O vício do trabalho

17-06-2016
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Abdicar de si, dos amigos e da família em prol da carreira pode ser o indício de uma obsessão pelo trabalho com consequências graves.

«Durante um ano e meio deixei de ter tempo para mim, para

os amigos e para a família. Chegava ao escritório antes da hora de entrada,

prescindia da minha hora de almoço e ficava a trabalhar até de madrugada», recorda a consultora de comunicação Sofia Andrade.

«Os fins de semana eram passados a trabalhar e cheguei ao ponto de não

ter fome, nem sono. Em 17 anos de carreira, nunca tinha passado por uma

situação semelhante. Estava completamente viciada no trabalho», refere ainda esta mulher que, aos 38 anos, depois de longos períodos de uma entrega profissional quase absoluta, sentiu na pele

as consequências mais perigosas do workaholismo, um problema que começa

no envolvimento excessivo com o trabalho e que, na última década, tem vindo a aumentar de forma quase galopante.

Quando a vida pessoa passa para segundo plano

«O trabalho é uma peça

central na vida das pessoas

e na satisfação de diversas

necessidades, sendo encarado,

até, como uma atividade

saudável. Contudo, em alguns

casos, há um compromisso

demasiado pesado com o

trabalho, em prejuízo da vida

pessoal e familiar», pode ler-se

no trabalho de investigação

«O excesso de trabalho mata ou

dá prazer? - Uma exploração dos

antecedentes e consequentes do

workaholismo», de Jorge Gomes e

Patrícia Soares, investigadores

na área da psicologia social

e das organizações.

Uma

afirmação que retrata bem o

caso de Sofia Andrade, que viu a vida

profissional sobrepor-se a

todas as outras áreas da sua

vida. «Deixei de ir ao ginásio,

de comparecer nos almoços de

família, de sair com os amigos

e acabei por adiar um objetivo

pessoal muito importante para

mim, a maternidade», revela a consultora de comunicação.

O que está por trás do workaholismo

O caso de sofia está muito

longe de ser um acaso ou

uma exceção. No mesmo

estudo, realizado em

Portugal, em 2011, mais

de 60% dos inquiridos

revelaram ser afetados pelo

workaholismo. Na origem deste

comportamento, estão certos

traços da personalidade ou

experiências socioculturais,

mas também a existência de

reforços positivos perante

comportamentos workaholicos, da infância à idade adulta.

Alguns autores sugerem

que os indivíduos com

baixa autoestima estão mais

predispostos a tornarem-se

workaholics porque procuram

encontrar gratificações no

trabalho que não conseguem

ter noutras atividades. Outros

dizem que é a necessidade

de realização que predispõe

as pessoas para um foco

excessivo no êxito da

carreira. A dependência do

trabalho pode também estar

relacionada com determinadas

experiências familiares ou

laborais.

Por um lado, pode

ser uma fuga socialmente

aceite à família. Por outro, uma

exigência da própria empresa.

Dois anos depois de ter vivido

um episódio de workaholismo,

Sofia Andrade reconhece que a dependência que desenvolveu

se deveu em parte à filosofia

da empresa onde trabalhava.

«Havia uma exigência muito

grande ao ponto de nos

incutirem medo e represálias,

caso os objetivos definidos não

fossem atingidos», lembra.

Mas não só. Ia bastante mais para além disso!

«O meu foco era o trabalho.

Queria cumprir as minhas

funções da melhor maneira e

com o maior profissionalismo.

Geralmente, ia sempre além

de todas as expectativas dos

clientes e das chefias. Estava

a zelar pelo bom nome da

empresa e pelo meu enquanto

consultora há já vários anos.

esqueci a Sofia como pessoa e

só via a Sofia profissional», sublinha Sofia Andrade.

Veja na página seguinte: Depressão versus profissionalismo

Abdicar de si, dos amigos e da família em prol da carreira pode ser o indício de uma obsessão pelo trabalho com consequências graves.

«Durante um ano e meio deixei de ter tempo para mim, para

os amigos e para a família. Chegava ao escritório antes da hora de entrada,

prescindia da minha hora de almoço e ficava a trabalhar até de madrugada», recorda a consultora de comunicação Sofia Andrade.

«Os fins de semana eram passados a trabalhar e cheguei ao ponto de não

ter fome, nem sono. Em 17 anos de carreira, nunca tinha passado por uma

situação semelhante. Estava completamente viciada no trabalho», refere ainda esta mulher que, aos 38 anos, depois de longos períodos de uma entrega profissional quase absoluta, sentiu na pele

as consequências mais perigosas do workaholismo, um problema que começa

no envolvimento excessivo com o trabalho e que, na última década, tem vindo a aumentar de forma quase galopante.

Quando a vida pessoa passa para segundo plano

«O trabalho é uma peça

central na vida das pessoas

e na satisfação de diversas

necessidades, sendo encarado,

até, como uma atividade

saudável. Contudo, em alguns

casos, há um compromisso

demasiado pesado com o

trabalho, em prejuízo da vida

pessoal e familiar», pode ler-se

no trabalho de investigação

«O excesso de trabalho mata ou

dá prazer? - Uma exploração dos

antecedentes e consequentes do

workaholismo», de Jorge Gomes e

Patrícia Soares, investigadores

na área da psicologia social

e das organizações.

Uma

afirmação que retrata bem o

caso de Sofia Andrade, que viu a vida

profissional sobrepor-se a

todas as outras áreas da sua

vida. «Deixei de ir ao ginásio,

de comparecer nos almoços de

família, de sair com os amigos

e acabei por adiar um objetivo

pessoal muito importante para

mim, a maternidade», revela a consultora de comunicação.

O que está por trás do workaholismo

O caso de sofia está muito

longe de ser um acaso ou

uma exceção. No mesmo

estudo, realizado em

Portugal, em 2011, mais

de 60% dos inquiridos

revelaram ser afetados pelo

workaholismo. Na origem deste

comportamento, estão certos

traços da personalidade ou

experiências socioculturais,

mas também a existência de

reforços positivos perante

comportamentos workaholicos, da infância à idade adulta.

Alguns autores sugerem

que os indivíduos com

baixa autoestima estão mais

predispostos a tornarem-se

workaholics porque procuram

encontrar gratificações no

trabalho que não conseguem

ter noutras atividades. Outros

dizem que é a necessidade

de realização que predispõe

as pessoas para um foco

excessivo no êxito da

carreira. A dependência do

trabalho pode também estar

relacionada com determinadas

experiências familiares ou

laborais.

Por um lado, pode

ser uma fuga socialmente

aceite à família. Por outro, uma

exigência da própria empresa.

Dois anos depois de ter vivido

um episódio de workaholismo,

Sofia Andrade reconhece que a dependência que desenvolveu

se deveu em parte à filosofia

da empresa onde trabalhava.

«Havia uma exigência muito

grande ao ponto de nos

incutirem medo e represálias,

caso os objetivos definidos não

fossem atingidos», lembra.

Mas não só. Ia bastante mais para além disso!

«O meu foco era o trabalho.

Queria cumprir as minhas

funções da melhor maneira e

com o maior profissionalismo.

Geralmente, ia sempre além

de todas as expectativas dos

clientes e das chefias. Estava

a zelar pelo bom nome da

empresa e pelo meu enquanto

consultora há já vários anos.

esqueci a Sofia como pessoa e

só via a Sofia profissional», sublinha Sofia Andrade.

Veja na página seguinte: Depressão versus profissionalismo

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