terça-feira, março 29, 2005
Que força é essa?
«Que força é essa?, que força é essa?», cantava Sérgio Godinho todas as manhãs, num velhinho gravador que eu punha a tocar mal acordava, enquanto me deixava ficar na indolência dos lençóis, a esticar os horários muito para além dos limites. Naqueles momentos, tirar a roupa da cama e levantar-me pareciam-me tarefas dignas de heroísmo. Ficava para aí meia hora encolhido nos lençóis a saborear os últimos segundos de repouso, fazendo cálculos ao tempo que faltava para chegar ao trabalho. Dez minutos para tomar banho, cinco para me vestir, cinco para o que restasse, dez para a corrida ligeira em direcção à paragem da camioneta que me levaria para o emprego, o meu primeiro emprego.
Desde que as contingências da idade me obrigaram a buscar a tão celebrada auto-sustentabilidade que me apercebi do ódio que tenho pelo trabalho. Nunca lhe perdoei as suas exigências de monopolização do tempo.
Lembrei-me de falar agora disso porque ando numa daquelas fases em que o trabalho não nos permite folga para mais nada.
segunda-feira, março 14, 2005
Jesus taumatúrgico
Excelente o artigo de Frei Bento Domingues no Público de domingo. Pretendendo criticar os movimentos religiosos que revelam indiferença pelos problemas sociais, económicos e políticos da sociedade, baseando a sua acção nas soluções taumatúrgicas, ele expressa uma opinião muito interessante sobre os milagres de Jesus:
«Creio que os gestos taumatúrgicos de Jesus serviam, numa certa cultura e em situações bem identificadas, para dar um sinal impressionante de que era preciso destruir a justificação divina da doença e da pobreza.»
É uma perspectiva curiosa, Frei Bento Domingues considera que os milagres, mais do que uma manifestação de divindade, pretendiam negar a relação, muitas estabelecida pela cultura hebraica, entre doença, pecado e castigo. Um pouco na linha do que dizia Tolentino Mendonça no Mil Folhas da semana passada, quando este explicava que a ruptura de Jesus estava sobretudo na proximidade com os párias da sociedade, na maneira como ele desrespeitava as divisões sociais, Bento Domingues vê nesses milagres a aproximação aos afastados da sociedade.
sexta-feira, março 11, 2005
Brasil 2 - Itália 3
No Vilacondense, Dupont faz referência ao jogo que o Brasil perdeu com a Itália, em 82. Dupont confessa que nesse dia chorou desalmadamente, e foi esta confidência que me levou a escrever um comentário (que ficou truncado por excesso de caracteres) que reproduzo aqui.
É curiosa a referência a este jogo. Eu também chorei muito nesse dia. Foi o meu primeiro mundial (cheguei de Moçambique no final do Verão de 78) e segui religiosamente os jogos do Brasil, os 2-1 contra a URSS, os 4-1 contra a Escócia e a Noza Zelândia, e os 3-1 à Argentina. Felizmente, não pude ver o jogo contra a Itália, senão ainda seria bem pior. Vinha de uma viagem ao Sul (não me lembro de onde) e só soube do resultado porque parámos num café à beira da estrada. O jogo estava a acabar e eu fiquei incrédulo ao saber que o Brasil estava a perder. Tinha doze anos e fui gozado por todos os meus irmãos que achavam uma infantilidade chorar por causa de futebol. Ainda por cima por causa do Brasil. Foi, sem dúvida, a minha primeira grande desilusão futebolística. Depois veio o Europeu de 84, com aqueles dois golos da França nos últimos cinco minutos – que me fez odiar os franceses durante anos -, as três finais perdidas do Benfica, uma na Taça UEFA, e duas na Taça do Campeões, e ainda a descida de divisão do Rio Ave, penso que em 85, depois de ter feito uma liguilha (penso que era assim que se chamava) brilhante, com o Chico Faria em grande forma. Curiosamente, quem acabou por me dar a maior alegria durante a minha adolescência foi o Porto, com a vitória em Viena. Naquela altura as rivalidades entre clubes eram bem menores, e no fim do jogo foi de arromba, com benfiquistas, sportinguistas em grande festa junto dos portistas. Enfim, outros tempos.
quinta-feira, março 10, 2005
Quadratura do Círculo
Segundo Pacheco Pereira, José Magalhães vai sair do programa devido a incompatibilidades com a pasta que vai assumir no Governo. Será Jorge Coelho a substituí-lo.
