Olho e meio: Estrela verde

16-07-2018
marcar artigo

No Di­ário de No­tí­cias do pas­sado do­min­go (p.7), Edi­te Es­tre­la, ago­ra eu­ro­‑de­pu­ta­da, abor­da o te­ma da lín­gua nas ins­ti­tu­i­ções da União Euro­peia, em re­gisto “clás­sico” para quem o tema não for novo.

Começa por elen­car as actuais lín­guas ofi­ci­ais (dei­xan­do de lado as muitas que não o são), enfa­tiza o cres­ci­mento cons­tante do seu nú­mero des­de a fun­da­ção, e intro­duz de forma cla­ra o di­lema cen­tral da mo­derna Inter­lin­guís­tica Apli­cada: «A di­ver­si­dade lin­guís­tica »(…)« é um va­lor cen­tral da cons­tru­ção euro­peia, ainda que »(…)« acar­rete in­ilu­dí­veis di­fi­cul­da­des e ele­va­dos cus­tos.» (O ne­gri­to a mar­car o ad­ver­sa­tivo é meu.) Ou seja, de­tec­ta­‑se aqui uma (apa­rente?) in­com­pa­ti­bi­li­da­de ético­‑prá­tica.

Mais adi­an­te, Edite Estre­la faz vis­lum­brar por que é a di­ver­si­dade lin­guís­tica um valor cen­tral: «mexe com duas áreas muito sen­sí­veis: a da iden­ti­da­de e a das emoções.» Muito bem, mas cla­ro que isto não es­go­ta a questão. A im­por­tân­cia ca­pi­tal do fe­nó­me­no lín­gua é me­di­da da inex­trin­cável inter­pe­ne­tração entre este e quase toda a co­mu­ni­cação e muita da ex­pres­são humanas.

Quando conjugado num con­texto de di­ver­si­dade lin­guís­tica, o fe­nó­meno lín­gua as­sen­ta de facto na iden­ti­dade (in­di­vi­dual e de gru­po, a mui­tís­simos ní­veis) e é cer­ta­mente vec­tor e alvo de emoções (por sua vez li­ga­das à iden­ti­dade ex­pres­sa en­quan­to de fa­lante), mas extra­vasa para tudo quanto con­cer­ne a, p. ex., auto­nomia cul­tural de cada gru­po, a co­mu­ni­cação inter­‑ét­nica não­‑ins­ti­tu­cional, ou a globa­li­zação dos meios de comu­ni­cação — temas estes que fica­ram por abor­dar nesta crónica.

Baseada nestes pres­su­pos­tos (im­por­tân­cia e “de­li­ca­de­za” de uma po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca que tra­te das exi­gên­cias éti­cas e prá­ti­cas da co­mu­ni­ca­ção em meio lin­guis­ti­ca­men­te di­ver­so), é a Edite Estrela evi­den­te que o plu­ri­lin­gui­smo é um bom prin­cí­pio (en­ten­di­do como com­pe­tên­cia co­mu­ni­ca­ci­o­nal em lin­guas não­‑ma­ter­nas, numa pers­pec­tiva emi­nen­te­mente es­co­lar; a cró­ni­ca é aliás in­tro­du­zi­da por uma re­fe­rên­cia ao le­ma «Apren­de Lín­guas e se­rás Al­guém», a adop­tar pelo Par­la­men­to Euro­peu em Ja­nei­ro), e que a he­ge­mo­nia da lingua franca ac­tual, o in­glês, é um mal ne­ces­sá­rio (des­fi­ando ar­gu­men­tos que, em­bo­ra evi­den­tes na subs­tân­cia, so­am ter­ri­vel­men­te in­gé­nuos a um es­pe­ran­tista “mo­der­no”, por for­ça de tan­to os ou­vir de seus pa­res mais tra­di­ci­o­nais).

