Quanto mais a sondagem mexe, mais força tem o PS. A última sondagem SIC//Expresso, que dá Pedro Marques confortavelmente à frente de Paulo Rangel, foi um tónico importante na campanha do cabeça de lista do PS às europeias, que, em bom rigor, já vinha em crescendo nos últimos dias. Respira-se confiança na caravana socialista, mas António Costa vai deixando o aviso: “As sondagens dão um grande resultado ao PS. Mas não se ganham eleições nas sondagens, ganham-se nas urnas”. É o ‘vamos pensar jogo a jogo’ aplicado na perfeição à política.
Num almoço-comício animado pelo vinho do Douro, os rojões e o rancho à moda minhota, o líder socialista, benfiquista ferrenho, não fugiu ao tema que domina todas as conversas: o desfecho do campeonato de futebol: “Como no campeonato, estas eleições decidem-se até ao último minuto. Vamos ter de jogar minuto a minuto, sem deitar a toalha ao chão e sem nos deslumbrarmos com os resultados da sondagem. É isso que vamos ter de fazer durante a próxima semana. Lutar até ao último segundo pela vitória”, insistiu o primeiro-ministro.
A bola já está na marca de penálti, mas é preciso fazê-la dançar nas redes. Daí, a insistência de António Costa na diferenciação entre Pedro Marques e Paulo Rangel, o “candidato do passado, com o programa do passado”, que “fala, fala, fala...” e não faz nada.
Passos é o ‘chutar com o pé que está mais à mão’
E por falar em passado, lá chegou à campanha socialista o ‘papão Passos’. Miguel Alves, presidente de Caminha e líder da Federação do PS do Alto Minho, agitou-o uma vez. Pedro Marques duas. “Passos Coelho já fez uma aparição para dizer que isto é tudo um engano e que as contas de Mário Centeno são um engano. Agora, vai voltar daqui a dois dias [Passos estará ao lado de Rangel, na segunda-feira, em Cascais]”, anunciou o socialista.
Se, para o PS, Passos representa o belzebu, então é preciso afastar o diabo e convencer os fiéis a fugir do pecado. E lá vieram as referências aos cortes nas pensões, salários e feriados, assim como ao “enorme aumento de impostos” de Vítor Gaspar. As eleições são sobre “o futuro” (disse-o hoje mesmo António Costa), mas o passado às vezes é o ‘pé que está mais à mão’. “As próximas eleições são, por isso, uma escolha clara: queremos a Europa dos nossos sonhos ou queremos a Europa dos cortes e das sanções da direita”, dramatizou o cabeça de lista.
Pedro Marques está bem e isso nota-se. Esta manhã, bem no centro de Viana do Castelo, acompanhado por Tiago Brandão Rodrigues (o sexto membro do Governo a vir a jogo) Marques apareceu mais solto: brincou, conversou, beijou, abraçou, provou salpicão, arriscou o inglês (“spread the word, we want you in the EU”), o francês (“vous allez voter”) e o minhoto. “Ai, que saudades deles nessa idade”, disse quando se cruzou com mulher e filho de pouco mais um ano. “Olhe, faça outro!”, ouviu de volta. O Alto Minho nunca desilude.
A campanha corre sobre rodas e a equipa do socialista quer consolidar a imagem de um candidato sóbrio, que não cede ao popularucho. O jogo do politicamente correto mantém-se: os jornalistas perguntam pelas sondagens, o candidato responde que a “única sondagem que interessa é a de 26 de maio”. “Continuamos confiantes, o ritmo é o mesmo e o principal adversário é abstenção. É preciso ir votar, todos os votos contam”, repete, quase autómato, como aqueles jogadores que vão à flash interview depois de uma goleada de 4-0. Entre socialistas, o receio é que os números agora divulgados dêem em excesso de confiança e desmobilizem a equipa. Mas, por muito que jurem que não, é para todos evidente que o PS espera uma grande vitória a 26 de maio. E, a acreditar sobretudo na evolução da tendência de voto, desta vez não existirá um Kelvin aos 92.