Sinceramente, este programa nunca me agradou muito. É demasiado desequilibrado. Está lá Lobo Xavier, da área política do PP, Pacheco Pereira, do PSD, e José Magalhães , do PS, e mais nada. Não há ninguém da área do PCP e/ou do BE. Reparem que não estou a falar de contraditório, apenas de equilíbrio. Em muitas questões nota-se que José Magalhães fica completamente isolado. Noutras, as ideias dos partidos mais à esquerda ficam órfãs, sem ninguém que as defenda. Por isso raramente vejo o programa, parece-me que José Magalhães está sempre a levar porrada. Certo que ele não é muito hábil a defender as suas opiniões, mas a verdade é que é uma luta desigual, afinal são dois contra um.
Com Jorge Coelho pode ser que esta situação se altere, mas duvido, ele não é uma pessoa muito inteligente nem tem grande capacidade de argumentação. Além disso, está demasiado comprometido com o partido. Neste tipo de programas é preciso que as pessoas tenham liberdade para poder criticar o seu próprio partido quando necessário.
terça-feira, março 08, 2005
Mel Gibson e Fátima
Tantos motivos para falar de Portugal e tinha logo que nos calhar
Tantos motivos para falar de Portugal e tinha logo que nos calhar isto ! Lá vamos nós outra vez ser conhecidos pelo país de Fátima.
Dia Internacional da Mulher
[Mesmo correndo o risco de não ser muito original na escolha, vale sempre a pena recordar este poema de Daniel Faria.]
[Mesmo correndo o risco de não ser muito original na escolha, vale sempre a pena recordar este poema de Daniel Faria.] As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos — digo,
As mulheres — ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos — no pescoço das mães — ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
sexta-feira, março 04, 2005
Padre Nuno Serras Pereira - II
Vamos lá ver se nos entendemos em relação a esta questão.
1 - Ninguém pretende negar a doutrina defendida pelo Vaticano. A sua posição é clara: não ao aborto e aos métodos contraceptivos artificiais.
2 – Estou contra esta posição da hierarquia da Igreja e não pretendo defendê-la. A Igreja está, na minha opinião, errada, sobretudo porque tem assumido uma postura tão empenhada. Há inúmeros assuntos muito mais importantes que o aborto e o preservativo.
3 – O que o Padre Nuno Serras Pereira disse foi uma coisa muito diferente. Basicamente foi isto, quem tomar posição a favor do aborto e dos métodos contraceptivos defende o assassínio de crianças inocentes. A essas pessoas ele não dá a comunhão. Ou seja, eu, que sou a favor dos métodos contraceptivos, sou, ou um criminoso, ou um cúmplice de homicídios. Por isso ele nunca me poderá dar a comunhão.
4 – Ora a Igreja nunca defendeu estas ideias. Está contra o aborto e os métodos, certo. Mas nunca interditou a comunhão às pessoas que não concordam com ela. Nem nunca proibiu ninguém de defender ideias diferentes em relação ao assunto. Nem nunca disse que estas pessoas são homicidas. Nem nunca disse que a contracepção é sinónimo de matar (já em relação ao aborto terá dito algo próximo disso).
Era a mesma coisa que a Igreja proibisse a comunhão a quem defendesse o casamento dos padres, o sacerdócio das mulheres, o fim do sacramento da confissão, etc. As pessoas são livres para defender as suas ideias.
5 – Por fim, é preciso entender que a Igreja Católica é composta por pessoas e grupos com sensibilidades muito diversas. Não me canso de repetir isto porque faz toda a diferença. Há muitos católicos a defender ideias diferentes em relação às questões da vida, e há um debate que ainda não acabou, mesmo dentro do Vaticano. Já vi tantos clérigos a escrever sobre o assunto e apresentar argumentos contra as posições oficiais, e que eu saiba não foram impedidos de comungar. Nota: Além de tudo o mais há ainda as questões do tom e do método. Completamente absurdas. Mas pronto, sobre isto acho que estamos todos de acordo.
quinta-feira, março 03, 2005
Para que não haja dúvidas
Padre Nuno Serras Pereira
Em relação ao anúncio (será que se pode chamar assim àquilo que foi publicado no Público?) do Padre Nuno Serras Pereira, tenho dúvidas se será o reflexo de um crescimento do conservadorismo católico, como referiu Dupont no comentário ao meu último post, ou se não será antes o estertor deste. Parece-me que há um receio expresso de que as coisas se alterem com o próximo Papa. Certas facções da Igreja parece quererem fazer pressão sobre futuras posições da hierarquia. Isto, obviamente, como consequência de todo este impasse gerado com a não resignação de João Paulo II. Pergunto-me quanto tempo poderão aguentar os católicos esta situação.
