A curta visita de Ricardo Robles à vivenda com piscina em que Santana Lopes e António Costa viveram

05-10-2017
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Serviu de casa a Santana Lopes e depois, durante o primeiro mandato como autarca de Lisboa, a António Costa. Poderia servir também de residência a Fernando Medina, Teresa Leal Coelho, Assunção Cristas, João Ferreira, Ricardo Robles ou a qualquer outro dos candidatos à Câmara. Mas esta vivenda em Monsanto, que se tornou em 1989 – por ordem do então autarca de Lisboa, Kruz Abecasis – a residência oficial do presidente da Câmara da capital, foi concessionada a uma empresa, juntamente com outros espaços do Parque Florestal do Monsanto, para fins turísticos.

A história foi esta segunda-feira recuperada por Ricardo Robles, o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, que marcou para ali uma ação de campanha com o objetivo de mostrar porque é que considera o negócio – uma concessão de edifícios municipais à empresa MCO Unipessoal II, realizada em 2014, para fins turísticos, entre eles a abertura de um hostel, de uma esplanada e espaços para eventos com várias centenas de pessoas – “pouco transparente” e o compara à vitória num concurso do “Euromilhões” para a empresa em questão.

No negócio, noticiado no verão de 2014, está incluída a concessão de cinco espaços – às já referidas Casa do Presidente e Quinta da Pimenteira juntam-se o Moinho do Penedo e duas vivendas que servem como casas de função para guardas florestais – por pelo menos vinte e cinco anos, período que se pode prorrogar por outros cinco. O problema, diz o Bloco de Esquerda, é que “todo este espaço é mais barato do que um T2 no centro de Lisboa neste momento”: o valor mensal que a empresa terá de pagar ao município será de 2600 euros, mas nos primeiros três anos de contrato, conforme pode ler-se no documento, o valor fica pelos mil euros, “como apoio ao investimento e considerando o investimento a efetuar pela concessionária”.

Uma visita frustrada

A placa que anuncia uma das entradas para a Quinta da Pimenteira é pequena e difícil de encontrar a olho nu, especialmente para quem não vai preparado. Talvez por isso, na tarde desta segunda-feira a campanha de Ricardo Robles chegou já uns minutos atrasada, mas bem composta – dela faziam parte pelo menos duas dezenas de pessoas, incluindo a deputada Mariana Mortágua e a candidata do partido à Assembleia Municipal de Lisboa, Isabel Pires, várias delas armadas com as bandeiras coloridas do partido e prontas a caminhar atrás de Robles e Mortágua, que tomaram a dianteira para mostrar o espaço e falar aos jornalistas.

Tendo como missão mostrar à sua comitiva e aos jornalistas os espaços em questão, Robles fez uma paragem na breve caminhada para explicar os problemas que o negócio, no entendimento dos bloquistas, levanta. “O que está em causa é toda a transparência do processo”, afirmou, reclamando contra a adjudicação de “espaços valiosos para a cidade” a preços baixos, sobretudo num processo em que a MCO foi a única empresa a participar no concurso público. “É tão absurdo como Marcelo Rebelo de Sousa concessionar a sua residência oficial a um hotel de charme. É um negócio lesivo para a cidade”.

Ao Expresso, Robles garantiu que este é “um exemplo claro de que as maiorias absolutas do PS em Lisboa não convivem bem com a transparência” e prometeu voltar ao tema no executivo municipal, depois das eleições. Sugestões para aproveitar o espaço? “Mostrar o espaço, fazer um centro interpretativo para as crianças e as escolas”. Tudo porque, diz o candidato do Bloco, o que se passa com estes edifícios é um “reflexo da cidade sem regras para o turismo de Medina”.

À visita à Quinta da Pimenteira seguiu-se a ida ao espaço da Casa do Presidente, uma vivenda com piscina localizada na estrada que liga Montes Claros à Ajuda. Só houve um problema: quando a comitiva do Bloco de Esquerda chegou, era impossível entrar. O portão verde que serve de entrada para o edifício encontrava-se entreaberto, embora não o suficiente para ser possível uma pessoa passar por ali, e a piscina e a casa eram apenas visíveis através da cerca de arame que rodeia o espaço.

Alguns elementos da campanha chegaram a tentar abrir a porta e tocar à campainha, caso estivesse algum funcionário responsável pela manutenção do espaço lá dentro, como lembrava Mariana Mortágua. Não estava, ou pelo menos ninguém parecer ouvir. A missão, ou visita, não teve sucesso: lá tiveram de voltar os membros da campanha, distribuídos por vários carros, para trás. A Casa do Presidente estava fechada (ou seria entreaberta?), mesmo para um dos aspirantes a presidente da Câmara de Lisboa.

