DR
Que se entregue às autoridades e, principalmente, que, se o pudesse fazer, que se entregasse a um jornalista e, através desse jornalista, se entregasse às autoridades”, disse Paulo Sampaio, amigo de Pedro Dias a de 26 de Outubro, numa entrevista à SIC, perto de uma das quintas visitadas pelo suspeito de homicídio, por aqueles dias...
Rezam as crónicas que eram cerca das 13.30 h de terça-feira, 8 de Novembro, quando os advogados Mónica Quintela e Rui Silva Leal combinaram uma reunião com uma jornalista da RTP e outro do “Diário de Coimbra”, a propósito de um assunto relacionado com Pedro Dias. O encontro aconteceu nesse mesmo dia, em Coimbra, e às 17 h já advogados e jornalistas viajavam para Arouca. Os jornalistas saberiam no caminho que iriam encontrar-se com o próprio Pedro Dias...
Barbeado, lavado e sereno
Chegam a Arouca às 19.15 h. Os jornalistas são levados para uma casa, no centro da vila, onde se avistam com o homem mais procurado do País. Encontram um homem lavado, barbeado, cabelo aparado e sereno. Ouvem da voz do próprio que se entregará nessa noite e pedem-lhe uma entrevista. Na presença dos advogados, o homem aceita contar a sua verdade. Mostra-se afável, sem emoções visíveis. Anuncia a sua inocência ao mundo, envia o ónus de qualquer prova para o GNR sobrevivente e enuncia factos que só quem viu televisão durante muitas horas conheceria àquela data.
Mandar até ao último clique das algemas
Já cerca das 21.15 h, Mónica Quintela telefona ao director nacional da PJ, Almeida Rodrigues, combinando os termos da entrega de Pedro Dias. Por duas vezes sublinha que ele “está desarmado”. Dez minutos depois, Rui Silva Leal regressa à casa, acompanhado por dois inspectores. O momento é registado pelos jornalistas.
O telemóvel de Pedro Dias
Ainda antes de ser algemado, Pedro Dias solicitou fazer um telefonema para a sua actual companheira. Os inspectores disseram-lhe que o contacto seria feito no caminho, altura em que Pedro diz ter um telemóvel e explica que a sua companheira só atenderá a chamada se reconhecer o número. Pedro Dias é algemado e sai da casa. A dona dessa casa, uma professora reformada, será depois constituída arguida por favorecimento. Quando chegam às instalações da PJ da Guarda, já a PSP tinha delimitado um perímetro de segurança para controlar movimentos de jornalistas e populares. Pedro Dias é levado para a cadeia da Guarda cerca das 3.11 h de quarta-feira, dia 9, altura em que exclama aos polícias: “Finalmente uma noite descansada”.
Silêncio
Manhã de quinta-feira, dia 10. Na praça do tribunal, na cidade da Guarda, os flashes e as câmaras de TV acotovelam-se com os populares. Pedro Dias é levado a entrar pela porta da frente do tribunal. Ao contrário do que aconteceu na noite da rendição, os seus advogados hão-de insurgir-se contra o espectáculo mediático. Lá dentro, esgrimem-se os argumentos, os indícios e as suspeitas do Ministério Público contra Pedro Dias. Os advogados de defesa podem ler parte dos autos. Seis volumes em 1800 páginas de um processo com apenas um mês... Pedro Dias mantém-se em silêncio perante o juiz e ouve os termos em que deverá aguardar julgamento. Prisão preventiva.
Preso em Monsanto
Recolhe à prisão da Guarda. Por segurança, é transferido na tarde de sexta-feira para Monsanto, a cadeia de mais elevada segurança em Portugal. Os 60 reclusos deste presídio são considerados como tendo especial perigosidade. Fechado numa cela só para si, com TV, Pedro Dias tem direito a duas horas de recreio. Pode jogar futebol, frequentar o ginásio e a biblioteca. Pode fazer dois telefonemas de cinco minutos por dia. Pode ter visitas, uma ou duas vezes por semana. Sejam de familiares ou de amigos, só acontecerão com autorização prévia da direcção da cadeia e sem contacto direto. Só através de um vidro e por telefone.
As pistolas e os testemunhos
Ao longo deste mês, a PJ já ouviu o GNR sobrevivente por três vezes. A senhora sequestrada por Pedro Dias e o homem que a quis socorrer, na casa de Moldes, Arouca, também já falaram ao Ministério Público. Das autópsias e das avaliações feitas às vítimas sobreviventes consta que o GNR Carlos Caetano foi baleado por munições de 7.65mm e que o casal alvejado na EN 229 por munições de 9mm – alegadamente a pistola do GNR. Uma pistola da GNR foi encontrada. Falta saber o paradeiro de uma outra da GNR e da pistola que disparou munições de 7.65mm.
Ajudas
Ao longo dos 29 dias que Pedro Dias foi procurado pelas autoridades, diversas fontes ligadas à investigação confirmaram à TvMais sinais diversos de que o homem estaria a ser ajudado. Até as compras deixadas por ele o indiciavam, entre outras coisas. A 22 de Outubro, uma mulher foi vista a encontrar-se com o fugitivo junto a um parque eólico, onde lhe entregou um saco. A mulher fazia-se transportar num carro todo-o-terreno.
