O presidente do PS e líder da bancada socialista no Parlamento, Carlos César, saudou nesta quinta-feira o “distanciamento” do CDS em relação ao PSD, que diz fazer uma oposição “pouco construtiva”, particularmente no que diz respeito ao consenso pedido pelo PS em matéria de obras públicas.
“O distanciamento que o CDS tem vindo a fazer, por menos criativo que seja, dessa resistência obsessiva à concertação política” foi o motivo da saudação de Carlos César. Falando na reunião da Comissão Permanente do Parlamento, durante o tempo destinado às declarações políticas, César criticou o que disse ser a resistência da direita, particularmente do PSD, à concertação, em oposição à posição socialista: “Não desvalorizamos as nossas opções preferenciais, mas não desconsideramos a procura de consensos”, sublinhou.
E aproveitou para enunciar algumas das prioridades para a segunda metade da legislatura, que reconheceu apresentar “muitos desafios” em matéria de política orçamental: “Relançar o debate sobre a descentralização, proporcionar mais recursos na cultura, ciência e políticas de habitação, priorizar áreas de intervenção como florestas, transportes e mar” foram alguns dos exemplos dados.
Autoeuropa, cativações e o "comboio em movimento"
A intervenção de Carlos César veio no seguimento de uma declaração do PSD, pela voz de Teresa Leal Coelho, e dedicada à Autoeuropa. Classificando como “constrangedor o embaraço do PS perante a tentativa de destruição de uma parcela muito importante da economia portuguesa”, a deputada e candidata à Câmara de Lisboa declarou que “esta é uma greve com significado político”. “Para chegar ao poder, PCP e BE vão simulando uma tolerância ideológica que não têm. E depois vale tudo”, disse, defendendo que “para a esquerda a sobrevivêcia está em jogo”.
Ainda à direita, a deputada centrista Cecília Meireles recuperou o tema das cativações, que definiu como “cortes que são feitos pela calada, uma despesa que estava prevista no orçamento mas que depois no silêncio dos gabinetes o ministério das Finanças corta”, acusando ainda BE e PCP de “passarem um cheque em branco” ao Governo.
À semelhança do líder da bancada socialista, também o seu homólogo bloquista, Pedro Filipe Soares, falou sobre o caminho percorrido pela maioria parlamentar de esquerda na primeira metade da legislatura que passou, dizendo que há dois anos, quando se assinaram os acordos entre PS e parceiros de esquerda, se sentiu “uma chantagem sobre a democracia”: “Lembram-se de como diziam na altura que a estabilidade ou era com maioria absoluta, ou era com a direita, ou não era?”. E avisou: “Esperamos que haja a coragem para que ninguém queira parar este comboio que está em movimento”.
No PCP, a deputada Paula Santos tomou a palavra para falar de educação, saudando algumas das “medidas positivas”, como a gratuitidade dos manuais escolares para alunos do primeiro ciclo ou a reposição de apoios às visitas de estudo, mas também lembrou o que falta fazer e continua a constar do caderno de encargos do PCP, nomeadamente a vinculação de mais professores ou a redução do número de alunos por turma.
BE, PCP e Verdes querem voltar a aprovar alterações na Carris
O veto do Presidente da República à alteração que tornava impossível a Carris vir a ser concessionada a privados, mesmo que no futuro essa fosse a vontade da Câmara, fez parte da ordem de trabalhos. Enquanto o PS reafirmava a sua disponibilidade para fazer alterações e chegar a consenso, como aconteceu com a mesma situação para a STCP, no Porto, os partidos mais à esquerda disseram preferir confirmar a lei e voltar a aprovar as alterações que Marcelo argumentou representarem uma “intervenção excessiva da Assembleia da República”. Mariana Mortágua, no BE, disse, defendeu que o veto do Presidente "é um veto político, baseado em argumentos políticos".
Objeto de discussão foi também a situação na Venezuela, assunto que ficou definido na Conferência de Líderes. Os centristas, que falaram de uma “ditadura de Nicolás Maduro”, aproveitaram para questionar, num ataque dirigido ao PCP: “Como é que é possível alguém que partilha a democracia portuguesa ser apoiante disto?”. E, em sintonia com os restantes partidos, definiram como principal preocupação “a circulação da comunidade portuguesa” na Venezuela. Em resposta, o PCP falou do “progresso sem precedentes” que diz ter-se registado na Venezuela sob a liderança de Hugo Chávez e de uma “estranha ditadura em que houve em 18 anos 21 atos eleitorais”.
Os socialistas, pela voz da deputada Isabel Santos, fecharam o debate, concluindo: “Divergimos todos nas causas do conflito e até em alguns pontos na sua solução. Há algo em que convergimos, seguramente, todos: a preocupação com o nível de sofrimento do povo venezuelano e da comunidade portuguesa”. E defendeu que “a posição do PS é de responsável proteção dos interesses da comunidade portuguesa”, instando a que “o Governo continue este trabalho de apoio à comunidade portuguesa e de coordenação com a União Europeia”.
