Sondagens são sondagens. Quem ganha valoriza, quem perde relativiza

22-05-2019
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Todos os inquéritos se aproximam numa conclusão: o PS ganha as eleições. Se é arriscado prever um resultado por causa da abstenção, há uma tendência evidente: os socialistas estão a ganhar distância em relação ao PSD. Se a sondagem do ICS-ISCTE para o Expresso e a SIC deu o PS oito pontos percentuais à frente dos sociais-democratas, a da Católica para a RTP estimou essa vantagem em dez pontos - e foi conhecida esta segunda-feira no dia do debate. A Eurosondagem já tinha previsto uma diferença de sete ponto percentuais. E só a Aximage chegou a dar os dois maiores partidos quase empatados. Nas campanhas há um reflexo: o PS mais defensivo e o PSD mais ao ataque, o que também será consequência de um partido estar no Governo e outro na oposição.Em reação aos potenciais resultados, o cabeça de lista do PS, Pedro Marques, reconheceu esta terça-feira que "as sondagens são ferramentas de trabalho importantes, mas são sondagens". Não embandeirou em arco, mas usou um truque habitual: as reações das pessoas confirmam o que dizem os estudos. "As sondagens que existem, desde a pré campanha, colocam, todas, o PS à frente" - assumiu o candidato - "e confirmam as sensações que temos tido na rua: apoio, simpatia e reconhecimento sobre o trabalho que temos feito. Mas o importante é o voto no próximo domingo". Claro, sem voto no domingo as sondagens não servem para nada.

Os partidos sofrem pelas sondagens, anseiam por saber os resultados, usam os estudos que analisam à lupa para planear estratégias, decidir como reagir, acelerar, travar, atacar ou defender uma posição. Oficialmente, não. As sondagens são apenas sondagens e a verdadeira sondagem é no dia das eleições.

No PSD, Paulo Rangel diz o que os políticos costumam repetir quando as previsões não lhes são favoráveis. Não dão importância a estudos tão falíveis: “Valorizamos as sondagens muito pouco. Se eu for olhar às sondagens que tive para as europeias, numa perdíamos, e ganhámos, noutra íamos ter uma diferença de oito ou nove pontos e tivemos uma diferença que foi o ‘poucochinho’ de António Costa". Depois de "relativizar" a importância dos inquéritos, usa o argumento da rua como Pedro Marques, mas para contrariar as previsões: quando as sondagens são más, o argumento é sempre a reação calorosa do povo à passagem da caravana: "A dinâmica da campanha é muito positiva. Eu sempre me dei bem com más sondagens, não me preocupo com estas".

No CDS, o costume. Os centristas estão habituados a serem sempre desvalorizados e admitem o trauma dos estudos de opinião que já os subestimaram uma e outra vez - nas europeias de 2009, em que o partido elegeu dois eurodeputados, uma sondagem na semana anterior às eleições apontava que nem sequer conseguiriam qualquer assento em Bruxelas. No CDS ouve-se sempre a mesma resposta em duas partes: os centristas recebem um kit anti-vacinas quando se filiam, a verdadeira sondagem é a da rua e essa corre-lhes bem.

A resposta sobre a sondagem que esta segunda-feira atribuía 8% ao CDS, ainda assim uma previsão simpática, foi mais ou menos a mesma: as sondagens são “normalmente más” para o partido, por isso o partido não as valoriza. Mas para quem não quer saber de sondagens, Nuno Melo trazia os números bem estudados e fez questão de notar que os 8% mostram uma tendência de crescimento do partido, embora PCP e BE (com 8% e 9% respetivamente) estejam numa posição virtualmente igual, tendo em conta a margem de erro do estudo. O objetivo que o CDS fixa agora tem precisamente a ver com os dois partidos com uma dimensão mais parecida com a sua: quer ficar à frente da CDU (que atualmente senta três eurodeputados em Bruxelas) e BE (que, como o CDS, elege um). Com uma fasquia bem específica já estabelecida, o que acontece se falhar o objetivo? “É a vida”, responde simplesmente o candidato.

Na CDU, João Ferreira, tal como Jerónimo de Sousa, têm sempre desvalorizado as sondagens. "A verdadeira sondagem é feita nas urnas" é já um clássico das campanhas, mas com os dados divulgados na segunda-feira, o cabeça de lista da CDU à Europa foi, novamente, confrontado com a possibilidade da perda de um dos três lugares, anteriormente conquistados no Parlamento de Bruxelas. "Estamos empenhados em construir um resultado que não está feito", afirmou João Ferreira, que repete a deixa: "Não somos espectadores ou comentadores, somos construtores de um resultado". E, na verdade, até vislumbra que vai "ser bom" e até de "reforço da votação na CDU."

No Bloco não houve respostas concretas sobre as estimativas e no debate da RTP Marisa Matias já tinha dado sinal de que o resultado que se deve respeitar é o da verdadeira votação. Toda a gente sabe que no domingo não estaremos perante uma sondagem, mas diante dos resultados definitivos. Esses sim, podem ter consequências.

