A dirigente do CDS-PP, Assunção Cristas critica as remodelações "sem rasgo", hoje anunciadas. Os partidos da esquerda também reagiram e o PSD ficou para o fim, ...mas ainda não é oficial
CDS
Uma das primeiras dirigentes políticas a reagir às mudanças no Governo foi a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas. Desvalorizou a remodelação governamental, afirmando que foi feita "por arrasto" do caso do furto de Tancos e que Governo e primeiro-ministro estão fragilizados.
As mudanças no executivo, feitas com "prata da casa", e "sem rasgo", são a "prova dos nove da extraordinária fragilidade do primeiro-ministro", afirmou Assunção Cristas no encerramento da escola de quadros da Juventude Popular (JP), em Peniche, Leiria.
"quem precisa de ser remodelado é António Costa", que "não tem estatura, não tem capacidade para liderar o Governo de Portugal", concluiu.
PCP
O PCP , em comunicado, defende que "o que é determinante é a política do Governo", mais do que a "perspetiva pessoal de cada ministro". Em reação à terceira e maior remodelação governamental anunciada, o PCP mais do que falar em nomes prefere defender que "para lá do papel que a partir da perspetiva pessoal de cada ministro e de como ela se traduz nas respetivas pastas ministeriais, o que é determinante é a política do Governo".
VERDES
O Partido Ecologista "Os Verdes" também já se pronunciou. Lamentou hoje que a remodelação governamental anunciada ocorra em "vésperas da entrega e discussão" do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) e pediu "mudanças de políticas".
"As vésperas da entrega e discussão do OE não parece ser o momento mais adequado para remodelações governamentais, tendo em conta a necessidade que o parlamento tem de esmiuçar as diferentes estratégias e rubricas e que o fará agora com ministros que não participaram na elaboração desse documento nas respetivas pastas que agora assumem", declararam Os Verdes em comunicado.
PAN
O deputado único do PAN, André Silva, também salienta a coincidência do calendário da remodelação e do debate do OE. "Relativamente ao 'timing', o Governo escolheu a melhor altura porque consegue que remodelação não fique no centro da atualidade política. Estamos em pleno debate do OE2019. [O 'timing'] parece que foi propositadamente escolhido, hoje, para que não ocupar o centro da atualidade", disse à Lusa.
"O novo ministro da Economia terá como grande desafio o setor do turismo porque o país precisa de encontrar formas mais sustentáveis para esta atividade e de descentralizar as grandes massas dos centros urbanos. Espero que seja capaz de conseguir encontrar formas alternativas", desejou André Silva.
Sobre a pasta da Defesa, que suscitou as alterações em virtude da demissão de Azeredo Lopes na sequência da polémica sobre desaparecimento de armas dos paióis de Tancos, o parlamentar do PAN referiu que o nome escolhido é o de "uma pessoa conhecida e reconhecida, com um currículo impressionante", estimando que a opção foi por uma "figura consensual capaz de reabilitar a imagem das forças armadas, bastante manchada nos últimos tempos".
"À nova Ministra da Cultura não conhecemos as posições sobre as tradições mais anacrónicas no nosso país, nomeadamente a tauromaquia. Esperamos que traga uma nova perspetiva sobre a matéria, de acordo com os valores éticos mais progressistas do século XXI", continuou André Silva.
"Quanto à transição energética, faz todo o sentido que seja incluída no Ministério do Ambiente. É necessário pensar de que formas ambientalmente sustentáveis o país pode dispensar as fontes de energia baseadas em hidrocarbonetos, mas mais importante é fazer-se uma alteração de paradigma e de prioridades nas políticas ambientais, que têm privilegiado os agentes económicos em detrimento do bem comum", disse.
PSD
O PSD prometeu para hoje ainda uma reação oficial sobre a remodelação governamental, mas alguns sociais-democratas já comentaram o tema nas redes sociais.
Uma das primeiras reações é de Carlos Abreu Amorim, ex-vice-presidente do grupo parlamentar do PSD. Rrecorreu à ironia para comentar esta remodelação: "Pelos vistos, a Tempestade Leslie soprou bem mais forte do que parecia. Varreu alguns lugares de cima a baixo..."
