No arranque da segunda semana de campanha às eleições europeias, uma vintena de utentes aplaudiu a chegada de Catarina Martins à Extensão de Saúde de Nossa Senhora de Fátima, em Mamodeiro, freguesia do concelho de Aveiro sem médico regular “já vai para três anos”. O clínico anterior reformou-se e, desde então, os pacientes com médico de família foram transferidos, “sem serem consultados”, para a freguesia de Nariz, a mais de sete quilómetros de distância.
Numa placa na parede do centro de saúde, inaugurado em 1989, está anunciado Serviços de Triagem de Saúde Materna e Saúde Infantil, Gabinete de Medicina Gral e Familiar, Rastreio de Cancro de Colo do Útero e Gabinete de Enfermagem. “isto aí é só enganar. Aqui só vem um médico uma vez por semana, duas horas à tarde, atender nove pessoas e passar receitas a quem não tem médico de família”, conta Maria Teresa Gonçalves, de 71 anos, indignada por ela e o marido terem de se deslocar de “bicicleta ou a pé” às consultas à freguesia de Santo André.
“É uma vergonha e uma injustiça o que nos fizeram”, acrescenta, suplicando a Catarina Martins “ajude-nos, ajude-nos!”. Maria Teresa garante que vai votar no Bloco de Esquerda domingo, pois já ali esteve Catarina Martins, no início do ano, e deixou-lhes a promessa que não os ia “abandonar”. Cidália, que amanhã festeja 81 anos, vai às consultas quando os filhos a podem levar, que não tem dinheiro para táxis e “já não tem pernas para andar de bicicleta”. “Tenho medo de cair”, confidencia.
Maria Marques também não poupa nas críticas “a este governo e aos outros que lá estiveram”, por prometerem “muito e depois não fazem nada”. “Aqui a maioria é gente de muita idade e o pior é que quase não temos transportes para ir a Santo André”. Diz que ou vão na carreira de manhã cedo para Aveiro, e depois noutra para Santo André, e ainda têm de pagar dois bilhetes para lá chegar. “E na volta não há transportes, estamos cada vez pior”, refere a utente de 67 anos, lembrando que já tiveram médico todos os dias, “agora vem uma enfermeira e uma auxiliar três vezes por semana, que, coitadas, fazem o que podem”.
Catarina Martins, após conversar com a enfermeira de serviço e a auxiliar, afirma que as duas fazem milagres, trabalhando mais horas do que as que lhes são pagas. “Trabalham em mais dois centros e ainda fazem apoio ao domicílio. A auxiliar só tem contrato para umas horas e acaba por fazer mais sem remuneração. A estratégia é irem esvaziando os centros, para depois fecharem por falta de utentes”. Por isso, apela a que não deixem de lutar para o Centro de Saúde ter o médico a que têm direito, assegurando que o deputado do Bloco para a área da Saúde “não desiste de trabalhar nesse sentido”.
“Não à promiscuidade entre o público e o privado”
A coordenadora do BE alertou a população que há um acordo com o Governo para que toda a gente tenha médico de família até 2020, mas sublinha que “não basta que seja no papel, mas na realidade”. Catarina Martins criticou ainda a defesa da concentração das unidades de saúde, por ficar mais barato. “Preciso ver as contas reais”, refere, enquanto apela ao voto nas europeias, advertindo que no Parlamento Europeu também se tomam decisões para que “haja dinheiro para investir na saúde”.
Catarina Martins aproveitou ainda para criticar a herança de troika e a doutrina europeia de desinvestimento nos serviços públicos. “O anterior governo, optou por não substituir as pessoas, alegando que o Estado era gordo. O resultado é este”, conclui, perante novos aplausos.
Questionada sobre um eventual recuo do BE na questão das PPP, a bloquista frisa que há da parte dos outros partidos uma vontade “propositada de criar confusão” e criar “alarmismo, quando dizem que o BE quer acabar com as PPP”. Catarina Martins diz que a posição do Bloco é a de que não se pague ao privado o que o sector público pode fazer, mas não é contra que o privado continue a prestar serviços que o Estado não tem.
“Os hospitais públicos geridos pelos privados fragiliza o sector e gera incompatibilidades, como é o caso de Loures, em que o Estado aos privados para irem buscar financiamentos”, advoga, frisando que este tipo de situações geram “enorme promiscuidade entre o público e o privado”.
