Armando Vara não voltaria a trocar a Caixa Geral de Depósitos pelo Banco Comercial Português, como aconteceu na passagem de 2007 para 2008. O antigo governante não o faria se soubesse que esta transferência seria colocada num quadro de “assalto” do poder ao banco privado.
“Eu nunca teria ido para o BCP” se soubesse que iria ser entendido como um “assalto” político ao banco, frisou Armando Vara aos deputados da segunda comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco público, na audição desta sexta-feira, 14 de junho. “Se tivesse consciência do que viria a passar-se depois não teria ido para o BCP”, continuou.
Vara recusou que o antigo primeiro-ministro José Sócrates tenha, “através” de si, utilizado qualquer poder nessa guerra, como foi acusado, por exemplo, pelo ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal.
Aos deputados, Vara defendeu que a “Caixa foi completamente alheia” à guerra no concorrente privado. Era acionista, mas tinha a postura de votar nas suas participadas alinhada com as respectivas administrações.
“Não acredito na tese da conspiração. Não excluo que, como aqui já foi referido por uma Sra. deputada [Constança Urbano de Sousa], houvesse um certo compromisso entre pessoas que lhe chamavam [Compromisso] Portugal e que tinham alguma apetência pela direcção do banco. Alguma apetência... Nós [na CGD] não tivemos nada a ver com instabilidade que se viveu no banco”, garantiu. No Compromisso Portugal estava, por exemplo, António Mexia, que continua à frente da EDP, então acionista do banco.
“O Dr. Filipe Pinhal era vice-presidente do banco ao tempo que o Engenheiro Jardim Gonçalves era presidente. O que determinou a grande cisão foi a nomeação de outra pessoa que não o Dr. Pinhal para presidente [em 2007]. Essa pessoa [Paulo Teixeira Pinto] era, ao tempo, secretário do conselho de administração. Será que, por ser secretário, saberia o suficiente do negócio bancário?”, questionou Vara na audição.
Filipe Pinhal considerou que houve um “triunvirato” que deu a “bênção” ao assalto ao BCP, José Sócrates, Fernando Teixeira dos Santos e ainda o ex-governador Vítor Constâncio.
Um dos nomes que ganhou poder na altura da guerra de poder no BCP foi Joe Berardo, ao lado dos que desafiavam a fação de Jardim Gonçalves. E chegou aos órgãos do banco em 2008, quando Carlos Santos Ferreira e Armando Vara foram eleitos, respetivamente, presidente e vice-presidente do BCP. “Nunca tinha falado com ele. Não tinha nenhuma relação com ele, nem com a generalidade das pessoas envolvidas. Só conheci a partir do momento em que apareci como membro integrante da lista de Dr. Santos Ferreira", esclareceu Vara.
Apesar disso, José Berardo financiou-se na CGD na altura (da administração liderada por Santos Ferreira em que Vara era vogal) com uma conta-corrente de até 350 milhões de euros, para comprar a posição no BCP.
Para participar na audição, Vara teve de sair da prisão de Évora, onde cumpre pena pela prática de crime de tráfico de influência, no âmbito do Face Oculta. Enfrenta também uma acusação do Ministério Público, atualmente em fase de instrução, por eventuais crimes cometidos no negócio da CGD em Vale do Lobo.
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Armando Vara não voltaria a trocar a Caixa Geral de Depósitos pelo Banco Comercial Português, como aconteceu na passagem de 2007 para 2008. O antigo governante não o faria se soubesse que esta transferência seria colocada num quadro de “assalto” do poder ao banco privado.
“Eu nunca teria ido para o BCP” se soubesse que iria ser entendido como um “assalto” político ao banco, frisou Armando Vara aos deputados da segunda comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco público, na audição desta sexta-feira, 14 de junho. “Se tivesse consciência do que viria a passar-se depois não teria ido para o BCP”, continuou.
Vara recusou que o antigo primeiro-ministro José Sócrates tenha, “através” de si, utilizado qualquer poder nessa guerra, como foi acusado, por exemplo, pelo ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal.
Aos deputados, Vara defendeu que a “Caixa foi completamente alheia” à guerra no concorrente privado. Era acionista, mas tinha a postura de votar nas suas participadas alinhada com as respectivas administrações.
“Não acredito na tese da conspiração. Não excluo que, como aqui já foi referido por uma Sra. deputada [Constança Urbano de Sousa], houvesse um certo compromisso entre pessoas que lhe chamavam [Compromisso] Portugal e que tinham alguma apetência pela direcção do banco. Alguma apetência... Nós [na CGD] não tivemos nada a ver com instabilidade que se viveu no banco”, garantiu. No Compromisso Portugal estava, por exemplo, António Mexia, que continua à frente da EDP, então acionista do banco.
“O Dr. Filipe Pinhal era vice-presidente do banco ao tempo que o Engenheiro Jardim Gonçalves era presidente. O que determinou a grande cisão foi a nomeação de outra pessoa que não o Dr. Pinhal para presidente [em 2007]. Essa pessoa [Paulo Teixeira Pinto] era, ao tempo, secretário do conselho de administração. Será que, por ser secretário, saberia o suficiente do negócio bancário?”, questionou Vara na audição.
Filipe Pinhal considerou que houve um “triunvirato” que deu a “bênção” ao assalto ao BCP, José Sócrates, Fernando Teixeira dos Santos e ainda o ex-governador Vítor Constâncio.
Um dos nomes que ganhou poder na altura da guerra de poder no BCP foi Joe Berardo, ao lado dos que desafiavam a fação de Jardim Gonçalves. E chegou aos órgãos do banco em 2008, quando Carlos Santos Ferreira e Armando Vara foram eleitos, respetivamente, presidente e vice-presidente do BCP. “Nunca tinha falado com ele. Não tinha nenhuma relação com ele, nem com a generalidade das pessoas envolvidas. Só conheci a partir do momento em que apareci como membro integrante da lista de Dr. Santos Ferreira", esclareceu Vara.
Apesar disso, José Berardo financiou-se na CGD na altura (da administração liderada por Santos Ferreira em que Vara era vogal) com uma conta-corrente de até 350 milhões de euros, para comprar a posição no BCP.
Para participar na audição, Vara teve de sair da prisão de Évora, onde cumpre pena pela prática de crime de tráfico de influência, no âmbito do Face Oculta. Enfrenta também uma acusação do Ministério Público, atualmente em fase de instrução, por eventuais crimes cometidos no negócio da CGD em Vale do Lobo.