Fado Falado: Rivoli, outra vez (RPS)

29-03-2019
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Há três-quatro anos, numa fase em que ensaiei fazer um Mestrado, assisti a uma conferência sobre Políticas Culturais, proferida por Augusto Santos Silva, então deputado do PS e ex-ministro da Cultura e também da Educação.Santos Silva procurou definir e fazer uma distinção entre uma Política Cultural de Direita e uma Política Cultural de Esquerda. A dado passo, apontou como marca-forte de uma Política Cultural de Esquerda a concessão de apoios directos (subsídios, dinheiro) à produção e aos produtores, ou seja, aos agentes culturais. É exactamente por isto que eu, em matéria de Política de Cultura, sou de Direita.Devo dizer que a conferência foi excelente - foram as duas melhores horas do meu Mestrado, para além das aulas de Ciência Política do meu amigo Milan Rados.Santos Silva mostrou conhecimentos, capacidade de comunicação e não foi minimamente sectário. Ao enumerar as fragilidades das diferentes políticas, não deixou de afirmar que a prática da concessão de subsídios constituía uma das fragilidades de uma Política Cultural de Esquerda, já que, sendo preciso seleccionar os beneficiários, era impossível adoptar um critério cem por cento justo ou neutro. Obviamente que corre-se o risco de aquele que dá dinheiro acabar por beneficiar os amigos, os próximos, os politicamente próximos... E, acrescento eu, sabemos como são os agentes culturais, ou a sua maioria: uns chulos. Ou, então, uns presumidos (veja-se o caso recente de Maria João Pires) que partem do princípio de que, por serem gente da Cultura, o Estado tem o dever de lhes satisfazer todos os caprichos.Vem isto a propósito do caso do Rivoli. Concessionar a privados a gestão de um Teatro Municipal é, obviamente, uma opção de Direita. Não me repugna o anterior modelo, mas, em tempo de crise, a opção da Câmara do Porto parece-me totalmente justificada. E parece-me tanto mais justificada quanto vivemos um tempo em que as pessoas já acham natural que empresas encerrem e em que trabalhadores negoceiam perda de direitos e baixas de salários para manterem postos de trabalho. Não é isso muito mais revoltante?!Acresce que a proposta da Câmara do Porto me parece equilibrada, tendo em conta algumas das cláusulas tornadas públicas: garante actividade e animação em 300 noites por ano (quantas há, actualmente?...) e garante produções experimentais e para crianças. O edifício continua a pertencer à autarquia e o contrato é a termo. Ouvi Rui Rio explicar que se definiu um prazo de quatro anos de modo a que o contrato não expire em cima do próximo período eleitoral e para que aqueles que possam vir a seguir possam, um ano depois de eleitos, tomar outra opção.Admito perfeitamente que se possa ser contra a proposta da Câmara do Porto, mas ainda não ouvi um argumento convincente. Aliás, é difícil encontrar argumentos válidos no meio da histeria.O movimento de oposição à concessão do Rivoli tem como principal factor impulsionador a oposição a Rui Rio. Fazer oposição a Rio é algo totalmente legítimo e necessário, mas importava que fosse trabalho bem feito. Como Rui Sá faz esporadicamente.Sendo a questão do Rivoli um mero pretexto para contestar a pessoa de Rui Rio, domina na argumentação dos opositores a demagogia e a má fé. Afirmar, como li num comment no meu anterior post sobre este assunto, que, ao fazer um contrato a termo para concessionar a gestão do Rivoli, Rui Rio está a destruir, tranquilamente, o património do Porto também pode ser visto como uma mera cretinice. Mas o comentador mcjaku não é um cretino.Há uns dias, durante uma vigília frente ao Rivoli, vi os de sempre: os subsídio-dependentes, os esquerdistas ressabiados, os socialistas-burgueses também ressabiados, os mirones do costume (com a excepção do Animal ou Empelastro, por onde andava ele?...) e, claro, o incontornável Abrunhosa. Não o via desde um protesto idêntico, no Bolhão. A propósito: o que fez, desde aí, Abrunhosa em prol dos comerciantes do Bolhão?... Espero que alguém o questione sobre isso no próximo protesto anti-Rui Rio. Onde estejam câmaras de televisão, claro...