Nota. Já repararam que nunca se falou tanto de religião como agora? Basta percorrer os blogues deste país para ver como este tema interessa a tantas pessoas. Há de tudo, desde gente que destila ódio só de pensar em catolicismo, até reaccionários empedernidos. Mas também há, e muito felizmente, gente inteligente, crente ou descrente, a argumentar bem sobre religião.
Já agora, os meus últimos quatro posts foram, directa ou indirectamente, sobre religião. Meu Deus, que falta de ideias!
Em relação ao anúncio (será que se pode chamar assim àquilo que foi publicado no Público?) do Padre Nuno Serras Pereira, tenho dúvidas se será o reflexo de um crescimento do conservadorismo católico, como referiu Dupont no comentário ao meu último post, ou se não será antes o estertor deste. Parece-me que há um receio expresso de que as coisas se alterem com o próximo Papa. Certas facções da Igreja parece quererem fazer pressão sobre futuras posições da hierarquia. Isto, obviamente, como consequência de todo este impasse gerado com a não resignação de João Paulo II. Pergunto-me quanto tempo poderão aguentar os católicos esta situação.Nota. Já repararam que nunca se falou tanto de religião como agora? Basta percorrer os blogues deste país para ver como este tema interessa a tantas pessoas. Há de tudo, desde gente que destila ódio só de pensar em catolicismo, até reaccionários empedernidos. Mas também há, e muito felizmente, gente inteligente, crente ou descrente, a argumentar bem sobre religião.Já agora, os meus últimos quatro posts foram, directa ou indirectamente, sobre religião. Meu Deus, que falta de ideias!
terça-feira, março 01, 2005
João César das Neves
Categorias
Entidades
terça-feira, março 29, 2005
Que força é essa?
«Que força é essa?, que força é essa?», cantava Sérgio Godinho todas as manhãs, num velhinho gravador que eu punha a tocar mal acordava, enquanto me deixava ficar na indolência dos lençóis, a esticar os horários muito para além dos limites. Naqueles momentos, tirar a roupa da cama e levantar-me pareciam-me tarefas dignas de heroísmo. Ficava para aí meia hora encolhido nos lençóis a saborear os últimos segundos de repouso, fazendo cálculos ao tempo que faltava para chegar ao trabalho. Dez minutos para tomar banho, cinco para me vestir, cinco para o que restasse, dez para a corrida ligeira em direcção à paragem da camioneta que me levaria para o emprego, o meu primeiro emprego.
Desde que as contingências da idade me obrigaram a buscar a tão celebrada auto-sustentabilidade que me apercebi do ódio que tenho pelo trabalho. Nunca lhe perdoei as suas exigências de monopolização do tempo.
Lembrei-me de falar agora disso porque ando numa daquelas fases em que o trabalho não nos permite folga para mais nada.
segunda-feira, março 14, 2005
Jesus taumatúrgico
Excelente o artigo de Frei Bento Domingues no Público de domingo. Pretendendo criticar os movimentos religiosos que revelam indiferença pelos problemas sociais, económicos e políticos da sociedade, baseando a sua acção nas soluções taumatúrgicas, ele expressa uma opinião muito interessante sobre os milagres de Jesus:
«Creio que os gestos taumatúrgicos de Jesus serviam, numa certa cultura e em situações bem identificadas, para dar um sinal impressionante de que era preciso destruir a justificação divina da doença e da pobreza.»