Serviu de casa a Santana Lopes e depois, durante o primeiro mandato como autarca de Lisboa, a António Costa. Poderia servir também de residência a Fernando Medina, Teresa Leal Coelho, Assunção Cristas, João Ferreira, Ricardo Robles ou a qualquer outro dos candidatos à Câmara. Mas esta vivenda em Monsanto, que se tornou em 1989 – por ordem do então autarca de Lisboa, Kruz Abecasis – a residência oficial do presidente da Câmara da capital, foi concessionada a uma empresa, juntamente com outros espaços do Parque Florestal do Monsanto, para fins turísticos.

A história foi esta segunda-feira recuperada por Ricardo Robles, o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, que marcou para ali uma ação de campanha com o objetivo de mostrar porque é que considera o negócio – uma concessão de edifícios municipais à empresa MCO Unipessoal II, realizada em 2014, para fins turísticos, entre eles a abertura de um hostel, de uma esplanada e espaços para eventos com várias centenas de pessoas – “pouco transparente” e o compara à vitória num concurso do “Euromilhões” para a empresa em questão.

No negócio, noticiado no verão de 2014, está incluída a concessão de cinco espaços – às já referidas Casa do Presidente e Quinta da Pimenteira juntam-se o Moinho do Penedo e duas vivendas que servem como casas de função para guardas florestais – por pelo menos vinte e cinco anos, período que se pode prorrogar por outros cinco. O problema, diz o Bloco de Esquerda, é que “todo este espaço é mais barato do que um T2 no centro de Lisboa neste momento”: o valor mensal que a empresa terá de pagar ao município será de 2600 euros, mas nos primeiros três anos de contrato, conforme pode ler-se no documento, o valor fica pelos mil euros, “como apoio ao investimento e considerando o investimento a efetuar pela concessionária”.

Uma visita frustrada

A placa que anuncia uma das entradas para a Quinta da Pimenteira é pequena e difícil de encontrar a olho nu, especialmente para quem não vai preparado. Talvez por isso, na tarde desta segunda-feira a campanha de Ricardo Robles chegou já uns minutos atrasada, mas bem composta – dela faziam parte pelo menos duas dezenas de pessoas, incluindo a deputada Mariana Mortágua e a candidata do partido à Assembleia Municipal de Lisboa, Isabel Pires, várias delas armadas com as bandeiras coloridas do partido e prontas a caminhar atrás de Robles e Mortágua, que tomaram a dianteira para mostrar o espaço e falar aos jornalistas.

Tendo como missão mostrar à sua comitiva e aos jornalistas os espaços em questão, Robles fez uma paragem na breve caminhada para explicar os problemas que o negócio, no entendimento dos bloquistas, levanta. “O que está em causa é toda a transparência do processo”, afirmou, reclamando contra a adjudicação de “espaços valiosos para a cidade” a preços baixos, sobretudo num processo em que a MCO foi a única empresa a participar no concurso público. “É tão absurdo como Marcelo Rebelo de Sousa concessionar a sua residência oficial a um hotel de charme. É um negócio lesivo para a cidade”.

Ao Expresso, Robles garantiu que este é “um exemplo claro de que as maiorias absolutas do PS em Lisboa não convivem bem com a transparência” e prometeu voltar ao tema no executivo municipal, depois das eleições. Sugestões para aproveitar o espaço? “Mostrar o espaço, fazer um centro interpretativo para as crianças e as escolas”. Tudo porque, diz o candidato do Bloco, o que se passa com estes edifícios é um “reflexo da cidade sem regras para o turismo de Medina”.

À visita à Quinta da Pimenteira seguiu-se a ida ao espaço da Casa do Presidente, uma vivenda com piscina localizada na estrada que liga Montes Claros à Ajuda. Só houve um problema: quando a comitiva do Bloco de Esquerda chegou, era impossível entrar. O portão verde que serve de entrada para o edifício encontrava-se entreaberto, embora não o suficiente para ser possível uma pessoa passar por ali, e a piscina e a casa eram apenas visíveis através da cerca de arame que rodeia o espaço.

Alguns elementos da campanha chegaram a tentar abrir a porta e tocar à campainha, caso estivesse algum funcionário responsável pela manutenção do espaço lá dentro, como lembrava Mariana Mortágua. Não estava, ou pelo menos ninguém parecer ouvir. A missão, ou visita, não teve sucesso: lá tiveram de voltar os membros da campanha, distribuídos por vários carros, para trás. A Casa do Presidente estava fechada (ou seria entreaberta?), mesmo para um dos aspirantes a presidente da Câmara de Lisboa.

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