Passos: “O facto de não me recandidatar não significa que me vá calar para sempre”

24-10-2017
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“Sou muito obstinado nas minhas convicções mas não em relação lugares", disse Pedro Passos Coelho no discurso com que justificou, esta terça-feira à noite, a decisão de não se candidatar a um novo mandato como presidente do PSD. Falando na abertura do Conselho Nacional marcado para analisar os resultados das eleições autárquicas, uma intervenção excecionalmente aberta à comunicação social, Passos explicou que, se ficasse - e garantiu que teria apoios para se recandidatar e ganhar - isso não resolveria "o principal problema": "Se eu permanecesse vitorioso como líder do PSD, em vez de estar a construir uma alternativa ao governo, estaria em permanência a combater o preconceito e a ideia feita de estar agarrado poder no partido".

Na sua intervenção, de quase meia hora, Passos Coelho apresentou sempre a sua decisão, não como a consequência do esgotamento da sua liderança ou de erros cometidos, mas como a melhor forma de preservar o partido. "Na avaliação das circunstâncias políticas na sequência deste resultado, a afirmação da nova liderança do PSD terá melhores possibilidades de progressão e sucesso do que uma que eu pudesse encabeçar."

José Carlos Carvalho

"Ficar - disse Passos - seria oferecer com facilidade a caricatura de que estamos agarrados ao poder interno, eventualmente explorando a gratidão junto dos militantes pelas lutas e pelos resultados passados. (...) Estaríamos a resistir às coisas em vez de estarmos a construir", constatou. "Ficaríamos ainda mais à mercê da injustíssima acusação de que estaríamos, afinal, agarrados ao passado e a resistir à erosão do tempo."

A conclusão da reflexão feita por Passos foi "a decisão que faz sentido": "Nestas circunstâncias do país, os resultados autárquicos indicam que temos de encontrar um caminho diferente para o futuro".

"A nossa ação política precisa de ser ambiciosa, o país precisa dela, e eu não estou em condições de oferecer essa perspetiva ao PSD", reconheceu Passos.

Apesar de sair de cena, Passos deixou uma garantia que lhe mereceu o primeiro aplauso da noite, quando já falava há vinte minutos: "O facto de não me recandidatar não significa que me vá calar para sempre". Ao que acrescentou: "Não ficarei cá a rondar nem a assombrar."

Surpreendido com resultado "mau e pesado"

Na análise que fez dos números de domingo, Passos começou por confessar a sua "surpresa com o resultado das eleições". "Confesso que não foi um resultado que eu esperasse." Apesar disso, Passos temperou o choque: "Pode, dois dias depois, não parecer para o PSD tao pesado quanto se afigurou no domingo à noite. Pode achar-se que, tendo igualado o número de votos de 2013, possa não ter sido tão mau quanto se pintou". Lembrou até que o PCP caiu muito mais ("foram praticamente varridos") e o CDS "não terá tido um resultado tão ambicioso quanto se procurou pintar" (apesar de ter feito vénia ao resultado de Cristas em Lisboa). Mas "isso é um problema deles", concluiu. O resultado do PSD "foi pesado e isso é iniludível". "Foi mau e foi pesado", insistiu.

Apesar de ser um resultado feito de muitas eleições locais, "tem leitura e significado nacional", e por isso "estes resultados também responsabilizam e penalizam a direção Nacional".

José carlos carvalho

Perante uma plateia onde se destacavam Luís Montenegro, Hugo Soares e Paulo Rangel, Passos destacou estes dois como peças essenciais no período de transição que o partido vai viver, enquanto líder parlamentar e chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu, respetivamente. "Com Hugo Soares e Paulo Rangel aproveitaremos bem estes tempos para mostrar que o PSD é um pilar de estabilidade e de construção do futuro."

O ainda líder do PSD admitiu que o calendário que atava definido para as diretas e congresso poderá ser demasiado longo, a admitiu que a eleição do próximo líder poderá ser já em dezembro, e não no final de janeiro. Esta noite será marcado novo Conselho Nacional para dia 9, para a marcação das diretas e do congresso.

