Sarmento: “Gosto de confronto, mas não pode haver diretas”

20-01-2019
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Política Sarmento: “Gosto de confronto, mas não pode haver diretas” 17.01.2019 às 1h31 Facebook Twitter Email Whatsapp Mais Google+ Linkedin Pinterest Link: FOTO Nuno Botelho O vice-presidente mais silencioso do PSD deu uma entrevista à RTP em que aponta o estilo de Rui Rio como um “erro” a “corrigir”, que o deixou abaixo dos resultados previstos. Mas depois transforma essas críticas em elogios. Quanto às diretas, refugia-se no cumprimento do mandato para repudiar o desafio de Montenegro. Chama “popularista” a Marcelo e compara Assunção Cristas a um “Lexotan” Vítor Matos Editor de política Nuno Morais Sarmento ainda não tinha falado em público sobre a liderança do partido desde que entrou para vice-presidente de Rui Rio há um ano. Era um dos silêncios mais intrigantes no partido, por nunca ter aparecido a defender o líder dos críticos internos. Esta quarta-feira, na RTP, na primeira entrevista que deu, foi ambíguo nas autocríticas que misturou com elogios: confessou que queria as diretas, mas não pode haver diretas. Reconheceu que Rui Rio tem de "corrigir" o estilo, e "acertar o registo de intervenção" que apontou como um "erro", mas depois elogiou-o. Disse que "Rui Rio não logrou alcançar os resultados que pretendia", mas foi porque o líder "não teve tempo". Sobre o Conselho Nacional desta quinta-feira, revelou o seu instinto: ir a jogo. Mas acha que a racionalidade deve prevalecer: não ir a jogo. "Talvez até Rui Rio gostasse de ir a diretas. Talvez eu gostasse que ele fosse a diretas. Eu se calhar até gostava. Gosto de confronto, mas não pode haver diretas". Nuno Morais Sarmento usa um argumento institucional para dizer que acima dos candidatos está o PSD, e defende a ideia de que um mandato só pode ser avaliado no fim e não a meio. Não se pronunciou, porém, sobre o facto de as votações no CN deverem ser secretas ou de braço no ar. Com as sondagens conhecidas, o PSD ainda pode ganhar as eleições? Sim, mas... respondeu ao jornalista Vítor Gonçalves "Pode com certeza ter essa ambição. Mas tem de corrigir... Não é apontar o dedo" à liderança, alegou Sarmento, mas Rui Rio deve "corrigir" os erros que tem cometido. Quais? Sarmento assinalou a existência de erros mas não foi demasiado explícito a identificá-los. Acabou por identificar o estilo do líder como um problema, mas transformou esse defeito numa virtude. "Gosto de olhar primeiro para os nossos erros. Seguramente está à vista que pretendíamos ter um resultado melhor nesta data", assumiu. Os erros? A "trepidação permanente" dos críticos, mas também a forma de Rio fazer política: "Rui Rio é uma personalidade que tem um registo de intervenção politica, de há 20 anos, que é diferente de Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo. Não faz melhor ou pior, as pessoas são diferentes". Não é "frenético", mas precisa de ter uma presença mais marcante. "Rui Rio tem de acertar um pouco o registo de intervenção do partido a essa ausência, a essa deficiência que sentimos no resultado sem descaracterizar o seu posicionamento". Nuno Morais Sarmento, acabaria por transformar aquilo que começou por apontar como um erro num elogio que serve de crítica a Montenegro e a apoiantes como Hugo Soares.: "Rui Rio não continuou aquilo do circo em que estávamos, de uma critica histérica permanente [ao Governo], feita com base na espuma dos dias". Resumindo, "Rio tem um registo mais ponderado, mais sério, mais maduro, que quis marcar desde o primeiro dia". Mas essas características tornam-no desajustado da realidade: "É evidente que [Rio] tem uma imparidade. Há um desajuste imediato" que "de início o país estranha". "Rio não alcançou os resultados que pretendia" Nuno Morais Sarmento diz que seria "tonto ignorar, e não perceber que, num ano de mandato, Rui Rio não logrou alcançar os resultados que pretendia." Desvaloriza