E que sai des­te co­me­ço bem gi­za­do, des­te “pi­gar­ro” que ha­ve­ria de in­tro­du­zir uma lis­ta de fu­tu­ros pos­síveis e/ou de­se­já­veis? Bem, a meu ver nada de ar­ti­cu­la­do: Ten­do dei­xa­do de la­do uma ave­ni­da pro­mis­so­ra, Edite Es­tre­la der­rapa no úl­timo pa­rá­gra­fo em apa­ren­te con­tra­di­ção. Ve­jamos:

No 4º parágrafo men­ci­ona du­as «vo­zes» que «se fi­ze­ram ou­vir» «pe­ran­te tal la­bi­rinto lin­guís­ti­co» em de­fe­sa res­pec­ti­va do in­glês e do es­pe­ran­to. Fi­ca su­ben­ten­dido que Edite Es­tre­la não pre­co­ni­za qual­quer des­tas so­lu­ções para o pro­ble­ma, mas não se adi­anta: Quan­to ao in­glês (cu­ja ac­tual con­fi­gu­ração he­ge­mó­ni­ca lhe me­re­ce gra­ves re­pa­ros no 6º pa­rá­grafo), nem adi­ta o ób­vio — que bas­ta na­da fa­zer de novo em ma­té­ria de po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca euro­peia para pro­mo­ver es­ta opção. No que con­cer­ne ao es­pe­ran­to, fi­ca apa­ren­te­mente o “ca­so ar­ru­ma­do” com a fra­se que diz «po­de ser­‑se bi­lin­gue, mas não apátri­da da lin­gua­gem à pro­cu­ra de asi­lo numa lín­gua de aco­lhi­men­to»; fi­ca à ima­gi­na­ção de quem pu­der en­ten­der a re­le­vân­cia des­ta ci­ta­ção — eu por mim não per­cebi nada: Tal­vez por co­nhe­cer bem de mais os vo­lu­mo­sos dos­siês que cru­zam as co­or­de­na­das "es­pe­ranto" com "União Euro­peia"? Conhe­cê­‑los­‑á Edite?

Finalmente, no 8º e úl­ti­mo pa­rá­gra­fo Edite Estrela des­cai, como dito, para um dis­cur­so que pa­re­ce con­tra­di­zer tudo o que afir­mara e de­fen­dera acima: Como para­do­xais e inefi­ca­zes con­tra­ponto à denún­cia da he­ge­mo­nia, e co­ro­lário ao elo­gio da di­ver­si­dade, sur­ge a fe­char a cró­ni­ca um pa­ne­gí­ri­co des­lo­ca­do à lín­gua por­tu­guesa e apelo à sua pro­mo­ção no es­pa­ço da União. Ora, posta que está a vi­ta­li­dade demo­grá­fica e social do por­tu­guês, tanto na Eu­ro­pa como no mun­do, põe­‑se esta fora do al­can­ce da pro­tec­ção de­vi­da às lín­guas de pe­quena di­men­são (as­pecto que foi ape­nas tra­tado oblíqua­mente nes­ta cró­nica).

Que se pretende então com este exal­tar da “lusa lín­gua”? Jus­ti­ficar que deve­ria esta ocu­par o lugar “imere­cido” do ita­li­ano ou do ale­mão? Se sim, é uma con­clu­são ao arre­pio das con­si­de­rações é­ticas teci­das nos seis pri­mei­ros pará­gra­fos da cró­nica. No 7º Edite Estre­la ad­mite que «não há ino­cên­cia nem acaso nas es­co­lhas lin­guís­ticas», adi­tando já no 8º que o por­tu­guês é mais fa­la­do no mundo que ou­tras lín­guas euro­peias, as quais porém de­têm na União melhor si­tu­a­ção na es­ca­la de «hie­rar­quia e pri­vi­lé­gio» que «na prá­tica» con­tra­diz o prin­cípio teó­rico da igual­dade das línguas.

Edite Estrela arenga então sobre o (limi­ano?) «de­ver dos de­pu­ta­dos por­tu­gue­ses no PE» de pro­mover (ci­tando Torga) a lín­gua por­tu­guesa e a sua su­posta «ri­queza e ori­gi­na­li­dade» (se­rá que ti­das por ím­pares ou úni­cas?). Faz lista de carac­te­rís­ticas for­tuitas e duvidosas do por­tu­guês («foi a pri­mei­ra lín­gua euro­peia a esta­ble­cer uma ver­da­de­ira ponte cul­tu­ral entre o Oci­dente e o Ori­ente») e chega a afir­mar que, por isso, «de­via ter um lu­gar es­pe­cial no con­jun­to das lín­guas ofi­ci­ais europeias».

