CGD: Auditoria "podia ter sido feita há 5 anos"

02-02-2019
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"Aquilo que está a ser feito agora relativamente à Caixa [Geral de Depósitos] podia ter sido feito há cinco anos, perfeitamente. Já há cinco anos, e durante o tempo da 'troika', se sabia que a Caixa tinha imparidades registadas", disse Rui Riso em resposta aos jornalistas, durante a cerimónia de assinatura do protocolo de unificação de sindicatos do setor financeiro, que decorreu hoje na sede da UGT, em Lisboa.

O dirigente sindical destacou que "o que resta saber é quais foram as motivações que conduziram as pessoas a tomar um determinado tipo de decisões. E é isso que tem de ser avaliado e que têm de ser as pessoas responsabilizadas civilmente, se houver responsabilidades nesta matéria".

Relativamente à prescrição de eventuais crimes detetados pela auditoria, Rui Riso insistiu na necessidade de ter existido atuação prévia.

"Se calhar teria sido melhor há cinco anos as pessoas terem determinado a auditoria", disse o sindicalista, já que os eventuais delitos "estavam mais perto do que se tinha feito, e aí não havia risco de prescrição."

"Entenderam não fazer [a auditoria] e agora criticam porque é tarde demais", afirmou.

Questionado pelos jornalistas se essa crítica está relacionada com partilha de responsabilidade política com o anterior governo (PSD-CDS), o também deputado do PS respondeu que "nem precisava" de mencionar essa ideia, e que o atual Governo "não deve ser censurado" por estar a atuar no momento presente.

Rui Riso alertou ainda para os danos que um processo como o da auditoria pode causar à "confiança" nas instituições bancárias.

"Esta permanência de que as coisas estão mal geridas ou mal acompanhadas dá um desgaste muito grande às organizações", disse.

Na passada semana foi conhecida uma versão preliminar de uma auditoria independente da EY sobre a gestão do banco público entre 2000 e 2015, com data de dezembro de 2017, que refere que os administradores receberam "remuneração variável" e "voto de confiança", mesmo com resultados negativos.

A auditoria aponta "importantes insuficiências" organizacionais que poderão ter contribuído para decisões pouco fundamentadas na concessão de crédito e detetou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e perdas, só nestas, de mais de 1.000 milhões de euros.

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