "guardiões"

Quatro das oito áreas prioritárias de intervenção para a espécie, definidas no Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico, estão no Alentejo: Nisa, São Mamede, Moura/Barrancos e Guadiana. As populações que vivem nestas zonas de habitat potencial para a espécie, serão o garante da sobrevivência do felino. Para "conquistá-las", começou a 1 de Setembro do ano passado o projecto Vallia, co-financiado pelo programa InAlentejo. Ao lado do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) estão a Associação de Defesa do Património de Mértola, a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e o apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Durante 24 meses, a ideia será promover a intervenção no terreno e chegar às populações, explicou Lurdes Carvalho, coordenadora do plano de acção para a conservação do lince em Portugal.

"Um dos aspectos mais positivos do programa é falar com as pessoas, ouvir as suas dúvidas e preocupações", comentou Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

No âmbito do programa Vallia, foram realizados workshops para "debater experiências" e na semana passada 50 pessoas - entre agricultores, caçadores e técnicos - visitaram duas propriedades agrícolas em Espanha onde existem linces. António Rosado, gestor da Associação de Jovens Agricultores de Moura (AJAM), também foi. "Vimos excrementos e pegadas de lince, vimos câmaras fotográficas para captar imagens do animal, vimos veados e outras espécies. Vimos o que isto [Moura/Barrancos] poderia ser e gostámos", contou.António Rosado salienta que, "sem os agricultores, todos os esforços serão efémeros ou nem chegarão a funcionar", porque "os projectos de conservação duram apenas alguns anos e depois acabam". "Durante muito tempo, não houve ligação entre as populações e os conservacionistas. Agora estamos com um espírito construtivo, porque consideramos que estão a ser feitos esforços para dar a entender que, sem a participação activa dos agricultores, isto não funciona". Tito Rosa sublinha a importância de "mobilizar as pessoas", especialmente agricultores e caçadores. "São eles os melhores intérpretes daquilo que tem de ser feito, do que tem de ser corrigido. O diálogo só institucional não chega". O presidente do ICNB lembra que o lince pode ser um aliado para os caçadores, actuando como controlo de predadores intermédios como a raposa ou o saca-rabos. António Rosado concorda. "Estima-se que um lince pode tirar do cenário quatro raposas. É tudo compatível, o que é preciso é agir com inteligência".

E ainda há muito por fazer. "Teoricamente, já há esforços; mas, na prática, não. Ainda não se começou a fazer algo forte", alertou António Rosado. Segundo este agricultor, a maioria das populações locais ainda não está convencida de que quem quer conservar o lince vem por bem. "Ainda há muitos a dizer: "Não tragam para cá os linces"", lamenta.

Projecto quer populações do Alentejo como "guardiões"

Quatro das oito áreas prioritárias de intervenção para a espécie, definidas no Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico, estão no Alentejo: Nisa, São Mamede, Moura/Barrancos e Guadiana. As populações que vivem nestas zonas de habitat potencial para a espécie, serão o garante da sobrevivência do felino. Para "conquistá-las", começou a 1 de Setembro do ano passado o projecto Vallia, co-financiado pelo programa InAlentejo. Ao lado do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) estão a Associação de Defesa do Património de Mértola, a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e o apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Durante 24 meses, a ideia será promover a intervenção no terreno e chegar às populações, explicou Lurdes Carvalho, coordenadora do plano de acção para a conservação do lince em Portugal.

"Um dos aspectos mais positivos do programa é falar com as pessoas, ouvir as suas dúvidas e preocupações", comentou Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

No âmbito do programa Vallia, foram realizados workshops para "debater experiências" e na semana passada 50 pessoas - entre agricultores, caçadores e técnicos - visitaram duas propriedades agrícolas em Espanha onde existem linces. António Rosado, gestor da Associação de Jovens Agricultores de Moura (AJAM), também foi. "Vimos excrementos e pegadas de lince, vimos câmaras fotográficas para captar imagens do animal, vimos veados e outras espécies. Vimos o que isto [Moura/Barrancos] poderia ser e gostámos", contou.António Rosado salienta que, "sem os agricultores, todos os esforços serão efémeros ou nem chegarão a funcionar", porque "os projectos de conservação duram apenas alguns anos e depois acabam". "Durante muito tempo, não houve ligação entre as populações e os conservacionistas. Agora estamos com um espírito construtivo, porque consideramos que estão a ser feitos esforços para dar a entender que, sem a participação activa dos agricultores, isto não funciona". Tito Rosa sublinha a importância de "mobilizar as pessoas", especialmente agricultores e caçadores. "São eles os melhores intérpretes daquilo que tem de ser feito, do que tem de ser corrigido. O diálogo só institucional não chega". O presidente do ICNB lembra que o lince pode ser um aliado para os caçadores, actuando como controlo de predadores intermédios como a raposa ou o saca-rabos. António Rosado concorda. "Estima-se que um lince pode tirar do cenário quatro raposas. É tudo compatível, o que é preciso é agir com inteligência".

E ainda há muito por fazer. "Teoricamente, já há esforços; mas, na prática, não. Ainda não se começou a fazer algo forte", alertou António Rosado. Segundo este agricultor, a maioria das populações locais ainda não está convencida de que quem quer conservar o lince vem por bem. "Ainda há muitos a dizer: "Não tragam para cá os linces"", lamenta.

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