PSD. Os “barões que preferem lutas de vão de escada” acabarão “penalizados”

11-08-2017
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Sérgio Azevedo admite “fundo de verdade” que “parte do PSD já só pensa em arredar Passos. Carlos Abreu Amorim diz que “o partido focou todas as atenções” nas autárquicas

Fernando Costa disse o que a maioria pensa e alguns já vinham dizendo. O candidato à Câmara Municipal de Leiria pelo PSD, que de passista tem pouco, acusou alguns barões do partido de estarem a “tentar que o PSD tenha um mau resultado nas autárquicas para mais facilmente concorrem contra Passos Coelho”.

Os passistas, por sua vez, não desmentem e atiram de volta ao mesmo alvo. Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar ‘laranja’, diz ao i que o partido “nunca perdoaria que barões, condes, duques, ou marqueses tentassem prejudicar resultados eleitorais do PSD”. Para o deputado do PSD, o cenário é evidente: “Hoje, há uma clara separação de águas: o partido focou todas as energias nas eleições autárquicas. Se há barões que preferem lutas de vão de escada ao interesse do partido, não tenho dúvidas que serão penalizados pelos militantes e simpatizantes do PSD”.

“Fundo de verdade” Sérgio Azevedo, outro dos vices da bancada social-democrata, admite que, “em certa medida”, há “um fundo de verdade quando se ouve – quer em comentário, quer em opinião – que uma parte do PSD já só pensa em arredar Passos da liderança do partido, querendo para isso prejudicar ao máximo o partido nas eleições autárquicas”.

Sobre os críticos comentadores, Azevedo ironiza: “No fundo eles sabem bem o que andam a fazer. E nós também”.

Luís Marques Mendes, crítico e comentador, havia coincidentemente dito na sua rubrica semanal televisiva que o PSD já só tem uma coisa na cabeça: “a disputa pela liderança que vai acontecer a seguir às autárquicas”.

Em abril deste ano, em entrevista a este jornal numa retrospetiva ao processo de preparação para as eleições locais, Carlos Carreiras havia disparado contra os comentários de Marques Mendes: “Vejo também comentários na televisão aos domingos de alguém que foi o maior responsável pela entrega da câmara ao Partido Socialista, do pior resultado de sempre que o PSD teve em Lisboa”.

Intenções lisboetas Questionado sobre a eventual influência de críticos de Passos na perturbação do processo autárquico em Lisboa, Carreiras, que foi o coordenador nacional do processo, ironizava: “Como dizem os nossos amigos brasileiros: meta muito nisso”.

Luís Newton, dirigente da concelhia da capital que viu uma fação rebelar-se contra Passos Coelho, também saiu em defesa do presidente do partido nesse mês: “Não se pode virar para o presidente do partido e dizer-lhe: ‘Olhe, seja candidato’. Se dizemos às pessoas que um presidente de câmara é alguém para cumprir mandato, como é que convidamos alguém que daí a dois anos é candidato a primeiro-ministro? Isso não é ser sério com os lisboetas, não é ser sério com o presidente do partido ou não é querer que ele seja candidato a primeiro-ministro”.

Em consequência da turbulência relatada na concelhia de Lisboa, o seu líder, Mauro Xavier demitiu-se antes do verão em rotura aberta com a direção nacional do partido. O seu vice e hoje líder interino, Rodrigo Gonçalves, apoiou Morais Sarmento contra Pedro Pinto, próximo de Passos, na eleição para a distrital no mês passado.

Porto, sem stress Distante da turbulência lisboeta, está o candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto, Álvaro Almeida. Ouvido pelo i, o independente salienta: “Aqui no Porto temos tido o apoio de muita gente de várias fações, muitos putativos candidatos [a líder do PSD], e não sinto que haja intenções focadas na vida interna do partido”.

Álvaro Almeida teve Passos e Rui Rio sentados, lado a lado, na primeira fila da apresentação da sua candidatura; no boletim de voto, como candidato a presidente da Assembleia Municipal, terá consigo Pedro Duarte – que tem tanto de ‘passista’ quanto Rui Rio.

“Como não sou militante, as questões da vida interna do partido passam-me ao lado”, assumiu o candidato dos sociais-democratas no Porto.

Autárquicas? Não vale... Desde o congresso de Espinho, em 2016, que viu Passos Coelho reeleito líder do PSD com mais de 95% dos votos dos delegados presentes, que figuras de proa do partido mantêm as consequências do resultado nas autárquicas longe da liderança do partido.

Teresa Morais, vice-presidente da comissão política nacional defendeu que “uma derrota do PSD nas autárquicas não pode nem deve traduzir-se na saída de Passos”, não estando sequer “convencida” que a derrota venha acontecer. Passos Coelho afirmou mesmo que “nunca” se “demitiria de presidente do PSD por causa de um resultado autárquico”.

Luís Montenegro, que recentemente abandonou a presidência do grupo parlamentar por ter chegado ao limite estatutário de mandatos, também afinou pelo mesmo diapasão ao afirmar. “Pessoalmente, sou dos que sempre sustentaram - e não mudei de opinião - que as eleições autárquicas não devem desembocar em leituras políticas nacionais e muito menos em julgamentos de lideranças partidárias”, avaliou Montenegro, que acredita que “o partido tomou a decisão de ele [Passos] ser o candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições”. Ainda não viu foi o resultado.