O Eurodeputado Paulo Rangel diz que o timing escolhido para a remodelação "visa ofuscar a questão de Estado extremamente grave que é Tancos".
"Não há nem furacão nem remodelação que retire a gravidade a Tancos. O primeiro-ministro tem de dar as suas explicações, não podemos ficar atordoados pela remodelação e distrair as atenções de uma crise que toca um pilar da soberania e um pilar fundamental do Estado", afirmou Paulo Rangel, em declarações à Lusa, depois de ter colocado na rede social Twitter uma publicação sobre este tema.
O eurodeputado social-democrata, que já foi candidato à liderança do PSD, desvalorizou a remodelação hoje anunciada, não pela legitimidade do primeiro-ministro para a fazer, mas pelo momento escolhido, apenas dois dias depois da demissão do ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, que teve como base os desenvolvimentos do processo judicial sobre o material militar desaparecido do paiol de Tancos e depois reaparecido.
Estranhando que as chefias militares mais diretamente envolvidas no caso -- Chefe do Estado Maior do Exército e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas -- continuem em funções, Paulo Rangel defendeu que Azeredo Lopes "sai do Governo mais tarde do que o próprio gostaria, mas mais cedo do que o primeiro-ministro gostaria".
"Se ele estivesse ali mais tempo, a responsabilidade não passaria para o primeiro-ministro", defendeu.
O antigo secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins referiu-se em concreto ao reforço de poderes do ministro adjunto Siza Vieira, que passa a ter também a pasta da Economia.
"Se o ministro Siza vai acumular é porque já há decisão do Ministério Público no Tribunal Constitucional? Ou estou a ver mal? Não é novo, o PS perder a vergonha toda e opacidade ganhar este esplendor, mas com o Dr. Costa isto anda por patamares novos", escreveu José Eduardo Martins no Facebook.
Já o antigo 'vice' da bancada social-democrata Sérgio Azevedo escreveu, também no Facebook: "Não tenham ilusões. A remodelação governamental das pastas da cultura e da saúde são resultado da negociação para o OE2019".
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A dirigente do CDS-PP, Assunção Cristas critica as remodelações "sem rasgo", hoje anunciadas. Os partidos da esquerda também reagiram e o PSD ficou para o fim, ...mas ainda não é oficial
CDS
Uma das primeiras dirigentes políticas a reagir às mudanças no Governo foi a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas. Desvalorizou a remodelação governamental, afirmando que foi feita "por arrasto" do caso do furto de Tancos e que Governo e primeiro-ministro estão fragilizados.
As mudanças no executivo, feitas com "prata da casa", e "sem rasgo", são a "prova dos nove da extraordinária fragilidade do primeiro-ministro", afirmou Assunção Cristas no encerramento da escola de quadros da Juventude Popular (JP), em Peniche, Leiria.
"quem precisa de ser remodelado é António Costa", que "não tem estatura, não tem capacidade para liderar o Governo de Portugal", concluiu.
PCP
O PCP , em comunicado, defende que "o que é determinante é a política do Governo", mais do que a "perspetiva pessoal de cada ministro". Em reação à terceira e maior remodelação governamental anunciada, o PCP mais do que falar em nomes prefere defender que "para lá do papel que a partir da perspetiva pessoal de cada ministro e de como ela se traduz nas respetivas pastas ministeriais, o que é determinante é a política do Governo".
VERDES
O Partido Ecologista "Os Verdes" também já se pronunciou. Lamentou hoje que a remodelação governamental anunciada ocorra em "vésperas da entrega e discussão" do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) e pediu "mudanças de políticas".
"As vésperas da entrega e discussão do OE não parece ser o momento mais adequado para remodelações governamentais, tendo em conta a necessidade que o parlamento tem de esmiuçar as diferentes estratégias e rubricas e que o fará agora com ministros que não participaram na elaboração desse documento nas respetivas pastas que agora assumem", declararam Os Verdes em comunicado.