as sondagens, acredita que se pode recuperar. Em resumo, não teve tempo: "Um ano na politica mediática é uma eternidade. Na construção de uma alternativa sólida não. Não se constrói e não se apresenta, a não ser que seja encomendada de fora ou plastificada em forma de soundbytes. Uma alternativa sólida obriga a uma conversa com a sociedade civil. Uma alternativa apresenta-se no ano das eleições". Para Montenegro, reservou uma colagem a Santana Lopes: "Alguns dos principais protagonistas desta trepidação queriam Pedro Santana Lopes. Deviam refletir um bocadinho antes de diabolizar uma liderança que não teve um tempo fácil". Marcelo é "popularista" e Cristas "um Lexotan" O vice-presidente do PSD criticou a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa - "frenesim de omnipresença" - por causa dos encontros com Rui Rio e Luís Montenegro. "Não compreeendo", afirmou, salvaguardando que Marcelo "ficará para a história porque, aconteça o que acontecer não se apagará o abraço que ele deu ao país". Mas classificou Marcelo como um "popularista", uma espécie de fusão entre ser popular e o populismo - reconhecendo que o PR está a servir de "ferrolho a extremismos". 'Popularista'? "Marcelo é inovador e merece uma palavra inovadora", respondeu Morais Sarmento. Ao contrário de Manuela Ferreira Leite, que repudia o rótulo de "direita", Sarmento vê o PSD como o partido "que esteve sempre à direita do PS", diz que não tem medo das palavras, insiste na expressão centro-direita, e rejeita coligações de Bloco Central com o PS. Quanto à direita propriamente dita, acha que haverá muita gente para lá do posicionamento de Assunção Cristas, que também se tem colocado mais ao centro: "Um português que pense mais à direita, não pensa como Assunção Cristas. Há mais espaço à direita". E remata assim, com uma metáfora farmacêutica: "Assunção Cristas, para quem se reveja em Marine Le Pen, é um Lexotan". Um calmante sedativo... Facebook Twitter Email Whatsapp Mais Google+ Linkedin Pinterest Link:

Política Sarmento: “Gosto de confronto, mas não pode haver diretas” 17.01.2019 às 1h31 Facebook Twitter Email Whatsapp Mais Google+ Linkedin Pinterest Link: FOTO Nuno Botelho O vice-presidente mais silencioso do PSD deu uma entrevista à RTP em que aponta o estilo de Rui Rio como um “erro” a “corrigir”, que o deixou abaixo dos resultados previstos. Mas depois transforma essas críticas em elogios. Quanto às diretas, refugia-se no cumprimento do mandato para repudiar o desafio de Montenegro. Chama “popularista” a Marcelo e compara Assunção Cristas a um “Lexotan” Vítor Matos Editor de política Nuno Morais Sarmento ainda não tinha falado em público sobre a liderança do partido desde que entrou para vice-presidente de Rui Rio há um ano. Era um dos silêncios mais intrigantes no partido, por nunca ter aparecido a defender o líder dos críticos internos. Esta quarta-feira, na RTP, na primeira entrevista que deu, foi ambíguo nas autocríticas que misturou com elogios: confessou que queria as diretas, mas não pode haver diretas. Reconheceu que Rui Rio tem de "corrigir" o estilo, e "acertar o registo de intervenção" que apontou como um "erro", mas depois elogiou-o. Disse que "Rui Rio não logrou alcançar os resultados que pretendia", mas foi porque o líder "não teve tempo". Sobre o Conselho Nacional desta quinta-feira, revelou o seu instinto: ir a jogo. Mas acha que a racionalidade deve prevalecer: não ir a jogo. "Talvez até Rui Rio gostasse de ir a diretas. Talvez eu gostasse que ele fosse a diretas. Eu se calhar até gostava. Gosto de confronto, mas não pode haver diretas". Nuno Morais Sarmento usa um argumento institucional para dizer que acima dos candidatos está o PSD, e defende a ideia de que um mandato só pode ser avaliado no fim e não a meio. Não se pronunciou, porém, sobre o facto de as votações no CN deverem ser secretas ou de braço no ar. Com as sondagens conhecidas, o PSD ainda pode ganhar as