Yanis Varoufakis não tem elogios para Mário Centeno. Com a sua eleição para a liderança do Eurogrupo, “nada mudou”, disse o ex-ministro grego e líder do movimento pan-europeu DiEM25, em entrevista ao “Público” esta quinta-feira.
“O fantasma de Wolfgang Schäuble ainda dita a política. É uma tragédia para o Eurogrupo. O vosso ministro das Finanças é um homem bom, mas no momento que aceitou a presidência do Eurogrupo tornou-se um instrumento do Eurogrupo e não o seu contrário. [Olaf] Scholz vem do SPD [Partido Social-Democrata alemão] mas teve de jurar aliança ao programa de Schäuble. Talvez acredite nele, talvez não. Mas vai cumpri-lo”, atirou.
Varoufakis, que esteve em Portugal para as comemorações do 25 de abril, teve recentemente um desentendimento com o ministro das Finanças português, depois deste ter dado os parabéns à Grécia pelos resultados conseguidos em 2017.
“Ele disse que ficava contente com o crescimento da Grécia e que deveríamos fazer mais em termos de aplicação do pacote do memorando para fazer este crescimento continuar. Isto é, de um modo fascinante e preciso, errado. Primeiro: não há crescimento. Todos os anos na Grécia se celebra o crescimento e há estatísticas que o mostram, e depois no abril do ano seguinte surge a correção da estatística e vê-se que não houve crescimento. Não há”, disse.
Para o grego, “celebrar um crescimento que não existiu é tornar a situação ainda pior”. Ainda por cima, declarações vindas de “um ministro das Finanças que nunca seria ministro das Finanças se o povo da Grécia não tivesse lutado contra aquelas chamadas reformas na primavera de 2015”, afirmou.
“A única razão pela qual este Governo foi permitido foi porque a Alemanha já tinha sofrido uma perda significativa de capital político. Por isso o Governo de esquerda – ainda bem que o têm –tem uma dívida de gratidão para com aqueles que, como nós, lutámos contra as chamadas reformas que o vosso ministro das Finanças nos está a pedir para engolir. E qual foi o sucesso do vosso ministro aqui? Vocês conseguiram, por causa da nossa luta – e isso é bom, nós queremos colaborar – impedir nova austeridade, que foi tudo aquilo porque eu lutei, e não consegui, e a austeridade continuou, e a recessão continuou”, disse.
Segundo Varoufakis, Cavaco Silva pediu a luz verde do Governo de Berlim para dar posse a António Costa. “Ele não queria dar posse a este Governo, mas Merkel não podia ser vista a esmagar dois eleitorados em sucessão”, acusou.
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Yanis Varoufakis não tem elogios para Mário Centeno. Com a sua eleição para a liderança do Eurogrupo, “nada mudou”, disse o ex-ministro grego e líder do movimento pan-europeu DiEM25, em entrevista ao “Público” esta quinta-feira.
“O fantasma de Wolfgang Schäuble ainda dita a política. É uma tragédia para o Eurogrupo. O vosso ministro das Finanças é um homem bom, mas no momento que aceitou a presidência do Eurogrupo tornou-se um instrumento do Eurogrupo e não o seu contrário. [Olaf] Scholz vem do SPD [Partido Social-Democrata alemão] mas teve de jurar aliança ao programa de Schäuble. Talvez acredite nele, talvez não. Mas vai cumpri-lo”, atirou.
Varoufakis, que esteve em Portugal para as comemorações do 25 de abril, teve recentemente um desentendimento com o ministro das Finanças português, depois deste ter dado os parabéns à Grécia pelos resultados conseguidos em 2017.
“Ele disse que ficava contente com o crescimento da Grécia e que deveríamos fazer mais em termos de aplicação do pacote do memorando para fazer este crescimento continuar. Isto é, de um modo fascinante e preciso, errado. Primeiro: não há crescimento. Todos os anos na Grécia se celebra o crescimento e há estatísticas que o mostram, e depois no abril do ano seguinte surge a correção da estatística e vê-se que não houve crescimento. Não há”, disse.
Para o grego, “celebrar um crescimento que não existiu é tornar a situação ainda pior”. Ainda por cima, declarações vindas de “um ministro das Finanças que nunca seria ministro das Finanças se o povo da Grécia não tivesse lutado contra aquelas chamadas reformas na primavera de 2015”, afirmou.
“A única razão pela qual este Governo foi permitido foi porque a Alemanha já tinha sofrido uma perda significativa de capital político. Por isso o Governo de esquerda – ainda bem que o têm –tem uma dívida de gratidão para com aqueles que, como nós, lutámos contra as chamadas reformas que o vosso ministro das Finanças nos está a pedir para engolir. E qual foi o sucesso do vosso ministro aqui? Vocês conseguiram, por causa da nossa luta – e isso é bom, nós queremos colaborar – impedir nova austeridade, que foi tudo aquilo porque eu lutei, e não consegui, e a austeridade continuou, e a recessão continuou”, disse.
Segundo Varoufakis, Cavaco Silva pediu a luz verde do Governo de Berlim para dar posse a António Costa. “Ele não queria dar posse a este Governo, mas Merkel não podia ser vista a esmagar dois eleitorados em sucessão”, acusou.