Por último, a líder do Bloco avançou que viu na afluência ao voto antecipado deste domingo “um bom sinal”, embora seja ainda cedo para tirar conclusões sobre os níveis de abstenção: “São sinal que quem não podia votar no próximo domingo quer participar nas eleições, usar o seu poder, que é o voto”
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No arranque da segunda semana de campanha às eleições europeias, uma vintena de utentes aplaudiu a chegada de Catarina Martins à Extensão de Saúde de Nossa Senhora de Fátima, em Mamodeiro, freguesia do concelho de Aveiro sem médico regular “já vai para três anos”. O clínico anterior reformou-se e, desde então, os pacientes com médico de família foram transferidos, “sem serem consultados”, para a freguesia de Nariz, a mais de sete quilómetros de distância.
Numa placa na parede do centro de saúde, inaugurado em 1989, está anunciado Serviços de Triagem de Saúde Materna e Saúde Infantil, Gabinete de Medicina Gral e Familiar, Rastreio de Cancro de Colo do Útero e Gabinete de Enfermagem. “isto aí é só enganar. Aqui só vem um médico uma vez por semana, duas horas à tarde, atender nove pessoas e passar receitas a quem não tem médico de família”, conta Maria Teresa Gonçalves, de 71 anos, indignada por ela e o marido terem de se deslocar de “bicicleta ou a pé” às consultas à freguesia de Santo André.
“É uma vergonha e uma injustiça o que nos fizeram”, acrescenta, suplicando a Catarina Martins “ajude-nos, ajude-nos!”. Maria Teresa garante que vai votar no Bloco de Esquerda domingo, pois já ali esteve Catarina Martins, no início do ano, e deixou-lhes a promessa que não os ia “abandonar”. Cidália, que amanhã festeja 81 anos, vai às consultas quando os filhos a podem levar, que não tem dinheiro para táxis e “já não tem pernas para andar de bicicleta”. “Tenho medo de cair”, confidencia.
Maria Marques também não poupa nas críticas “a este governo e aos outros que lá estiveram”, por prometerem “muito e depois não fazem nada”. “Aqui a maioria é gente de muita idade e o pior é que quase não temos transportes para ir a Santo André”. Diz que ou vão na carreira de manhã cedo para Aveiro, e depois noutra para Santo André, e ainda têm de pagar dois bilhetes para lá chegar. “E na volta não há transportes, estamos cada vez pior”, refere a utente de 67 anos, lembrando que já tiveram médico todos os dias, “agora vem uma enfermeira e uma auxiliar três vezes por semana, que, coitadas, fazem o que podem”.
Catarina Martins, após conversar com a enfermeira de serviço e a auxiliar, afirma que as duas fazem milagres, trabalhando mais horas do que as que lhes são pagas. “Trabalham em mais dois centros e ainda fazem apoio ao domicílio. A auxiliar só tem contrato para umas horas e acaba por fazer mais sem remuneração. A estratégia é irem esvaziando os centros, para depois fecharem por falta de utentes”. Por isso, apela a que não deixem de lutar para o Centro de Saúde ter o médico a que têm direito, assegurando que o deputado do Bloco para a área da Saúde “não desiste de trabalhar nesse sentido”.
“Não à promiscuidade entre o público e o privado”
A coordenadora do BE alertou a população que há um acordo com o Governo para que toda a gente tenha médico de família até 2020, mas sublinha que “não basta que seja no papel, mas na realidade”. Catarina Martins criticou ainda a defesa da concentração das unidades de saúde, por ficar mais barato. “Preciso ver as contas reais”, refere, enquanto apela ao voto nas europeias, advertindo que no Parlamento Europeu também se tomam decisões para que “haja dinheiro para investir na saúde”.
Catarina Martins aproveitou ainda para criticar a herança de troika e a doutrina europeia de desinvestimento nos serviços públicos. “O anterior governo, optou por não substituir as pessoas, alegando que o Estado era gordo. O resultado é este”, conclui, perante novos aplausos.
Questionada sobre um eventual recuo do BE na questão das PPP, a bloquista frisa que há da parte dos outros partidos uma vontade “propositada de criar confusão” e criar “alarmismo, quando dizem que o BE quer acabar com as PPP”. Catarina Martins diz que a posição do Bloco é a de que não se pague ao privado o que o sector público pode fazer, mas não é contra que o privado continue a prestar serviços que o Estado não tem.
“Os hospitais públicos geridos pelos privados fragiliza o sector e gera incompatibilidades, como é o caso de Loures, em que o Estado aos privados para irem buscar financiamentos”, advoga, frisando que este tipo de situações geram “enorme promiscuidade entre o público e o privado”.
Por último, a líder do Bloco avançou que viu na afluência ao voto antecipado deste domingo “um bom sinal”, embora seja ainda cedo para tirar conclusões sobre os níveis de abstenção: “São sinal que quem não podia votar no próximo domingo quer participar nas eleições, usar o seu poder, que é o voto”