Por quê? Se a diversidade e a igual­dade lin­guís­ticas são posi­tivas e essen­ci­ais à iden­ti­dade euro­peia e se a he­ge­mo­nia é má quan­do pro­ta­go­ni­za­da pelo in­glês, como se pode então re­cla­mar um lugar de des­ta­que para o por­tu­guês? Se a adopção do es­pe­ranto é pos­ta de par­te por (depre­endo) se tratar de uma so­lu­ção que exi­gi­ria “von­tade po­lí­ti­ca” a con­tra­pêlo da ten­dên­cia na­tu­ral para “apos­tar no que vai à fren­te”, o que jus­ti­fica então esta pro­mo­ção de uma po­si­ção que, dado o inexis­tente pres­tígio do por­tu­guês como lin­gua franca glo­bal ou eu­ro­peia, não é mais que uma uto­pia gratuita?

(Noto que não é pos­sí­vel assu­mir uma po­sição de pre­tensa “de­fe­sa” da lín­gua por­tu­guesa após se ter ar­gu­men­ta­do da sua ex­ce­lên­cia com base jus­ta­mente na sua pu­jan­ça de­mo­grá­fi­ca e so­cial. Con­stato com alí­vio que Edite Estrela não caiu nesta “po­pu­lar” ar­madilha.)

Confesso que não entendo, pois, a ló­gica deste “gol­pe de anca” na ar­gu­men­ta­ção da cró­nica — a me­nos co­mo uma ma­ni­fes­ta­ção da ne­ces­si­dade do po­lí­tico de agra­dar a todos, de mui­to fa­lar pa­ra na­da mu­dar: Esta Estrela, “ver­de” para alguns temas, mas ex­pe­ri­ente Rainha Encarnada.

Categorias

Entidades

No Di­ário de No­tí­cias do pas­sado do­min­go (p.7), Edi­te Es­tre­la, ago­ra eu­ro­‑de­pu­ta­da, abor­da o te­ma da lín­gua nas ins­ti­tu­i­ções da União Euro­peia, em re­gisto “clás­sico” para quem o tema não for novo.

Começa por elen­car as actuais lín­guas ofi­ci­ais (dei­xan­do de lado as muitas que não o são), enfa­tiza o cres­ci­mento cons­tante do seu nú­mero des­de a fun­da­ção, e intro­duz de forma cla­ra o di­lema cen­tral da mo­derna Inter­lin­guís­tica Apli­cada: «A di­ver­si­dade lin­guís­tica »(…)« é um va­lor cen­tral da cons­tru­ção euro­peia, ainda que »(…)« acar­rete in­ilu­dí­veis di­fi­cul­da­des e ele­va­dos cus­tos.» (O ne­gri­to a mar­car o ad­ver­sa­tivo é meu.) Ou seja, de­tec­ta­‑se aqui uma (apa­rente?) in­com­pa­ti­bi­li­da­de ético­‑prá­tica.

Mais adi­an­te, Edite Estre­la faz vis­lum­brar por que é a di­ver­si­dade lin­guís­tica um valor cen­tral: «mexe com duas áreas muito sen­sí­veis: a da iden­ti­da­de e a das emoções.» Muito bem, mas cla­ro que isto não es­go­ta a questão. A im­por­tân­cia ca­pi­tal do fe­nó­me­no lín­gua é me­di­da da inex­trin­cável inter­pe­ne­tração entre este e quase toda a co­mu­ni­cação e muita da ex­pres­são humanas.