PAN
O deputado único do PAN, André Silva, também salienta a coincidência do calendário da remodelação e do debate do OE. "Relativamente ao 'timing', o Governo escolheu a melhor altura porque consegue que remodelação não fique no centro da atualidade política. Estamos em pleno debate do OE2019. [O 'timing'] parece que foi propositadamente escolhido, hoje, para que não ocupar o centro da atualidade", disse à Lusa.
"O novo ministro da Economia terá como grande desafio o setor do turismo porque o país precisa de encontrar formas mais sustentáveis para esta atividade e de descentralizar as grandes massas dos centros urbanos. Espero que seja capaz de conseguir encontrar formas alternativas", desejou André Silva.
Sobre a pasta da Defesa, que suscitou as alterações em virtude da demissão de Azeredo Lopes na sequência da polémica sobre desaparecimento de armas dos paióis de Tancos, o parlamentar do PAN referiu que o nome escolhido é o de "uma pessoa conhecida e reconhecida, com um currículo impressionante", estimando que a opção foi por uma "figura consensual capaz de reabilitar a imagem das forças armadas, bastante manchada nos últimos tempos".
"À nova Ministra da Cultura não conhecemos as posições sobre as tradições mais anacrónicas no nosso país, nomeadamente a tauromaquia. Esperamos que traga uma nova perspetiva sobre a matéria, de acordo com os valores éticos mais progressistas do século XXI", continuou André Silva.
"Quanto à transição energética, faz todo o sentido que seja incluída no Ministério do Ambiente. É necessário pensar de que formas ambientalmente sustentáveis o país pode dispensar as fontes de energia baseadas em hidrocarbonetos, mas mais importante é fazer-se uma alteração de paradigma e de prioridades nas políticas ambientais, que têm privilegiado os agentes económicos em detrimento do bem comum", disse.
PSD
O PSD prometeu para hoje ainda uma reação oficial sobre a remodelação governamental, mas alguns sociais-democratas já comentaram o tema nas redes sociais.
Uma das primeiras reações é de Carlos Abreu Amorim, ex-vice-presidente do grupo parlamentar do PSD. Rrecorreu à ironia para comentar esta remodelação: "Pelos vistos, a Tempestade Leslie soprou bem mais forte do que parecia. Varreu alguns lugares de cima a baixo..."
O Eurodeputado Paulo Rangel diz que o timing escolhido para a remodelação "visa ofuscar a questão de Estado extremamente grave que é Tancos".
"Não há nem furacão nem remodelação que retire a gravidade a Tancos. O primeiro-ministro tem de dar as suas explicações, não podemos ficar atordoados pela remodelação e distrair as atenções de uma crise que toca um pilar da soberania e um pilar fundamental do Estado", afirmou Paulo Rangel, em declarações à Lusa, depois de ter colocado na rede social Twitter uma publicação sobre este tema.
O eurodeputado social-democrata, que já foi candidato à liderança do PSD, desvalorizou a remodelação hoje anunciada, não pela legitimidade do primeiro-ministro para a fazer, mas pelo momento escolhido, apenas dois dias depois da demissão do ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, que teve como base os desenvolvimentos do processo judicial sobre o material militar desaparecido do paiol de Tancos e depois reaparecido.
Estranhando que as chefias militares mais diretamente envolvidas no caso -- Chefe do Estado Maior do Exército e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas -- continuem em funções, Paulo Rangel defendeu que Azeredo Lopes "sai do Governo mais tarde do que o próprio gostaria, mas mais cedo do que o primeiro-ministro gostaria".
"Se ele estivesse ali mais tempo, a responsabilidade não passaria para o primeiro-ministro", defendeu.
O antigo secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins referiu-se em concreto ao reforço de poderes do ministro adjunto Siza Vieira, que passa a ter também a pasta da Economia.
"Se o ministro Siza vai acumular é porque já há decisão do Ministério Público no Tribunal Constitucional? Ou estou a ver mal? Não é novo, o PS perder a vergonha toda e opacidade ganhar este esplendor, mas com o Dr. Costa isto anda por patamares novos", escreveu José Eduardo Martins no Facebook.
Já o antigo 'vice' da bancada social-democrata Sérgio Azevedo escreveu, também no Facebook: "Não tenham ilusões. A remodelação governamental das pastas da cultura e da saúde são resultado da negociação para o OE2019".