Bom dia,
começámos a semana com o caso das suspeitas sobre Manuel Pinho a entrar pela política nacional com grande força. E acabámos a semana com a saída de José Sócrates do PS a dominar as atenções. Comum aos dois casos? As suspeitas de corrupção que recaem sobre os ex-governantes socialistas. Estes são naturalmente dois dos temas fortes da edição do Expresso desta semana.
Como o é também a entrevista a Joana Vasconcelos Uma grande entrevista, polémica como a artista.
Aqui ficam os meus destaques de um jornal que conta ainda com um texto do Hérberto Helder, com uma rara entrevista a Mariana Vieira da Silva e com Francisco Louçã a escrever sobre o Maio de 68.
Grandes leituras para um fim de semana de bom tempo.
Costa promete: congresso não será centrado “na espuma dos dias”
António Costa prefere olhar em frente. Com a “casa socialista” a arder durante a sua ausência no Canadá sob os efeitos da crise Sócrates, diz-se surpreendido pelo que se passou mas prefere concentrar-se no principal: o congresso que se iniciará dentro de duas semanas na Batalha e deverá traçar os rumos do partido para as lutas eleitorais que se avizinham. No seu entender, a reunião magna dos socialistas não será abalada, nem contaminada. “O Congresso será centrado nos desafios estratégicos do país e não na espuma dos dias”, afirmou ao Expresso.
Sócrates não ficará calado: isto é só o início
A frase-chave da despedida de José Sócrates do PS é aquela em que o ex-primeiro-ministro diz “ter chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo”. Está no artigo de opinião que publicou no “Jornal de Notícias” e alerta-nos para algo não necessariamente evidente: afinal, não foi só a sua detenção e os 31 crimes de que está acusado a embaraçarem o PS. Também foi o PS a embaraçá-lo a ele, ao demarcar-se do seu processo e ao recusar defendê-lo de uma “condenação sem julgamento”. A decisão de abandonar o partido tem, segundo o próprio, esse duplo efeito: liberta o atual líder socialista e liberta-o a ele. Ao que o Expresso apurou, Sócrates está disposto a partir a loiça e não vai ficar calado.
Entrevista a Mariana Vieira da Silva, o braço direito de António Costa no Governo
“O PS deve ser implacável com quem não cumpre”
Esta entrevista tem uma história atribulada. Foi realizada quarta-feira, no gabinete de António Costa, ao Largo do Rato, com o propósito de falar da moção do líder ao congresso do PS, que se realiza entre 25 e 27 de maio na Batalha. Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado-adjunta do primeiro-ministro e braço-direito do chefe do Governo, coordenou o texto orientador do secretário-geral. Acontece que, naquele momento, não tinha ouvido as últimas declarações de Carlos César sobre José Sócrates e Manuel Pinho. Limitou-se a falar do último, que considerou “intolerável”. Mas quando questionada sobre Sócrates, manteve o discurso oficial sobre a necessidade de a justiça fazer o seu trabalho. Dois dias depois, com a “desfiliação” do ex-líder, essa parte da entrevista foi repetida. Hoje pode ler o resultado da conversa.
CASO PINHO, o futuro preso por uma folha de cálculo
Afinal não foi um nem dois, mas 3,5 milhões de euros que o antigo ministro da Economia recebeu do ‘saco azul’ do GES. As provas residem numa folha de Excel
Nesta edição falamos ainda sobre a nova vida de Manuel Pinho, entre a Austrália, a China e os EUA e a dar conferências por €12.500.
PSD pondera inquérito à “teia” de Pinho e Sócrates
O PSD não põe de parte a possibilidade de propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a “teia” em que aparecem envolvidos José Sócrates e Manuel Pinho, com suspeitas de pagamento por parte de entidades privadas em troca de pareceres favoráveis. A decisão não está tomada, mas “todos os cenários estão em aberto, incluindo esse”, confirmou o Expresso junto de um alto responsável social-democrata.
Quem pr€cisa mais dos milhões da Champions?
No dia do Sporting-Benfica que podia ser decisivo para o título mas afinal só deve ser decisivo para se perceber qual dos dois clubes terá entrada direta na Champions no ano que vem, o Expresso foi fazer as contas. Qual dos clubes mais precisa das verbas milionárias vindas da UEFA? Qual ficará em pior estado se não chegar lá?
Herberto Helder: Um passeio ao campo
Em dia de dérbi lisboeta, o Expresso publica uma crónica desconhecida do poeta português sobre um Sporting-Benfica de 1972, incluída no livro “em minúsculas”, lançado ontem pela Porto Editora
"No gracioso ano de 1951, fomos todos ver um Académica-Benfica, em Coimbra. Éramos um grupo que se tinha vindo a preparar desde muito cedo, com copos de tinto e pasteizinhos de bacalhau. Foi uma boa preparação, porque, quando chegámos lá, estávamos prontos para uma quantidade de coisas. Para gritar, por exemplo. Começámos a gritar. De repente, alguém achou que era necessário as pessoas darem porrada umas nas outras. E então demos porrada umas nas outras. Depois, acabou. Nunca mais fui ao futebol. Tinha sido divertido de mais, e eu receava dedicar o resto da minha vida às fascinações do tinto, do grito e da batatada no meio da cabeça."