Quando conjugado num con­texto de di­ver­si­dade lin­guís­tica, o fe­nó­meno lín­gua as­sen­ta de facto na iden­ti­dade (in­di­vi­dual e de gru­po, a mui­tís­simos ní­veis) e é cer­ta­mente vec­tor e alvo de emoções (por sua vez li­ga­das à iden­ti­dade ex­pres­sa en­quan­to de fa­lante), mas extra­vasa para tudo quanto con­cer­ne a, p. ex., auto­nomia cul­tural de cada gru­po, a co­mu­ni­cação inter­‑ét­nica não­‑ins­ti­tu­cional, ou a globa­li­zação dos meios de comu­ni­cação — temas estes que fica­ram por abor­dar nesta crónica.

Baseada nestes pres­su­pos­tos (im­por­tân­cia e “de­li­ca­de­za” de uma po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca que tra­te das exi­gên­cias éti­cas e prá­ti­cas da co­mu­ni­ca­ção em meio lin­guis­ti­ca­men­te di­ver­so), é a Edite Estrela evi­den­te que o plu­ri­lin­gui­smo é um bom prin­cí­pio (en­ten­di­do como com­pe­tên­cia co­mu­ni­ca­ci­o­nal em lin­guas não­‑ma­ter­nas, numa pers­pec­tiva emi­nen­te­mente es­co­lar; a cró­ni­ca é aliás in­tro­du­zi­da por uma re­fe­rên­cia ao le­ma «Apren­de Lín­guas e se­rás Al­guém», a adop­tar pelo Par­la­men­to Euro­peu em Ja­nei­ro), e que a he­ge­mo­nia da lingua franca ac­tual, o in­glês, é um mal ne­ces­sá­rio (des­fi­ando ar­gu­men­tos que, em­bo­ra evi­den­tes na subs­tân­cia, so­am ter­ri­vel­men­te in­gé­nuos a um es­pe­ran­tista “mo­der­no”, por for­ça de tan­to os ou­vir de seus pa­res mais tra­di­ci­o­nais).

E que sai des­te co­me­ço bem gi­za­do, des­te “pi­gar­ro” que ha­ve­ria de in­tro­du­zir uma lis­ta de fu­tu­ros pos­síveis e/ou de­se­já­veis? Bem, a meu ver nada de ar­ti­cu­la­do: Ten­do dei­xa­do de la­do uma ave­ni­da pro­mis­so­ra, Edite Es­tre­la der­rapa no úl­timo pa­rá­gra­fo em apa­ren­te con­tra­di­ção. Ve­jamos:

No 4º parágrafo men­ci­ona du­as «vo­zes» que «se fi­ze­ram ou­vir» «pe­ran­te tal la­bi­rinto lin­guís­ti­co» em de­fe­sa res­pec­ti­va do in­glês e do es­pe­ran­to. Fi­ca su­ben­ten­dido que Edite Es­tre­la não pre­co­ni­za qual­quer des­tas so­lu­ções para o pro­ble­ma, mas não se adi­anta: Quan­to ao in­glês (cu­ja ac­tual con­fi­gu­ração he­ge­mó­ni­ca lhe me­re­ce gra­ves re­pa­ros no 6º pa­rá­grafo), nem adi­ta o ób­vio — que bas­ta na­da fa­zer de novo em ma­té­ria de po­lí­ti­ca lin­guís­ti­ca euro­peia para pro­mo­ver es­ta opção. No que con­cer­ne ao es­pe­ran­to, fi­ca apa­ren­te­mente o “ca­so ar­ru­ma­do” com a fra­se que diz «po­de ser­‑se bi­lin­gue, mas não apátri­da da lin­gua­gem à pro­cu­ra de asi­lo numa lín­gua de aco­lhi­men­to»; fi­ca à ima­gi­na­ção de quem pu­der en­ten­der a re­le­vân­cia des­ta ci­ta­ção — eu por mim não per­cebi nada: Tal­vez por co­nhe­cer bem de mais os vo­lu­mo­sos dos­siês que cru­zam as co­or­de­na­das "es­pe­ranto" com "União Euro­peia"? Conhe­cê­‑los­‑á Edite?

