Os investidores estão à caça de boas startups, mas o país tem de se reinventar e criar instrumentos para atrair capital de risco
Diogo Ferreira Nunes 28 Janeiro, 2017 • 13:00
O governo conta apresentar nas próximas semanas o regulamento para o programa 200M, que prevê o investimento, da parte do Estado, de 200 milhões de euros em startups com o coinvestimento, na mesma proporção, de fundos privados. A sociedade de advogados Albuquerque & Associados organizou um debate para ajudar a explicar esta medida do governo e o investimento dos fundos de capital de risco: ao todo são 400 milhões de euros para estimular o financiamento de novas empresas.
Só que este é um processo novo e complexo para todos e está a obrigar o próprio país quase a transformar-se numa startup e a criar novos instrumentos para convencer as sociedades de capital de risco a apostar nestes novos projetos.
“Estamos perante uma nova economia e temos de preparar todos os instrumentos, porque ainda há quatro anos não se sabia de nada. Queremos aprender convosco e saber como podemos fazer melhor”, admitiu João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria. De Londres, uma das cidades mundiais mais ativas no investimento em startups, vieram três fundos para ensinar a equipa de João Vasconcelos a aplicar o financiamento da melhor forma possível.
Sean Rogers, da sociedade Profounders Capital, explicou como os investidores conhecem as startups, algo que conjuga o contacto pessoal à antiga com o speed dating do presente. O resultado mostra que dos nove mil planos de negócios apresentados por startups desde 2005, apenas 26 foram convertidos em investimentos entre 500 mil e 1,5 milhões de euros, depois de serem avaliadas características como a equipa, a dimensão do mercado da startup, modelo de negócio e os fatores do crescimento das novas empresas.
Mas para investidores e startups encontrarem pontos em comum há quem defenda que se identifica ainda em menos tempo se se está à vista um bom investimento, ou não. Hugo Oliveira, líder da Indie Campers, explica que “precisamos apenas de meia hora. É muito importante para saber se continuamos a conversar ou não”, diz o responsável pela plataforma de aluguer de carrinhas roadtrip.
Depois de startups e investidores se conhecerem, há mais aspetos a ter em conta. Maria Taylor, da sociedade Beacon Capital, defendeu que o governo “deve assumir um papel de árbitro e criar incentivos”, mas, ao mesmo tempo, “um empreendedor não pode lidar com uma situação de inflexibilidade. O governo não deve complicar a tarefa e deve ser flexível”.
Nicholas Stocks, da sociedade White Star Capital, recordou o investimento na plataforma de golfe portuguesa Hole19 e salientou a aposta das startups na comunicação: “Um empreendedor tem de saber convencer a equipa e os fornecedores e comunicar com eficiência. Eles têm de dominar isto e fazemos questão de assistir a isso ao vivo.”
Várias fontes
Os investimentos em startups podem partir de várias origens e não têm de ser sempre os fundos de capital de risco, sublinha Hugo Oliveira. “Os empreendedores, quando começam a construir planos de negócio, estão sempre a pensar em capital de risco. É um erro, no meu entender. Eu quero é saber como reduzir o risco.”
Para o líder da Indie Campers, “os fundos de capital de risco fazem sentido para melhorar os rácios de dívida; além disso, ninguém está pronto para subir de nível sem ter uma equipa”.
Mas nem tudo é uma questão de dinheiro. Hugo Oliveira aproveitou a presença de João Vasconcelos para passar uma posição quanto às necessidades das novas empresas em Portugal. “O que queremos é estabilidade, sobretudo no campo fiscal, porque temos de pagar muitos impostos na hora de investir. Além disso, é muito fácil mudarmos de sítio. É nestes pontos que os governos devem estar focados.” Hugo Oliveira refere que a Indie Campers está já a entrar em mercados como França e Bélgica e tem crescido “mais de 500%” de mês para mês.
Também em crescimento está a oferta de apoios do Estado para o financiamento de startups, no âmbito da estratégia de apoio ao empreendedorismo, o Startup Portugal. Mas a ambição do governo é escalar, tal como uma startup. “Queremos ser líderes no apoio” às novas empresas, acrescenta João Vasconcelos.