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Que se entregue às autoridades e, principalmente, que, se o pudesse fazer, que se entregasse a um jornalista e, através desse jornalista, se entregasse às autoridades”, disse Paulo Sampaio, amigo de Pedro Dias a de 26 de Outubro, numa entrevista à SIC, perto de uma das quintas visitadas pelo suspeito de homicídio, por aqueles dias...
Rezam as crónicas que eram cerca das 13.30 h de terça-feira, 8 de Novembro, quando os advogados Mónica Quintela e Rui Silva Leal combinaram uma reunião com uma jornalista da RTP e outro do “Diário de Coimbra”, a propósito de um assunto relacionado com Pedro Dias. O encontro aconteceu nesse mesmo dia, em Coimbra, e às 17 h já advogados e jornalistas viajavam para Arouca. Os jornalistas saberiam no caminho que iriam encontrar-se com o próprio Pedro Dias...
Barbeado, lavado e sereno
Chegam a Arouca às 19.15 h. Os jornalistas são levados para uma casa, no centro da vila, onde se avistam com o homem mais procurado do País. Encontram um homem lavado, barbeado, cabelo aparado e sereno. Ouvem da voz do próprio que se entregará nessa noite e pedem-lhe uma entrevista. Na presença dos advogados, o homem aceita contar a sua verdade. Mostra-se afável, sem emoções visíveis. Anuncia a sua inocência ao mundo, envia o ónus de qualquer prova para o GNR sobrevivente e enuncia factos que só quem viu televisão durante muitas horas conheceria àquela data.
Mandar até ao último clique das algemas
Já cerca das 21.15 h, Mónica Quintela telefona ao director nacional da PJ, Almeida Rodrigues, combinando os termos da entrega de Pedro Dias. Por duas vezes sublinha que ele “está desarmado”. Dez minutos depois, Rui Silva Leal regressa à casa, acompanhado por dois inspectores. O momento é registado pelos jornalistas.
O telemóvel de Pedro Dias
Ainda antes de ser algemado, Pedro Dias solicitou fazer um telefonema para a sua actual companheira. Os inspectores disseram-lhe que o contacto seria feito no caminho, altura em que Pedro diz ter um telemóvel e explica que a sua companheira só atenderá a chamada se reconhecer o número. Pedro Dias é algemado e sai da casa. A dona dessa casa, uma professora reformada, será depois constituída arguida por favorecimento. Quando chegam às instalações da PJ da Guarda, já a PSP tinha delimitado um perímetro de segurança para controlar movimentos de jornalistas e populares. Pedro Dias é levado para a cadeia da Guarda cerca das 3.11 h de quarta-feira, dia 9, altura em que exclama aos polícias: “Finalmente uma noite descansada”.
Silêncio
Manhã de quinta-feira, dia 10. Na praça do tribunal, na cidade da Guarda, os flashes e as câmaras de TV acotovelam-se com os populares. Pedro Dias é levado a entrar pela porta da frente do tribunal. Ao contrário do que aconteceu na noite da rendição, os seus advogados hão-de insurgir-se contra o espectáculo mediático. Lá dentro, esgrimem-se os argumentos, os indícios e as suspeitas do Ministério Público contra Pedro Dias. Os advogados de defesa podem ler parte dos autos. Seis volumes em 1800 páginas de um processo com apenas um mês... Pedro Dias mantém-se em silêncio perante o juiz e ouve os termos em que deverá aguardar julgamento. Prisão preventiva.
Preso em Monsanto
Recolhe à prisão da Guarda. Por segurança, é transferido na tarde de sexta-feira para Monsanto, a cadeia de mais elevada segurança em Portugal. Os 60 reclusos deste presídio são considerados como tendo especial perigosidade. Fechado numa cela só para si, com TV, Pedro Dias tem direito a duas horas de recreio. Pode jogar futebol, frequentar o ginásio e a biblioteca. Pode fazer dois telefonemas de cinco minutos por dia. Pode ter visitas, uma ou duas vezes por semana. Sejam de familiares ou de amigos, só acontecerão com autorização prévia da direcção da cadeia e sem contacto direto. Só através de um vidro e por telefone.
As pistolas e os testemunhos
Ao longo deste mês, a PJ já ouviu o GNR sobrevivente por três vezes. A senhora sequestrada por Pedro Dias e o homem que a quis socorrer, na casa de Moldes, Arouca, também já falaram ao Ministério Público. Das autópsias e das avaliações feitas às vítimas sobreviventes consta que o GNR Carlos Caetano foi baleado por munições de 7.65mm e que o casal alvejado na EN 229 por munições de 9mm – alegadamente a pistola do GNR. Uma pistola da GNR foi encontrada. Falta saber o paradeiro de uma outra da GNR e da pistola que disparou munições de 7.65mm.
Ajudas
Ao longo dos 29 dias que Pedro Dias foi procurado pelas autoridades, diversas fontes ligadas à investigação confirmaram à TvMais sinais diversos de que o homem estaria a ser ajudado. Até as compras deixadas por ele o indiciavam, entre outras coisas. A 22 de Outubro, uma mulher foi vista a encontrar-se com o fugitivo junto a um parque eólico, onde lhe entregou um saco. A mulher fazia-se transportar num carro todo-o-terreno.