Sérgio Azevedo admite “fundo de verdade” que “parte do PSD já só pensa em arredar Passos. Carlos Abreu Amorim diz que “o partido focou todas as atenções” nas autárquicas

Fernando Costa disse o que a maioria pensa e alguns já vinham dizendo. O candidato à Câmara Municipal de Leiria pelo PSD, que de passista tem pouco, acusou alguns barões do partido de estarem a “tentar que o PSD tenha um mau resultado nas autárquicas para mais facilmente concorrem contra Passos Coelho”.

Os passistas, por sua vez, não desmentem e atiram de volta ao mesmo alvo. Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar ‘laranja’, diz ao i que o partido “nunca perdoaria que barões, condes, duques, ou marqueses tentassem prejudicar resultados eleitorais do PSD”. Para o deputado do PSD, o cenário é evidente: “Hoje, há uma clara separação de águas: o partido focou todas as energias nas eleições autárquicas. Se há barões que preferem lutas de vão de escada ao interesse do partido, não tenho dúvidas que serão penalizados pelos militantes e simpatizantes do PSD”.

“Fundo de verdade” Sérgio Azevedo, outro dos vices da bancada social-democrata, admite que, “em certa medida”, há “um fundo de verdade quando se ouve – quer em comentário, quer em opinião – que uma parte do PSD já só pensa em arredar Passos da liderança do partido, querendo para isso prejudicar ao máximo o partido nas eleições autárquicas”.

Sobre os críticos comentadores, Azevedo ironiza: “No fundo eles sabem bem o que andam a fazer. E nós também”.

Luís Marques Mendes, crítico e comentador, havia coincidentemente dito na sua rubrica semanal televisiva que o PSD já só tem uma coisa na cabeça: “a disputa pela liderança que vai acontecer a seguir às autárquicas”.

Em abril deste ano, em entrevista a este jornal numa retrospetiva ao processo de preparação para as eleições locais, Carlos Carreiras havia disparado contra os comentários de Marques Mendes: “Vejo também comentários na televisão aos domingos de alguém que foi o maior responsável pela entrega da câmara ao Partido Socialista, do pior resultado de sempre que o PSD teve em Lisboa”.

Intenções lisboetas Questionado sobre a eventual influência de críticos de Passos na perturbação do processo autárquico em Lisboa, Carreiras, que foi o coordenador nacional do processo, ironizava: “Como dizem os nossos amigos brasileiros: meta muito nisso”.

Luís Newton, dirigente da concelhia da capital que viu uma fação rebelar-se contra Passos Coelho, também saiu em defesa do presidente do partido nesse mês: “Não se pode virar para o presidente do partido e dizer-lhe: ‘Olhe, seja candidato’. Se dizemos às pessoas que um presidente de câmara é alguém para cumprir mandato, como é que convidamos alguém que daí a dois anos é candidato a primeiro-ministro? Isso não é ser sério com os lisboetas, não é ser sério com o presidente do partido ou não é querer que ele seja candidato a primeiro-ministro”.

Em consequência da turbulência relatada na concelhia de Lisboa, o seu líder, Mauro Xavier demitiu-se antes do verão em rotura aberta com a direção nacional do partido. O seu vice e hoje líder interino, Rodrigo Gonçalves, apoiou Morais Sarmento contra Pedro Pinto, próximo de Passos, na eleição para a distrital no mês passado.

Porto, sem stress Distante da turbulência lisboeta, está o candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto, Álvaro Almeida. Ouvido pelo i, o independente salienta: “Aqui no Porto temos tido o apoio de muita gente de várias fações, muitos putativos candidatos [a líder do PSD], e não sinto que haja intenções focadas na vida interna do partido”.

Álvaro Almeida teve Passos e Rui Rio sentados, lado a lado, na primeira fila da apresentação da sua candidatura; no boletim de voto, como candidato a presidente da Assembleia Municipal, terá consigo Pedro Duarte – que tem tanto de ‘passista’ quanto Rui Rio.

“Como não sou militante, as questões da vida interna do partido passam-me ao lado”, assumiu o candidato dos sociais-democratas no Porto.

Autárquicas? Não vale... Desde o congresso de Espinho, em 2016, que viu Passos Coelho reeleito líder do PSD com mais de 95% dos votos dos delegados presentes, que figuras de proa do partido mantêm as consequências do resultado nas autárquicas longe da liderança do partido.

Teresa Morais, vice-presidente da comissão política nacional defendeu que “uma derrota do PSD nas autárquicas não pode nem deve traduzir-se na saída de Passos”, não estando sequer “convencida” que a derrota venha acontecer. Passos Coelho afirmou mesmo que “nunca” se “demitiria de presidente do PSD por causa de um resultado autárquico”.

Luís Montenegro, que recentemente abandonou a presidência do grupo parlamentar por ter chegado ao limite estatutário de mandatos, também afinou pelo mesmo diapasão ao afirmar. “Pessoalmente, sou dos que sempre sustentaram - e não mudei de opinião - que as eleições autárquicas não devem desembocar em leituras políticas nacionais e muito menos em julgamentos de lideranças partidárias”, avaliou Montenegro, que acredita que “o partido tomou a decisão de ele [Passos] ser o candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições”. Ainda não viu foi o resultado.

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