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Os investidores estão à caça de boas startups, mas o país tem de se reinventar e criar instrumentos para atrair capital de risco
Diogo Ferreira Nunes 28 Janeiro, 2017 • 13:00
O governo conta apresentar nas próximas semanas o regulamento para o programa 200M, que prevê o investimento, da parte do Estado, de 200 milhões de euros em startups com o coinvestimento, na mesma proporção, de fundos privados. A sociedade de advogados Albuquerque & Associados organizou um debate para ajudar a explicar esta medida do governo e o investimento dos fundos de capital de risco: ao todo são 400 milhões de euros para estimular o financiamento de novas empresas.
Só que este é um processo novo e complexo para todos e está a obrigar o próprio país quase a transformar-se numa startup e a criar novos instrumentos para convencer as sociedades de capital de risco a apostar nestes novos projetos.
“Estamos perante uma nova economia e temos de preparar todos os instrumentos, porque ainda há quatro anos não se sabia de nada. Queremos aprender convosco e saber como podemos fazer melhor”, admitiu João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria. De Londres, uma das cidades mundiais mais ativas no investimento em startups, vieram três fundos para ensinar a equipa de João Vasconcelos a aplicar o financiamento da melhor forma possível.
Sean Rogers, da sociedade Profounders Capital, explicou como os investidores conhecem as startups, algo que conjuga o contacto pessoal à antiga com o speed dating do presente. O resultado mostra que dos nove mil planos de negócios apresentados por startups desde 2005, apenas 26 foram convertidos em investimentos entre 500 mil e 1,5 milhões de euros, depois de serem avaliadas características como a equipa, a dimensão do mercado da startup, modelo de negócio e os fatores do crescimento das novas empresas.
Mas para investidores e startups encontrarem pontos em comum há quem defenda que se identifica ainda em menos tempo se se está à vista um bom investimento, ou não. Hugo Oliveira, líder da Indie Campers, explica que “precisamos apenas de meia hora. É muito importante para saber se continuamos a conversar ou não”, diz o responsável pela plataforma de aluguer de carrinhas roadtrip.
Depois de startups e investidores se conhecerem, há mais aspetos a ter em conta. Maria Taylor, da sociedade Beacon Capital, defendeu que o governo “deve assumir um papel de árbitro e criar incentivos”, mas, ao mesmo tempo, “um empreendedor não pode lidar com uma situação de inflexibilidade. O governo não deve complicar a tarefa e deve ser flexível”.
Nicholas Stocks, da sociedade White Star Capital, recordou o investimento na plataforma de golfe portuguesa Hole19 e salientou a aposta das startups na comunicação: “Um empreendedor tem de saber convencer a equipa e os fornecedores e comunicar com eficiência. Eles têm de dominar isto e fazemos questão de assistir a isso ao vivo.”
Várias fontes
Os investimentos em startups podem partir de várias origens e não têm de ser sempre os fundos de capital de risco, sublinha Hugo Oliveira. “Os empreendedores, quando começam a construir planos de negócio, estão sempre a pensar em capital de risco. É um erro, no meu entender. Eu quero é saber como reduzir o risco.”
Para o líder da Indie Campers, “os fundos de capital de risco fazem sentido para melhorar os rácios de dívida; além disso, ninguém está pronto para subir de nível sem ter uma equipa”.
Mas nem tudo é uma questão de dinheiro. Hugo Oliveira aproveitou a presença de João Vasconcelos para passar uma posição quanto às necessidades das novas empresas em Portugal. “O que queremos é estabilidade, sobretudo no campo fiscal, porque temos de pagar muitos impostos na hora de investir. Além disso, é muito fácil mudarmos de sítio. É nestes pontos que os governos devem estar focados.” Hugo Oliveira refere que a Indie Campers está já a entrar em mercados como França e Bélgica e tem crescido “mais de 500%” de mês para mês.
Também em crescimento está a oferta de apoios do Estado para o financiamento de startups, no âmbito da estratégia de apoio ao empreendedorismo, o Startup Portugal. Mas a ambição do governo é escalar, tal como uma startup. “Queremos ser líderes no apoio” às novas empresas, acrescenta João Vasconcelos.