Artigo atualizado e corrigido com reação da CDU.

Todos os inquéritos se aproximam numa conclusão: o PS ganha as eleições. Se é arriscado prever um resultado por causa da abstenção, há uma tendência evidente: os socialistas estão a ganhar distância em relação ao PSD. Se a sondagem do ICS-ISCTE para o Expresso e a SIC deu o PS oito pontos percentuais à frente dos sociais-democratas, a da Católica para a RTP estimou essa vantagem em dez pontos - e foi conhecida esta segunda-feira no dia do debate. A Eurosondagem já tinha previsto uma diferença de sete ponto percentuais. E só a Aximage chegou a dar os dois maiores partidos quase empatados. Nas campanhas há um reflexo: o PS mais defensivo e o PSD mais ao ataque, o que também será consequência de um partido estar no Governo e outro na oposição.Em reação aos potenciais resultados, o cabeça de lista do PS, Pedro Marques, reconheceu esta terça-feira que "as sondagens são ferramentas de trabalho importantes, mas são sondagens". Não embandeirou em arco, mas usou um truque habitual: as reações das pessoas confirmam o que dizem os estudos. "As sondagens que existem, desde a pré campanha, colocam, todas, o PS à frente" - assumiu o candidato - "e confirmam as sensações que temos tido na rua: apoio, simpatia e reconhecimento sobre o trabalho que temos feito. Mas o importante é o voto no próximo domingo". Claro, sem voto no domingo as sondagens não servem para nada.

Os partidos sofrem pelas sondagens, anseiam por saber os resultados, usam os estudos que analisam à lupa para planear estratégias, decidir como reagir, acelerar, travar, atacar ou defender uma posição. Oficialmente, não. As sondagens são apenas sondagens e a verdadeira sondagem é no dia das eleições.

No PSD, Paulo Rangel diz o que os políticos costumam repetir quando as previsões não lhes são favoráveis. Não dão importância a estudos tão falíveis: “Valorizamos as sondagens muito pouco. Se eu for olhar às sondagens que tive para as europeias, numa perdíamos, e ganhámos, noutra íamos ter uma diferença de oito ou nove pontos e tivemos uma diferença que foi o ‘poucochinho’ de António Costa". Depois de "relativizar" a importância dos inquéritos, usa o argumento da rua como Pedro Marques, mas para contrariar as previsões: quando as sondagens são más, o argumento é sempre a reação calorosa do povo à passagem da caravana: "A dinâmica da campanha é muito positiva. Eu sempre me dei bem com más sondagens, não me preocupo com estas".

No CDS, o costume. Os centristas estão habituados a serem sempre desvalorizados e admitem o trauma dos estudos de opinião que já os subestimaram uma e outra vez - nas europeias de 2009, em que o partido elegeu dois eurodeputados, uma sondagem na semana anterior às eleições apontava que nem sequer conseguiriam qualquer assento em Bruxelas. No CDS ouve-se sempre a mesma resposta em duas partes: os centristas recebem um kit anti-vacinas quando se filiam, a verdadeira sondagem é a da rua e essa corre-lhes bem.

A resposta sobre a sondagem que esta segunda-feira atribuía 8% ao CDS, ainda assim uma previsão simpática, foi mais ou menos a mesma: as sondagens são “normalmente más” para o partido, por isso o partido não as valoriza. Mas para quem não quer saber de sondagens, Nuno Melo trazia os números bem estudados e fez questão de notar que os 8% mostram uma tendência de crescimento do partido, embora PCP e BE (com 8% e 9% respetivamente) estejam numa posição virtualmente igual, tendo em conta a margem de erro do estudo. O objetivo que o CDS fixa agora tem precisamente a ver com os dois partidos com uma dimensão mais parecida com a sua: quer ficar à frente da CDU (que atualmente senta três eurodeputados em Bruxelas) e BE (que, como o CDS, elege um). Com uma fasquia bem específica já estabelecida, o que acontece se falhar o objetivo? “É a vida”, responde simplesmente o candidato.

Na CDU, João Ferreira, tal como Jerónimo de Sousa, têm sempre desvalorizado as sondagens. "A verdadeira sondagem é feita nas urnas" é já um clássico das campanhas, mas com os dados divulgados na segunda-feira, o cabeça de lista da CDU à Europa foi, novamente, confrontado com a possibilidade da perda de um dos três lugares, anteriormente conquistados no Parlamento de Bruxelas. "Estamos empenhados em construir um resultado que não está feito", afirmou João Ferreira, que repete a deixa: "Não somos espectadores ou comentadores, somos construtores de um resultado". E, na verdade, até vislumbra que vai "ser bom" e até de "reforço da votação na CDU."

No Bloco não houve respostas concretas sobre as estimativas e no debate da RTP Marisa Matias já tinha dado sinal de que o resultado que se deve respeitar é o da verdadeira votação. Toda a gente sabe que no domingo não estaremos perante uma sondagem, mas diante dos resultados definitivos. Esses sim, podem ter consequências.

Artigo atualizado e corrigido com reação da CDU.

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