o que é “refundar a direita”?

24-03-2019
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Por mim, é dar consistência axiológica e política ao espaço eleitoral que não seja necessariamente socialista. Não significa que esse espaço não seja, ou tenha sido, ou continue a ser circunstancialmente socialista, ou que não se tenha subsumido, durante décadas, a um pragmatismo de conquista e manutenção de poder(es) inteiramente desprovido de qualquer valoração ideológica, que resultou, como invariavelmente resultará sempre, em exercícios de governos estéreis e praticamente indistintos daqueles que se diziam combater. Pelo contrário, é exactamente por as coisas, no espaço dito não socialista, terem quase sempre sido assim, e evidenciarem uma elevada probabilidade de assim continuarem a ser, que se torna necessário contribuir para que possam vir a ser diferentes. O Miguel Morgado percebeu isso. E percebeu, também, que não basta juntar votos e deputados nos soi-disant partidos da direita para que um futuro governo que dela venha a sair possa mudar Portugal. É verdade que se torna necessário eleger, pelo menos, cento e quinze deputados mais um, mas é necessário muito mais do que isso: é preciso que esses deputados, e os futuros membros de um governo por eles apoiado, tenham bem claro o que farão com o poder que eventualmente lhes venha a ser confiado. Em 1979, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa perceberam que era urgente colocar o país no espaço das democracias liberais europeias e ocidentais, e expurgar da Constituição o terceiro-mundismo socialista de leste que lá tinha sido deixado em tempos difíceis da revolução. Hoje, há que demonstrar aos portugueses que Portugal não pode continuar a ser um estado sem país e que este não se faz com um estado omnipresente e asfixiante. A ideia de criar um movimento que contribua para realização desse objectivo, ainda por cima inspirado nessa ideia luminosa que foi a criação da AD de 1979, não podia deixar de me entusiasmar. Foi por isso que aceitei, com gosto, o convite que o Miguel Morgado me dirigiu para integrar o grupo dos fundadores, apesar de estar bem ciente do limitado contributo que lhe poderei prestar.

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Por mim, é dar consistência axiológica e política ao espaço eleitoral que não seja necessariamente socialista. Não significa que esse espaço não seja, ou tenha sido, ou continue a ser circunstancialmente socialista, ou que não se tenha subsumido, durante décadas, a um pragmatismo de conquista e manutenção de poder(es) inteiramente desprovido de qualquer valoração ideológica, que resultou, como invariavelmente resultará sempre, em exercícios de governos estéreis e praticamente indistintos daqueles que se diziam combater. Pelo contrário, é exactamente por as coisas, no espaço dito não socialista, terem quase sempre sido assim, e evidenciarem uma elevada probabilidade de assim continuarem a ser, que se torna necessário contribuir para que possam vir a ser diferentes. O Miguel Morgado percebeu isso. E percebeu, também, que não basta juntar votos e deputados nos soi-disant partidos da direita para que um futuro governo que dela venha a sair possa mudar Portugal. É verdade que se torna necessário eleger, pelo menos, cento e quinze deputados mais um, mas é necessário muito mais do que isso: é preciso que esses deputados, e os futuros membros de um governo por eles apoiado, tenham bem claro o que farão com o poder que eventualmente lhes venha a ser confiado. Em 1979, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa perceberam que era urgente colocar o país no espaço das democracias liberais europeias e ocidentais, e expurgar da Constituição o terceiro-mundismo socialista de leste que lá tinha sido deixado em tempos difíceis da revolução. Hoje, há que demonstrar aos portugueses que Portugal não pode continuar a ser um estado sem país e que este não se faz com um estado omnipresente e asfixiante. A ideia de criar um movimento que contribua para realização desse objectivo, ainda por cima inspirado nessa ideia luminosa que foi a criação da AD de 1979, não podia deixar de me entusiasmar. Foi por isso que aceitei, com gosto, o convite que o Miguel Morgado me dirigiu para integrar o grupo dos fundadores, apesar de estar bem ciente do limitado contributo que lhe poderei prestar.

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