Há três-quatro anos, numa fase em que ensaiei fazer um Mestrado, assisti a uma conferência sobre Políticas Culturais, proferida por Augusto Santos Silva, então deputado do PS e ex-ministro da Cultura e também da Educação.Santos Silva procurou definir e fazer uma distinção entre uma Política Cultural de Direita e uma Política Cultural de Esquerda. A dado passo, apontou como marca-forte de uma Política Cultural de Esquerda a concessão de apoios directos (subsídios, dinheiro) à produção e aos produtores, ou seja, aos agentes culturais. É exactamente por isto que eu, em matéria de Política de Cultura, sou de Direita.Devo dizer que a conferência foi excelente - foram as duas melhores horas do meu Mestrado, para além das aulas de Ciência Política do meu amigo Milan Rados.Santos Silva mostrou conhecimentos, capacidade de comunicação e não foi minimamente sectário. Ao enumerar as fragilidades das diferentes políticas, não deixou de afirmar que a prática da concessão de subsídios constituía uma das fragilidades de uma Política Cultural de Esquerda, já que, sendo preciso seleccionar os beneficiários, era impossível adoptar um critério cem por cento justo ou neutro. Obviamente que corre-se o risco de aquele que dá dinheiro acabar por beneficiar os amigos, os próximos, os politicamente próximos... E, acrescento eu, sabemos como são os agentes culturais, ou a sua maioria: uns chulos. Ou, então, uns presumidos (veja-se o caso recente de Maria João Pires) que partem do princípio de que, por serem gente da Cultura, o Estado tem o dever de lhes satisfazer todos os caprichos.Vem isto a propósito do caso do Rivoli. Concessionar a privados a gestão de um Teatro Municipal é, obviamente, uma opção de Direita. Não me repugna o anterior modelo, mas, em tempo de crise, a opção da Câmara do Porto parece-me totalmente justificada. E parece-me tanto mais justificada quanto vivemos um tempo em que as pessoas já acham natural que empresas encerrem e em que trabalhadores negoceiam perda de direitos e baixas de salários para manterem postos de trabalho. Não é isso muito mais revoltante?!Acresce que a proposta da Câmara do Porto me parece equilibrada, tendo em conta algumas das cláusulas tornadas públicas: garante actividade e animação em 300 noites por ano (quantas há, actualmente?...) e garante produções experimentais e para crianças. O edifício continua a pertencer à autarquia e o contrato é a termo. Ouvi Rui Rio explicar que se definiu um prazo de quatro anos de modo a que o contrato não expire em cima do próximo período eleitoral e para que aqueles que possam vir a seguir possam, um ano depois de eleitos, tomar outra opção.Admito perfeitamente que se possa ser contra a proposta da Câmara do Porto, mas ainda não ouvi um argumento convincente. Aliás, é difícil encontrar argumentos válidos no meio da histeria.O movimento de oposição à concessão do Rivoli tem como principal factor impulsionador a oposição a Rui Rio. Fazer oposição a Rio é algo totalmente legítimo e necessário, mas importava que fosse trabalho bem feito. Como Rui Sá faz esporadicamente.Sendo a questão do Rivoli um mero pretexto para contestar a pessoa de Rui Rio, domina na argumentação dos opositores a demagogia e a má fé. Afirmar, como li num comment no meu anterior post sobre este assunto, que, ao fazer um contrato a termo para concessionar a gestão do Rivoli, Rui Rio está a destruir, tranquilamente, o património do Porto também pode ser visto como uma mera cretinice. Mas o comentador mcjaku não é um cretino.Há uns dias, durante uma vigília frente ao Rivoli, vi os de sempre: os subsídio-dependentes, os esquerdistas ressabiados, os socialistas-burgueses também ressabiados, os mirones do costume (com a excepção do Animal ou Empelastro, por onde andava ele?...) e, claro, o incontornável Abrunhosa. Não o via desde um protesto idêntico, no Bolhão. A propósito: o que fez, desde aí, Abrunhosa em prol dos comerciantes do Bolhão?... Espero que alguém o questione sobre isso no próximo protesto anti-Rui Rio. Onde estejam câmaras de televisão, claro...

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