“Sou muito obstinado nas minhas convicções mas não em relação lugares", disse Pedro Passos Coelho no discurso com que justificou, esta terça-feira à noite, a decisão de não se candidatar a um novo mandato como presidente do PSD. Falando na abertura do Conselho Nacional marcado para analisar os resultados das eleições autárquicas, uma intervenção excecionalmente aberta à comunicação social, Passos explicou que, se ficasse - e garantiu que teria apoios para se recandidatar e ganhar - isso não resolveria "o principal problema": "Se eu permanecesse vitorioso como líder do PSD, em vez de estar a construir uma alternativa ao governo, estaria em permanência a combater o preconceito e a ideia feita de estar agarrado poder no partido".

Na sua intervenção, de quase meia hora, Passos Coelho apresentou sempre a sua decisão, não como a consequência do esgotamento da sua liderança ou de erros cometidos, mas como a melhor forma de preservar o partido. "Na avaliação das circunstâncias políticas na sequência deste resultado, a afirmação da nova liderança do PSD terá melhores possibilidades de progressão e sucesso do que uma que eu pudesse encabeçar."

José Carlos Carvalho

"Ficar - disse Passos - seria oferecer com facilidade a caricatura de que estamos agarrados ao poder interno, eventualmente explorando a gratidão junto dos militantes pelas lutas e pelos resultados passados. (...) Estaríamos a resistir às coisas em vez de estarmos a construir", constatou. "Ficaríamos ainda mais à mercê da injustíssima acusação de que estaríamos, afinal, agarrados ao passado e a resistir à erosão do tempo."

A conclusão da reflexão feita por Passos foi "a decisão que faz sentido": "Nestas circunstâncias do país, os resultados autárquicos indicam que temos de encontrar um caminho diferente para o futuro".

"A nossa ação política precisa de ser ambiciosa, o país precisa dela, e eu não estou em condições de oferecer essa perspetiva ao PSD", reconheceu Passos.

Apesar de sair de cena, Passos deixou uma garantia que lhe mereceu o primeiro aplauso da noite, quando já falava há vinte minutos: "O facto de não me recandidatar não significa que me vá calar para sempre". Ao que acrescentou: "Não ficarei cá a rondar nem a assombrar."

Surpreendido com resultado "mau e pesado"

Na análise que fez dos números de domingo, Passos começou por confessar a sua "surpresa com o resultado das eleições". "Confesso que não foi um resultado que eu esperasse." Apesar disso, Passos temperou o choque: "Pode, dois dias depois, não parecer para o PSD tao pesado quanto se afigurou no domingo à noite. Pode achar-se que, tendo igualado o número de votos de 2013, possa não ter sido tão mau quanto se pintou". Lembrou até que o PCP caiu muito mais ("foram praticamente varridos") e o CDS "não terá tido um resultado tão ambicioso quanto se procurou pintar" (apesar de ter feito vénia ao resultado de Cristas em Lisboa). Mas "isso é um problema deles", concluiu. O resultado do PSD "foi pesado e isso é iniludível". "Foi mau e foi pesado", insistiu.

Apesar de ser um resultado feito de muitas eleições locais, "tem leitura e significado nacional", e por isso "estes resultados também responsabilizam e penalizam a direção Nacional".

José carlos carvalho

Perante uma plateia onde se destacavam Luís Montenegro, Hugo Soares e Paulo Rangel, Passos destacou estes dois como peças essenciais no período de transição que o partido vai viver, enquanto líder parlamentar e chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu, respetivamente. "Com Hugo Soares e Paulo Rangel aproveitaremos bem estes tempos para mostrar que o PSD é um pilar de estabilidade e de construção do futuro."

O ainda líder do PSD admitiu que o calendário que atava definido para as diretas e congresso poderá ser demasiado longo, a admitiu que a eleição do próximo líder poderá ser já em dezembro, e não no final de janeiro. Esta noite será marcado novo Conselho Nacional para dia 9, para a marcação das diretas e do congresso.

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