eleições? Sim, mas... respondeu ao jornalista Vítor Gonçalves "Pode com certeza ter essa ambição. Mas tem de corrigir... Não é apontar o dedo" à liderança, alegou Sarmento, mas Rui Rio deve "corrigir" os erros que tem cometido. Quais? Sarmento assinalou a existência de erros mas não foi demasiado explícito a identificá-los. Acabou por identificar o estilo do líder como um problema, mas transformou esse defeito numa virtude. "Gosto de olhar primeiro para os nossos erros. Seguramente está à vista que pretendíamos ter um resultado melhor nesta data", assumiu. Os erros? A "trepidação permanente" dos críticos, mas também a forma de Rio fazer política: "Rui Rio é uma personalidade que tem um registo de intervenção politica, de há 20 anos, que é diferente de Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo. Não faz melhor ou pior, as pessoas são diferentes". Não é "frenético", mas precisa de ter uma presença mais marcante. "Rui Rio tem de acertar um pouco o registo de intervenção do partido a essa ausência, a essa deficiência que sentimos no resultado sem descaracterizar o seu posicionamento". Nuno Morais Sarmento, acabaria por transformar aquilo que começou por apontar como um erro num elogio que serve de crítica a Montenegro e a apoiantes como Hugo Soares.: "Rui Rio não continuou aquilo do circo em que estávamos, de uma critica histérica permanente [ao Governo], feita com base na espuma dos dias". Resumindo, "Rio tem um registo mais ponderado, mais sério, mais maduro, que quis marcar desde o primeiro dia". Mas essas características tornam-no desajustado da realidade: "É evidente que [Rio] tem uma imparidade. Há um desajuste imediato" que "de início o país estranha". "Rio não alcançou os resultados que pretendia" Nuno Morais Sarmento diz que seria "tonto ignorar, e não perceber que, num ano de mandato, Rui Rio não logrou alcançar os resultados que pretendia." Desvaloriza as sondagens, acredita que se pode recuperar. Em resumo, não teve tempo: "Um ano na politica mediática é uma eternidade. Na construção de uma alternativa sólida não. Não se constrói e não se apresenta, a não ser que seja encomendada de fora ou plastificada em forma de soundbytes. Uma alternativa sólida obriga a uma conversa com a sociedade civil. Uma alternativa apresenta-se no ano das eleições". Para Montenegro, reservou uma colagem a Santana Lopes: "Alguns dos principais protagonistas desta trepidação queriam Pedro Santana Lopes. Deviam refletir um bocadinho antes de diabolizar uma liderança que não teve um tempo fácil". Marcelo é "popularista" e Cristas "um Lexotan" O vice-presidente do PSD criticou a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa - "frenesim de omnipresença" - por causa dos encontros com Rui Rio e Luís Montenegro. "Não compreeendo", afirmou, salvaguardando que Marcelo "ficará para a história porque, aconteça o que acontecer não se apagará o abraço que ele deu ao país". Mas classificou Marcelo como um "popularista", uma espécie de fusão entre ser popular e o populismo - reconhecendo que o PR está a servir de "ferrolho a extremismos". 'Popularista'? "Marcelo é inovador e merece uma palavra inovadora", respondeu Morais Sarmento. Ao contrário de Manuela Ferreira Leite, que repudia o rótulo de "direita", Sarmento vê o PSD como o partido "que esteve sempre à direita do PS", diz que não tem medo das palavras, insiste na expressão centro-direita, e rejeita coligações de Bloco Central com o PS. Quanto à direita propriamente dita, acha que haverá muita gente para lá do posicionamento de Assunção Cristas, que também se tem colocado mais ao centro: "Um português que pense mais à direita, não pensa como Assunção Cristas. Há mais espaço à direita". E remata assim, com uma metáfora farmacêutica: "Assunção Cristas, para quem se reveja em Marine Le Pen, é um Lexotan". Um calmante sedativo... Facebook Twitter Email Whatsapp Mais Google+ Linkedin Pinterest Link:

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