Governo quer acolher yazidis e critica burocracia grega
A iniciativa partiu da eurodeputada socialista Ana Gomes. A Grécia não desbloqueia o processo, alegando discriminação na selecção de refugiados. PÚBLICO 24 de Outubro de 2016, 9:48 Partilhar notícia 8 partilhas Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter Partilhar no WhatsApp Partilhar no LinkedIn Partilhar no Google+ Enviar por email Imprimir Guardar Comentar Foto
Ana Gomes com Lamya Taha, de 18 anos, da comunidade de Yazidis, escrava do EI durante dois anos Enric Vives-Rubio/Arquivo PUB O Governo português quer receber 470 refugiados da comunidade yazidi, uma minoria religiosa pré-cristã iraquiana, que aguarda em campos de refugiados na Grécia, e critica o executivo grego por estar a bloquear o processo. PUB A iniciativa de acolhimento partiu de Ana Gomes, que tem um plano organizado há seis meses, detalha o Diário de Notícias esta segunda-feira. A eurodeputada socialista enviou este mês uma carta ao ministro grego do Interior, Ioannis Mouzalas, depois de ter estado em Indomeni e Tessalónica. "A sua preferência era a Alemanha, onde há uma grande comunidade, mas como para aí não era possível, concordaram em vir para Portugal, em vez de continuarem nos campos", afirma Ana Gomes ao DN. Lamya foi escrava do Estado Islâmico durante 20 meses e ainda vai ser professora No entanto, o governo de Alexis Tsipras alegou que de acordo com as regras europeias não é permitido critérios de discriminação na selecção dos refugiados, não sendo permitido escolher segundo etnias ou religiões – e que as prioridades são as situações de maior vulnerabilidade. PUB "Mas querem maior vulnerabilidade do que a dos yazidi que tanto já sofreram nas mãos do Daesh [Estado Islâmico]?", respondeu a eurodeputada Ana Gomes, numa resposta assinada também pelo presidente da Comissão das Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu, o britânico Claude Moraes."Todo este processo tem sido kafkiano. Desde exigirem um pré-registo de todos os que queriam vir, que fizemos, depois quererem um registo com entrevistas via Skype, quando todos sabem que nos campos de refugiados a rede de Internet é muito complicada", conta a eurodeputada ao mesmo jornal.Fonte do gabinete do ministro-adjunto Eduardo Cabrita, que tem estado a coordenar o acolhimento dos refugiados, confirmou ao diário que "este foi um dos temas abordados numa reunião, em Setembro, em Lisboa, com o ministro-adjunto grego da Defesa Nacional, Dimitrios Vitsas".O Governo português admite até abrir uma excepção de forma a garantir a coesão do grupo, composto essencialmente por famílias, mulheres e crianças e não os dispersar por vários pontos do país, como tem sido prática por forma a evitar uma “guetização”, dificultando a sua integração e, por outro lado, facilitando que sejam alvo de grupos criminosos. O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever × "O grupo de yazidis tem revelado grande coesão, responsabilidade e sentido de solidariedade comunitária. Apesar de o paradigma de acolhimento português ser descentralizado, procurar-se-á, na medida do possível, respeitar as especificidades e o forte sentido comunitário deste grupo", sublinha a porta-voz de Eduardo Cabrita. Ler mais Acordo UE-Turquia sobre refugiados é "ilegal, imoral e impraticável" “Não somos terroristas”, gritam migrantes travados entre a Grécia e a Macedónia Prémio Vaclav Havel dos Direitos Humanos para ex-escrava do Daesh Para que o processo se conclua, a comunidade de migrantes terá de “de proceder ao pré-registo na Grécia e indicar Portugal como primeira opção de acolhimento, o que nem sempre ocorre”, lembra a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também ao DN.A Grécia tem cerca de 60 mil refugiados dentro das suas fronteiras e o esquema de recolocação decorre com muita lentidão. "Não se percebe porque não aceitam a nossa ajuda. Têm que começar a recolocá-los para algum lado", conclui Ana Gomes. PUB PUB Continuar a ler Leia também A carregar... Tópicos Portugal União Europeia Refugiados Grécia Iraque Ana Gomes Alexis Tsipras Estado Islâmico Eduardo Cabrita Partilhar notícia 8 partilhas Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter Partilhar no WhatsApp Partilhar no LinkedIn Partilhar no Google+ Enviar por email Imprimir Guardar Comentar Sugerir correcção × Comentários Aprovados 0 Pendentes 0 Não há comentários Seja o primeiro a comentar. Mais comentários Não há comentários pendentes