É uma perspectiva curiosa, Frei Bento Domingues considera que os milagres, mais do que uma manifestação de divindade, pretendiam negar a relação, muitas estabelecida pela cultura hebraica, entre doença, pecado e castigo. Um pouco na linha do que dizia Tolentino Mendonça no Mil Folhas da semana passada, quando este explicava que a ruptura de Jesus estava sobretudo na proximidade com os párias da sociedade, na maneira como ele desrespeitava as divisões sociais, Bento Domingues vê nesses milagres a aproximação aos afastados da sociedade.
sexta-feira, março 11, 2005
Brasil 2 - Itália 3
No Vilacondense, Dupont faz referência ao jogo que o Brasil perdeu com a Itália, em 82. Dupont confessa que nesse dia chorou desalmadamente, e foi esta confidência que me levou a escrever um comentário (que ficou truncado por excesso de caracteres) que reproduzo aqui.
É curiosa a referência a este jogo. Eu também chorei muito nesse dia. Foi o meu primeiro mundial (cheguei de Moçambique no final do Verão de 78) e segui religiosamente os jogos do Brasil, os 2-1 contra a URSS, os 4-1 contra a Escócia e a Noza Zelândia, e os 3-1 à Argentina. Felizmente, não pude ver o jogo contra a Itália, senão ainda seria bem pior. Vinha de uma viagem ao Sul (não me lembro de onde) e só soube do resultado porque parámos num café à beira da estrada. O jogo estava a acabar e eu fiquei incrédulo ao saber que o Brasil estava a perder. Tinha doze anos e fui gozado por todos os meus irmãos que achavam uma infantilidade chorar por causa de futebol. Ainda por cima por causa do Brasil. Foi, sem dúvida, a minha primeira grande desilusão futebolística. Depois veio o Europeu de 84, com aqueles dois golos da França nos últimos cinco minutos – que me fez odiar os franceses durante anos -, as três finais perdidas do Benfica, uma na Taça UEFA, e duas na Taça do Campeões, e ainda a descida de divisão do Rio Ave, penso que em 85, depois de ter feito uma liguilha (penso que era assim que se chamava) brilhante, com o Chico Faria em grande forma. Curiosamente, quem acabou por me dar a maior alegria durante a minha adolescência foi o Porto, com a vitória em Viena. Naquela altura as rivalidades entre clubes eram bem menores, e no fim do jogo foi de arromba, com benfiquistas, sportinguistas em grande festa junto dos portistas. Enfim, outros tempos.
quinta-feira, março 10, 2005
Quadratura do Círculo
Segundo Pacheco Pereira, José Magalhães vai sair do programa devido a incompatibilidades com a pasta que vai assumir no Governo. Será Jorge Coelho a substituí-lo.
Sinceramente, este programa nunca me agradou muito. É demasiado desequilibrado. Está lá Lobo Xavier, da área política do PP, Pacheco Pereira, do PSD, e José Magalhães , do PS, e mais nada. Não há ninguém da área do PCP e/ou do BE. Reparem que não estou a falar de contraditório, apenas de equilíbrio. Em muitas questões nota-se que José Magalhães fica completamente isolado. Noutras, as ideias dos partidos mais à esquerda ficam órfãs, sem ninguém que as defenda. Por isso raramente vejo o programa, parece-me que José Magalhães está sempre a levar porrada. Certo que ele não é muito hábil a defender as suas opiniões, mas a verdade é que é uma luta desigual, afinal são dois contra um.
Com Jorge Coelho pode ser que esta situação se altere, mas duvido, ele não é uma pessoa muito inteligente nem tem grande capacidade de argumentação. Além disso, está demasiado comprometido com o partido. Neste tipo de programas é preciso que as pessoas tenham liberdade para poder criticar o seu próprio partido quando necessário.
terça-feira, março 08, 2005
Mel Gibson e Fátima
Tantos motivos para falar de Portugal e tinha logo que nos calhar
Tantos motivos para falar de Portugal e tinha logo que nos calhar isto ! Lá vamos nós outra vez ser conhecidos pelo país de Fátima.
Dia Internacional da Mulher
[Mesmo correndo o risco de não ser muito original na escolha, vale sempre a pena recordar este poema de Daniel Faria.]
[Mesmo correndo o risco de não ser muito original na escolha, vale sempre a pena recordar este poema de Daniel Faria.] As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos — digo,
As mulheres — ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos — no pescoço das mães — ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
sexta-feira, março 04, 2005
Padre Nuno Serras Pereira - II
Vamos lá ver se nos entendemos em relação a esta questão.
1 - Ninguém pretende negar a doutrina defendida pelo Vaticano. A sua posição é clara: não ao aborto e aos métodos contraceptivos artificiais.