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O presidente do PS e líder da bancada socialista no Parlamento, Carlos César, saudou nesta quinta-feira o “distanciamento” do CDS em relação ao PSD, que diz fazer uma oposição “pouco construtiva”, particularmente no que diz respeito ao consenso pedido pelo PS em matéria de obras públicas.
“O distanciamento que o CDS tem vindo a fazer, por menos criativo que seja, dessa resistência obsessiva à concertação política” foi o motivo da saudação de Carlos César. Falando na reunião da Comissão Permanente do Parlamento, durante o tempo destinado às declarações políticas, César criticou o que disse ser a resistência da direita, particularmente do PSD, à concertação, em oposição à posição socialista: “Não desvalorizamos as nossas opções preferenciais, mas não desconsideramos a procura de consensos”, sublinhou.
E aproveitou para enunciar algumas das prioridades para a segunda metade da legislatura, que reconheceu apresentar “muitos desafios” em matéria de política orçamental: “Relançar o debate sobre a descentralização, proporcionar mais recursos na cultura, ciência e políticas de habitação, priorizar áreas de intervenção como florestas, transportes e mar” foram alguns dos exemplos dados.
Autoeuropa, cativações e o "comboio em movimento"
A intervenção de Carlos César veio no seguimento de uma declaração do PSD, pela voz de Teresa Leal Coelho, e dedicada à Autoeuropa. Classificando como “constrangedor o embaraço do PS perante a tentativa de destruição de uma parcela muito importante da economia portuguesa”, a deputada e candidata à Câmara de Lisboa declarou que “esta é uma greve com significado político”. “Para chegar ao poder, PCP e BE vão simulando uma tolerância ideológica que não têm. E depois vale tudo”, disse, defendendo que “para a esquerda a sobrevivêcia está em jogo”.
Ainda à direita, a deputada centrista Cecília Meireles recuperou o tema das cativações, que definiu como “cortes que são feitos pela calada, uma despesa que estava prevista no orçamento mas que depois no silêncio dos gabinetes o ministério das Finanças corta”, acusando ainda BE e PCP de “passarem um cheque em branco” ao Governo.
À semelhança do líder da bancada socialista, também o seu homólogo bloquista, Pedro Filipe Soares, falou sobre o caminho percorrido pela maioria parlamentar de esquerda na primeira metade da legislatura que passou, dizendo que há dois anos, quando se assinaram os acordos entre PS e parceiros de esquerda, se sentiu “uma chantagem sobre a democracia”: “Lembram-se de como diziam na altura que a estabilidade ou era com maioria absoluta, ou era com a direita, ou não era?”. E avisou: “Esperamos que haja a coragem para que ninguém queira parar este comboio que está em movimento”.
No PCP, a deputada Paula Santos tomou a palavra para falar de educação, saudando algumas das “medidas positivas”, como a gratuitidade dos manuais escolares para alunos do primeiro ciclo ou a reposição de apoios às visitas de estudo, mas também lembrou o que falta fazer e continua a constar do caderno de encargos do PCP, nomeadamente a vinculação de mais professores ou a redução do número de alunos por turma.
BE, PCP e Verdes querem voltar a aprovar alterações na Carris
O veto do Presidente da República à alteração que tornava impossível a Carris vir a ser concessionada a privados, mesmo que no futuro essa fosse a vontade da Câmara, fez parte da ordem de trabalhos. Enquanto o PS reafirmava a sua disponibilidade para fazer alterações e chegar a consenso, como aconteceu com a mesma situação para a STCP, no Porto, os partidos mais à esquerda disseram preferir confirmar a lei e voltar a aprovar as alterações que Marcelo argumentou representarem uma “intervenção excessiva da Assembleia da República”. Mariana Mortágua, no BE, disse, defendeu que o veto do Presidente "é um veto político, baseado em argumentos políticos".
Objeto de discussão foi também a situação na Venezuela, assunto que ficou definido na Conferência de Líderes. Os centristas, que falaram de uma “ditadura de Nicolás Maduro”, aproveitaram para questionar, num ataque dirigido ao PCP: “Como é que é possível alguém que partilha a democracia portuguesa ser apoiante disto?”. E, em sintonia com os restantes partidos, definiram como principal preocupação “a circulação da comunidade portuguesa” na Venezuela. Em resposta, o PCP falou do “progresso sem precedentes” que diz ter-se registado na Venezuela sob a liderança de Hugo Chávez e de uma “estranha ditadura em que houve em 18 anos 21 atos eleitorais”.
Os socialistas, pela voz da deputada Isabel Santos, fecharam o debate, concluindo: “Divergimos todos nas causas do conflito e até em alguns pontos na sua solução. Há algo em que convergimos, seguramente, todos: a preocupação com o nível de sofrimento do povo venezuelano e da comunidade portuguesa”. E defendeu que “a posição do PS é de responsável proteção dos interesses da comunidade portuguesa”, instando a que “o Governo continue este trabalho de apoio à comunidade portuguesa e de coordenação com a União Europeia”.