Finalmente, no 8º e úl­ti­mo pa­rá­gra­fo Edite Estrela des­cai, como dito, para um dis­cur­so que pa­re­ce con­tra­di­zer tudo o que afir­mara e de­fen­dera acima: Como para­do­xais e inefi­ca­zes con­tra­ponto à denún­cia da he­ge­mo­nia, e co­ro­lário ao elo­gio da di­ver­si­dade, sur­ge a fe­char a cró­ni­ca um pa­ne­gí­ri­co des­lo­ca­do à lín­gua por­tu­guesa e apelo à sua pro­mo­ção no es­pa­ço da União. Ora, posta que está a vi­ta­li­dade demo­grá­fica e social do por­tu­guês, tanto na Eu­ro­pa como no mun­do, põe­‑se esta fora do al­can­ce da pro­tec­ção de­vi­da às lín­guas de pe­quena di­men­são (as­pecto que foi ape­nas tra­tado oblíqua­mente nes­ta cró­nica).

Que se pretende então com este exal­tar da “lusa lín­gua”? Jus­ti­ficar que deve­ria esta ocu­par o lugar “imere­cido” do ita­li­ano ou do ale­mão? Se sim, é uma con­clu­são ao arre­pio das con­si­de­rações é­ticas teci­das nos seis pri­mei­ros pará­gra­fos da cró­nica. No 7º Edite Estre­la ad­mite que «não há ino­cên­cia nem acaso nas es­co­lhas lin­guís­ticas», adi­tando já no 8º que o por­tu­guês é mais fa­la­do no mundo que ou­tras lín­guas euro­peias, as quais porém de­têm na União melhor si­tu­a­ção na es­ca­la de «hie­rar­quia e pri­vi­lé­gio» que «na prá­tica» con­tra­diz o prin­cípio teó­rico da igual­dade das línguas.

Edite Estrela arenga então sobre o (limi­ano?) «de­ver dos de­pu­ta­dos por­tu­gue­ses no PE» de pro­mover (ci­tando Torga) a lín­gua por­tu­guesa e a sua su­posta «ri­queza e ori­gi­na­li­dade» (se­rá que ti­das por ím­pares ou úni­cas?). Faz lista de carac­te­rís­ticas for­tuitas e duvidosas do por­tu­guês («foi a pri­mei­ra lín­gua euro­peia a esta­ble­cer uma ver­da­de­ira ponte cul­tu­ral entre o Oci­dente e o Ori­ente») e chega a afir­mar que, por isso, «de­via ter um lu­gar es­pe­cial no con­jun­to das lín­guas ofi­ci­ais europeias».

Por quê? Se a diversidade e a igual­dade lin­guís­ticas são posi­tivas e essen­ci­ais à iden­ti­dade euro­peia e se a he­ge­mo­nia é má quan­do pro­ta­go­ni­za­da pelo in­glês, como se pode então re­cla­mar um lugar de des­ta­que para o por­tu­guês? Se a adopção do es­pe­ranto é pos­ta de par­te por (depre­endo) se tratar de uma so­lu­ção que exi­gi­ria “von­tade po­lí­ti­ca” a con­tra­pêlo da ten­dên­cia na­tu­ral para “apos­tar no que vai à fren­te”, o que jus­ti­fica então esta pro­mo­ção de uma po­si­ção que, dado o inexis­tente pres­tígio do por­tu­guês como lin­gua franca glo­bal ou eu­ro­peia, não é mais que uma uto­pia gratuita?

(Noto que não é pos­sí­vel assu­mir uma po­sição de pre­tensa “de­fe­sa” da lín­gua por­tu­guesa após se ter ar­gu­men­ta­do da sua ex­ce­lên­cia com base jus­ta­mente na sua pu­jan­ça de­mo­grá­fi­ca e so­cial. Con­stato com alí­vio que Edite Estrela não caiu nesta “po­pu­lar” ar­madilha.)

Confesso que não entendo, pois, a ló­gica deste “gol­pe de anca” na ar­gu­men­ta­ção da cró­nica — a me­nos co­mo uma ma­ni­fes­ta­ção da ne­ces­si­dade do po­lí­tico de agra­dar a todos, de mui­to fa­lar pa­ra na­da mu­dar: Esta Estrela, “ver­de” para alguns temas, mas ex­pe­ri­ente Rainha Encarnada.

marcar artigo