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Bom dia,
começámos a semana com o caso das suspeitas sobre Manuel Pinho a entrar pela política nacional com grande força. E acabámos a semana com a saída de José Sócrates do PS a dominar as atenções. Comum aos dois casos? As suspeitas de corrupção que recaem sobre os ex-governantes socialistas. Estes são naturalmente dois dos temas fortes da edição do Expresso desta semana.
Como o é também a entrevista a Joana Vasconcelos Uma grande entrevista, polémica como a artista.
Aqui ficam os meus destaques de um jornal que conta ainda com um texto do Hérberto Helder, com uma rara entrevista a Mariana Vieira da Silva e com Francisco Louçã a escrever sobre o Maio de 68.
Grandes leituras para um fim de semana de bom tempo.
Costa promete: congresso não será centrado “na espuma dos dias”
António Costa prefere olhar em frente. Com a “casa socialista” a arder durante a sua ausência no Canadá sob os efeitos da crise Sócrates, diz-se surpreendido pelo que se passou mas prefere concentrar-se no principal: o congresso que se iniciará dentro de duas semanas na Batalha e deverá traçar os rumos do partido para as lutas eleitorais que se avizinham. No seu entender, a reunião magna dos socialistas não será abalada, nem contaminada. “O Congresso será centrado nos desafios estratégicos do país e não na espuma dos dias”, afirmou ao Expresso.
Sócrates não ficará calado: isto é só o início
A frase-chave da despedida de José Sócrates do PS é aquela em que o ex-primeiro-ministro diz “ter chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo”. Está no artigo de opinião que publicou no “Jornal de Notícias” e alerta-nos para algo não necessariamente evidente: afinal, não foi só a sua detenção e os 31 crimes de que está acusado a embaraçarem o PS. Também foi o PS a embaraçá-lo a ele, ao demarcar-se do seu processo e ao recusar defendê-lo de uma “condenação sem julgamento”. A decisão de abandonar o partido tem, segundo o próprio, esse duplo efeito: liberta o atual líder socialista e liberta-o a ele. Ao que o Expresso apurou, Sócrates está disposto a partir a loiça e não vai ficar calado.
Entrevista a Mariana Vieira da Silva, o braço direito de António Costa no Governo
“O PS deve ser implacável com quem não cumpre”
Esta entrevista tem uma história atribulada. Foi realizada quarta-feira, no gabinete de António Costa, ao Largo do Rato, com o propósito de falar da moção do líder ao congresso do PS, que se realiza entre 25 e 27 de maio na Batalha. Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado-adjunta do primeiro-ministro e braço-direito do chefe do Governo, coordenou o texto orientador do secretário-geral. Acontece que, naquele momento, não tinha ouvido as últimas declarações de Carlos César sobre José Sócrates e Manuel Pinho. Limitou-se a falar do último, que considerou “intolerável”. Mas quando questionada sobre Sócrates, manteve o discurso oficial sobre a necessidade de a justiça fazer o seu trabalho. Dois dias depois, com a “desfiliação” do ex-líder, essa parte da entrevista foi repetida. Hoje pode ler o resultado da conversa.
CASO PINHO, o futuro preso por uma folha de cálculo
Afinal não foi um nem dois, mas 3,5 milhões de euros que o antigo ministro da Economia recebeu do ‘saco azul’ do GES. As provas residem numa folha de Excel
Nesta edição falamos ainda sobre a nova vida de Manuel Pinho, entre a Austrália, a China e os EUA e a dar conferências por €12.500.
PSD pondera inquérito à “teia” de Pinho e Sócrates
O PSD não põe de parte a possibilidade de propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a “teia” em que aparecem envolvidos José Sócrates e Manuel Pinho, com suspeitas de pagamento por parte de entidades privadas em troca de pareceres favoráveis. A decisão não está tomada, mas “todos os cenários estão em aberto, incluindo esse”, confirmou o Expresso junto de um alto responsável social-democrata.
Quem pr€cisa mais dos milhões da Champions?
No dia do Sporting-Benfica que podia ser decisivo para o título mas afinal só deve ser decisivo para se perceber qual dos dois clubes terá entrada direta na Champions no ano que vem, o Expresso foi fazer as contas. Qual dos clubes mais precisa das verbas milionárias vindas da UEFA? Qual ficará em pior estado se não chegar lá?
Herberto Helder: Um passeio ao campo
Em dia de dérbi lisboeta, o Expresso publica uma crónica desconhecida do poeta português sobre um Sporting-Benfica de 1972, incluída no livro “em minúsculas”, lançado ontem pela Porto Editora
"No gracioso ano de 1951, fomos todos ver um Académica-Benfica, em Coimbra. Éramos um grupo que se tinha vindo a preparar desde muito cedo, com copos de tinto e pasteizinhos de bacalhau. Foi uma boa preparação, porque, quando chegámos lá, estávamos prontos para uma quantidade de coisas. Para gritar, por exemplo. Começámos a gritar. De repente, alguém achou que era necessário as pessoas darem porrada umas nas outras. E então demos porrada umas nas outras. Depois, acabou. Nunca mais fui ao futebol. Tinha sido divertido de mais, e eu receava dedicar o resto da minha vida às fascinações do tinto, do grito e da batatada no meio da cabeça."