2 – Estou contra esta posição da hierarquia da Igreja e não pretendo defendê-la. A Igreja está, na minha opinião, errada, sobretudo porque tem assumido uma postura tão empenhada. Há inúmeros assuntos muito mais importantes que o aborto e o preservativo.
3 – O que o Padre Nuno Serras Pereira disse foi uma coisa muito diferente. Basicamente foi isto, quem tomar posição a favor do aborto e dos métodos contraceptivos defende o assassínio de crianças inocentes. A essas pessoas ele não dá a comunhão. Ou seja, eu, que sou a favor dos métodos contraceptivos, sou, ou um criminoso, ou um cúmplice de homicídios. Por isso ele nunca me poderá dar a comunhão.
4 – Ora a Igreja nunca defendeu estas ideias. Está contra o aborto e os métodos, certo. Mas nunca interditou a comunhão às pessoas que não concordam com ela. Nem nunca proibiu ninguém de defender ideias diferentes em relação ao assunto. Nem nunca disse que estas pessoas são homicidas. Nem nunca disse que a contracepção é sinónimo de matar (já em relação ao aborto terá dito algo próximo disso).
Era a mesma coisa que a Igreja proibisse a comunhão a quem defendesse o casamento dos padres, o sacerdócio das mulheres, o fim do sacramento da confissão, etc. As pessoas são livres para defender as suas ideias.
5 – Por fim, é preciso entender que a Igreja Católica é composta por pessoas e grupos com sensibilidades muito diversas. Não me canso de repetir isto porque faz toda a diferença. Há muitos católicos a defender ideias diferentes em relação às questões da vida, e há um debate que ainda não acabou, mesmo dentro do Vaticano. Já vi tantos clérigos a escrever sobre o assunto e apresentar argumentos contra as posições oficiais, e que eu saiba não foram impedidos de comungar. Nota: Além de tudo o mais há ainda as questões do tom e do método. Completamente absurdas. Mas pronto, sobre isto acho que estamos todos de acordo.
quinta-feira, março 03, 2005
Para que não haja dúvidas
Padre Nuno Serras Pereira
Em relação ao anúncio (será que se pode chamar assim àquilo que foi publicado no Público?) do Padre Nuno Serras Pereira, tenho dúvidas se será o reflexo de um crescimento do conservadorismo católico, como referiu Dupont no comentário ao meu último post, ou se não será antes o estertor deste. Parece-me que há um receio expresso de que as coisas se alterem com o próximo Papa. Certas facções da Igreja parece quererem fazer pressão sobre futuras posições da hierarquia. Isto, obviamente, como consequência de todo este impasse gerado com a não resignação de João Paulo II. Pergunto-me quanto tempo poderão aguentar os católicos esta situação.
Nota. Já repararam que nunca se falou tanto de religião como agora? Basta percorrer os blogues deste país para ver como este tema interessa a tantas pessoas. Há de tudo, desde gente que destila ódio só de pensar em catolicismo, até reaccionários empedernidos. Mas também há, e muito felizmente, gente inteligente, crente ou descrente, a argumentar bem sobre religião.
Já agora, os meus últimos quatro posts foram, directa ou indirectamente, sobre religião. Meu Deus, que falta de ideias!
Em relação ao anúncio (será que se pode chamar assim àquilo que foi publicado no Público?) do Padre Nuno Serras Pereira, tenho dúvidas se será o reflexo de um crescimento do conservadorismo católico, como referiu Dupont no comentário ao meu último post, ou se não será antes o estertor deste. Parece-me que há um receio expresso de que as coisas se alterem com o próximo Papa. Certas facções da Igreja parece quererem fazer pressão sobre futuras posições da hierarquia. Isto, obviamente, como consequência de todo este impasse gerado com a não resignação de João Paulo II. Pergunto-me quanto tempo poderão aguentar os católicos esta situação.Nota. Já repararam que nunca se falou tanto de religião como agora? Basta percorrer os blogues deste país para ver como este tema interessa a tantas pessoas. Há de tudo, desde gente que destila ódio só de pensar em catolicismo, até reaccionários empedernidos. Mas também há, e muito felizmente, gente inteligente, crente ou descrente, a argumentar bem sobre religião.Já agora, os meus últimos quatro posts foram, directa ou indirectamente, sobre religião. Meu Deus, que falta de ideias!
terça-feira, março 01, 2005
João César das Neves