Há um ponto em que todos estão de acordo: é preciso garantir que mais jovens sigam para o ensino superior, num país em que metade dos que têm 18 anos não o faz. Mas a forma de o concretizar não tem sido consensual. O CDS-PP apresentou na terça-feira uma proposta nesse sentido, mas para já não colhe grandes adeptos.
De acordo com o defendido pelos centristas, os alunos que ficam de fora do ensino superior público por falta de vagas (esgotadas por colegas com notas de acesso superior) deviam ter a possibilidade de entrar na universidade, desde que pagassem o custo real da formação. Caberia às instituições de ensino decidir sobre a criação de vagas adicionais, tal como já fazem para os estudantes internacionais, ainda que dentro de determinados limites, explicou a presidente do partido, Assunção Cristas.
Ao Expresso, o presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), João Guerreiro, assume que o assunto é “delicado” e que, independentemente de o propósito da medida ser positivo, a sua implementação poderia ter consequências que pervertem o princípio da ‘meritocracia’ que regula o concurso de acesso ao ensino superior.
Era o que aconteceria, exemplifica, num curso em que a nota mínima de entrada é elevada e em que fossem criados lugares adicionais dando a possibilidade a quem tem classificações muito mais baixas de passar à frente de outros apenas porque pode pagar.
“A meritocracia que está, no nosso caso, associação às classificações do ensino secundário, fica submetida à capacidade financeira das famílias. Não é um bom princípio”, avalia o presidente da CNAES.
Aumentar vagas exige mais verbas
Também os presidentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e dos do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) chamam a atenção para a “subversão” do princípio do mérito.
“Pode criar dois tipos de estudantes consoante o rendimento familiar”, lembra o presidente do CRUP, Fontaínhas Fernandes, ressalvando ser esta uma opinião pessoal e não do conselho. “Esta é uma matéria que, dado a sua delicadeza, exige conhecer mais pormenores”.
Pedro Dominguinhos, presidente do CCISP diz, por seu turno, que as regras e os regimes de acesso ao ensino superior estão “estabilizados” e que uma alteração desta natureza nem promovia a “equidade no acesso”, como criava uma “parte privada dentro do sistema público” complicada de implementar e de aceitar.
Mesmo o paralelo que foi feito por Assunção Cristas em relação às vagas criadas para alunos internacionais – “trata-se de dar aos estudantes portugueses a mesma oportunidade que é dada a estrangeiros a estudar em universidades públicas e que pagam o ‘preço de mercado” – é visto com reservas pelos responsáveis ouvidos pelo Expresso.
“Para os estudantes internacionais, as instituições procuram também os melhores estudantes e analisam os respetivos percursos (matérias seguidas e classificações). E há candidatos que são rejeitados por não reunirem as condições estabelecidas pelas instituições”, lembra João Guerreiro.
Além disso, sublinham, a Agência de Avaliação do Ensino Superior quando acredita um curso define também um limite máximo de vagas, que as instituições podem canalizar para os diferentes contingentes. E estas não têm nem a possibilidade, nem a capacidade para ir além. É que não basta dizer que se abrem mais vagas, sem garantir os recursos, humanos e financeiros, para acolher mais estudantes, avisa o presidente do CCISP.
Categorias
Entidades
Há um ponto em que todos estão de acordo: é preciso garantir que mais jovens sigam para o ensino superior, num país em que metade dos que têm 18 anos não o faz. Mas a forma de o concretizar não tem sido consensual. O CDS-PP apresentou na terça-feira uma proposta nesse sentido, mas para já não colhe grandes adeptos.
De acordo com o defendido pelos centristas, os alunos que ficam de fora do ensino superior público por falta de vagas (esgotadas por colegas com notas de acesso superior) deviam ter a possibilidade de entrar na universidade, desde que pagassem o custo real da formação. Caberia às instituições de ensino decidir sobre a criação de vagas adicionais, tal como já fazem para os estudantes internacionais, ainda que dentro de determinados limites, explicou a presidente do partido, Assunção Cristas.
Ao Expresso, o presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), João Guerreiro, assume que o assunto é “delicado” e que, independentemente de o propósito da medida ser positivo, a sua implementação poderia ter consequências que pervertem o princípio da ‘meritocracia’ que regula o concurso de acesso ao ensino superior.
Era o que aconteceria, exemplifica, num curso em que a nota mínima de entrada é elevada e em que fossem criados lugares adicionais dando a possibilidade a quem tem classificações muito mais baixas de passar à frente de outros apenas porque pode pagar.
“A meritocracia que está, no nosso caso, associação às classificações do ensino secundário, fica submetida à capacidade financeira das famílias. Não é um bom princípio”, avalia o presidente da CNAES.
Aumentar vagas exige mais verbas
Também os presidentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e dos do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) chamam a atenção para a “subversão” do princípio do mérito.
“Pode criar dois tipos de estudantes consoante o rendimento familiar”, lembra o presidente do CRUP, Fontaínhas Fernandes, ressalvando ser esta uma opinião pessoal e não do conselho. “Esta é uma matéria que, dado a sua delicadeza, exige conhecer mais pormenores”.
Pedro Dominguinhos, presidente do CCISP diz, por seu turno, que as regras e os regimes de acesso ao ensino superior estão “estabilizados” e que uma alteração desta natureza nem promovia a “equidade no acesso”, como criava uma “parte privada dentro do sistema público” complicada de implementar e de aceitar.
Mesmo o paralelo que foi feito por Assunção Cristas em relação às vagas criadas para alunos internacionais – “trata-se de dar aos estudantes portugueses a mesma oportunidade que é dada a estrangeiros a estudar em universidades públicas e que pagam o ‘preço de mercado” – é visto com reservas pelos responsáveis ouvidos pelo Expresso.
“Para os estudantes internacionais, as instituições procuram também os melhores estudantes e analisam os respetivos percursos (matérias seguidas e classificações). E há candidatos que são rejeitados por não reunirem as condições estabelecidas pelas instituições”, lembra João Guerreiro.
Além disso, sublinham, a Agência de Avaliação do Ensino Superior quando acredita um curso define também um limite máximo de vagas, que as instituições podem canalizar para os diferentes contingentes. E estas não têm nem a possibilidade, nem a capacidade para ir além. É que não basta dizer que se abrem mais vagas, sem garantir os recursos, humanos e financeiros, para acolher mais estudantes, avisa o presidente do CCISP.