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Quanto mais a sondagem mexe, mais força tem o PS. A última sondagem SIC//Expresso, que dá Pedro Marques confortavelmente à frente de Paulo Rangel, foi um tónico importante na campanha do cabeça de lista do PS às europeias, que, em bom rigor, já vinha em crescendo nos últimos dias. Respira-se confiança na caravana socialista, mas António Costa vai deixando o aviso: “As sondagens dão um grande resultado ao PS. Mas não se ganham eleições nas sondagens, ganham-se nas urnas”. É o ‘vamos pensar jogo a jogo’ aplicado na perfeição à política.
Num almoço-comício animado pelo vinho do Douro, os rojões e o rancho à moda minhota, o líder socialista, benfiquista ferrenho, não fugiu ao tema que domina todas as conversas: o desfecho do campeonato de futebol: “Como no campeonato, estas eleições decidem-se até ao último minuto. Vamos ter de jogar minuto a minuto, sem deitar a toalha ao chão e sem nos deslumbrarmos com os resultados da sondagem. É isso que vamos ter de fazer durante a próxima semana. Lutar até ao último segundo pela vitória”, insistiu o primeiro-ministro.
A bola já está na marca de penálti, mas é preciso fazê-la dançar nas redes. Daí, a insistência de António Costa na diferenciação entre Pedro Marques e Paulo Rangel, o “candidato do passado, com o programa do passado”, que “fala, fala, fala...” e não faz nada.
Passos é o ‘chutar com o pé que está mais à mão’
E por falar em passado, lá chegou à campanha socialista o ‘papão Passos’. Miguel Alves, presidente de Caminha e líder da Federação do PS do Alto Minho, agitou-o uma vez. Pedro Marques duas. “Passos Coelho já fez uma aparição para dizer que isto é tudo um engano e que as contas de Mário Centeno são um engano. Agora, vai voltar daqui a dois dias [Passos estará ao lado de Rangel, na segunda-feira, em Cascais]”, anunciou o socialista.
Se, para o PS, Passos representa o belzebu, então é preciso afastar o diabo e convencer os fiéis a fugir do pecado. E lá vieram as referências aos cortes nas pensões, salários e feriados, assim como ao “enorme aumento de impostos” de Vítor Gaspar. As eleições são sobre “o futuro” (disse-o hoje mesmo António Costa), mas o passado às vezes é o ‘pé que está mais à mão’. “As próximas eleições são, por isso, uma escolha clara: queremos a Europa dos nossos sonhos ou queremos a Europa dos cortes e das sanções da direita”, dramatizou o cabeça de lista.
Pedro Marques está bem e isso nota-se. Esta manhã, bem no centro de Viana do Castelo, acompanhado por Tiago Brandão Rodrigues (o sexto membro do Governo a vir a jogo) Marques apareceu mais solto: brincou, conversou, beijou, abraçou, provou salpicão, arriscou o inglês (“spread the word, we want you in the EU”), o francês (“vous allez voter”) e o minhoto. “Ai, que saudades deles nessa idade”, disse quando se cruzou com mulher e filho de pouco mais um ano. “Olhe, faça outro!”, ouviu de volta. O Alto Minho nunca desilude.
A campanha corre sobre rodas e a equipa do socialista quer consolidar a imagem de um candidato sóbrio, que não cede ao popularucho. O jogo do politicamente correto mantém-se: os jornalistas perguntam pelas sondagens, o candidato responde que a “única sondagem que interessa é a de 26 de maio”. “Continuamos confiantes, o ritmo é o mesmo e o principal adversário é abstenção. É preciso ir votar, todos os votos contam”, repete, quase autómato, como aqueles jogadores que vão à flash interview depois de uma goleada de 4-0. Entre socialistas, o receio é que os números agora divulgados dêem em excesso de confiança e desmobilizem a equipa. Mas, por muito que jurem que não, é para todos evidente que o PS espera uma grande vitória a 26 de maio. E, a acreditar sobretudo na evolução da tendência de voto, desta vez não existirá um Kelvin aos 92.