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Ana Gomes com Lamya Taha, de 18 anos, da comunidade de Yazidis, escrava do EI durante dois anos Enric Vives-Rubio/Arquivo PUB O Governo português quer receber 470 refugiados da comunidade yazidi, uma minoria religiosa pré-cristã iraquiana, que aguarda em campos de refugiados na Grécia, e critica o executivo grego por estar a bloquear o processo. PUB A iniciativa de acolhimento partiu de Ana Gomes, que tem um plano organizado há seis meses, detalha o Diário de Notícias esta segunda-feira. A eurodeputada socialista enviou este mês uma carta ao ministro grego do Interior, Ioannis Mouzalas, depois de ter estado em Indomeni e Tessalónica. "A sua preferência era a Alemanha, onde há uma grande comunidade, mas como para aí não era possível, concordaram em vir para Portugal, em vez de continuarem nos campos", afirma Ana Gomes ao DN. Lamya foi escrava do Estado Islâmico durante 20 meses e ainda vai ser professora No entanto, o governo de Alexis Tsipras alegou que de acordo com as regras europeias não é permitido critérios de discriminação na selecção dos refugiados, não sendo permitido escolher segundo etnias ou religiões – e que as prioridades são as situações de maior vulnerabilidade. PUB "Mas querem maior vulnerabilidade do que a dos yazidi que tanto já sofreram nas mãos do Daesh [Estado Islâmico]?", respondeu a eurodeputada Ana Gomes, numa resposta assinada também pelo presidente da Comissão das Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu, o britânico Claude Moraes."Todo este processo tem sido kafkiano. Desde exigirem um pré-registo de todos os que queriam vir, que fizemos, depois quererem um registo com entrevistas via Skype, quando todos sabem que nos campos de refugiados a rede de Internet é muito complicada", conta a eurodeputada ao mesmo jornal.Fonte do gabinete do ministro-adjunto Eduardo Cabrita, que tem estado a coordenar o acolhimento dos refugiados, confirmou ao diário que "este foi um dos temas abordados numa reunião, em Setembro, em Lisboa, com o ministro-adjunto grego da Defesa Nacional, Dimitrios Vitsas".O Governo português admite até abrir uma excepção de forma a garantir a coesão do grupo, composto essencialmente por famílias, mulheres e crianças e não os dispersar por vários pontos do país, como tem sido prática por forma a evitar uma “guetização”, dificultando a sua integração e, por outro lado, facilitando que sejam alvo de grupos criminosos. O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever × "O grupo de yazidis tem revelado grande coesão, responsabilidade e sentido de solidariedade comunitária. Apesar de o paradigma de acolhimento português ser descentralizado, procurar-se-á, na medida do possível, respeitar as especificidades e o forte sentido comunitário deste grupo", sublinha a porta-voz de Eduardo Cabrita. Ler mais Acordo UE-Turquia sobre refugiados é "ilegal, imoral e impraticável" “Não somos terroristas”, gritam migrantes travados entre a Grécia e a Macedónia Prémio Vaclav Havel dos Direitos Humanos para ex-escrava do Daesh Para que o processo se conclua, a comunidade de migrantes terá de “de proceder ao pré-registo na Grécia e indicar Portugal como primeira opção de acolhimento, o que nem sempre ocorre”, lembra a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também ao DN.A Grécia tem cerca de 60 mil refugiados dentro das suas fronteiras e o esquema de recolocação decorre com muita lentidão. "Não se percebe porque não aceitam a nossa ajuda. Têm que começar a recolocá-los para algum lado", conclui Ana Gomes. PUB PUB Continuar a ler Leia também A carregar... Tópicos Portugal União Europeia Refugiados Grécia Iraque Ana Gomes Alexis Tsipras Estado Islâmico Eduardo Cabrita Partilhar notícia 8 partilhas Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter Partilhar no WhatsApp Partilhar no LinkedIn Partilhar no Google+ Enviar por email Imprimir Guardar Comentar Sugerir correcção × Comentários Aprovados 0 Pendentes 0 Não há comentários Seja o primeiro a comentar. Mais comentários Não há comentários pendentes