O cortejo de arrependidos que, ao longo dos últimos dias, tem vindo a público afastar-se de Sócrates não pára de nos surpreender. Alguns daqueles que mais atacaram e injuriaram quem criticava José Sócrates são agora os mais “envergonhados”. Importa saber se é tudo teatro ou se estão verdadeiramente arrependidos. Como há dias lembrava o meu amigo Filipe Anacoreta, teremos a certeza do verdadeiro sentido deste arrependimento socialista com a decisão que tomarem sobre a recondução ou não da atual Procuradora-Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal.
Esta estratégia do Partido Socialista tem um grande objetivo: ter maioria absoluta. Mas os portugueses não são ingénuos. Costa pode mostrar o maior arrependimento, mas o facto é que Costa foi o grande cúmplice político de Sócrates. Aliás, foi o atual Primeiro-Ministro que apresentou Manuel Pinho a Sócrates, como revelou o Expresso.
Apesar de já terem passado 44 anos do 25 de Abril, quase parece que só nos últimos seis é que a justiça gozou verdadeiramente de liberdade e independência face ao poder político. Esta mudança deve-se, em parte, à boa teimosia do anterior Primeiro-Ministro de respeitar a separação de poderes mas, também e sobretudo, à conduta com que a atual PGR tem desempenhado o seu mandato.
Os anos recentes que antecederam a chegada de Joana Marques Vidal à PGR ficam marcados por uma conivência absurda entre os interesses do poder político e as opções de quem à época liderava o Ministério Público (Pinto Monteiro) e o Supremo Tribunal de Justiça (Noronha do Nascimento). Basta ver onde estiveram todos sentados na primeira fila com Sócrates e Lula na mesa principal.
Os tempos e peripécias de José Sócrates ficaram marcados pelos mais diversos episódios que contaram sempre com o travão dos mesmos. Foi o Freeport, o caso Cova da Beira, a Parque Escolar, a licenciatura, os contratos do TVG, das PPP´s, as rendas da energia, a interferência no BCP, o negócio ruinoso da PT, o controlo da comunicação social, os empréstimos da CGD a amigos, entre tantos outros que nunca chegaram ao conhecimento do grande público. Estivemos em pré-bancarrota e hoje percebemos cada vez mais porquê.
Se o PS e António Costa querem provar que estão mesmo arrependidos e que querem dar um banho de ética no Partido Socialista, cortando de vez com aquele passado, então a opção coerente a tomar será reconduzir a atual Procuradora-Geral da República para mais um mandato.
A decisão sobre a recondução da PGR dir-nos-á se este afastamento do PS em relação a José Sócrates é apenas estratégia política ou se é mesmo sincero e honesto.
O país tem que saber com que versão de António Costa é que conta: se com aquele que foi número dois de José Sócrates e que convidou a generalidade dos membros do Governo Sócrates para estarem hoje ao seu lado no Conselho de Ministros; se com o António Costa que tem como Redator da sua moção ao Congresso do PS Arons de Carvalho, que teve a mesma função com José Sócrates e que há poucos dias considerou “normal que um amigo viva de empréstimos de outro”; ou será que há de facto um novo António Costa?
O atual Primeiro-Ministro, que quando não dá jeito não comenta política interna no exterior, disse no Canadá que tinha sido surpreendido pelas declarações de Carlos César. Ora isso só pode ter duas explicações: ou discorda mesmo de César e não está envergonhado com o passado de Sócrates e Pinho, ou então quis apenas passar a ““mão no pelo” a Sócrates e evitar retaliações diretas ou embaraçosas do animal feroz.
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O cortejo de arrependidos que, ao longo dos últimos dias, tem vindo a público afastar-se de Sócrates não pára de nos surpreender. Alguns daqueles que mais atacaram e injuriaram quem criticava José Sócrates são agora os mais “envergonhados”. Importa saber se é tudo teatro ou se estão verdadeiramente arrependidos. Como há dias lembrava o meu amigo Filipe Anacoreta, teremos a certeza do verdadeiro sentido deste arrependimento socialista com a decisão que tomarem sobre a recondução ou não da atual Procuradora-Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal.
Esta estratégia do Partido Socialista tem um grande objetivo: ter maioria absoluta. Mas os portugueses não são ingénuos. Costa pode mostrar o maior arrependimento, mas o facto é que Costa foi o grande cúmplice político de Sócrates. Aliás, foi o atual Primeiro-Ministro que apresentou Manuel Pinho a Sócrates, como revelou o Expresso.
Apesar de já terem passado 44 anos do 25 de Abril, quase parece que só nos últimos seis é que a justiça gozou verdadeiramente de liberdade e independência face ao poder político. Esta mudança deve-se, em parte, à boa teimosia do anterior Primeiro-Ministro de respeitar a separação de poderes mas, também e sobretudo, à conduta com que a atual PGR tem desempenhado o seu mandato.
Os anos recentes que antecederam a chegada de Joana Marques Vidal à PGR ficam marcados por uma conivência absurda entre os interesses do poder político e as opções de quem à época liderava o Ministério Público (Pinto Monteiro) e o Supremo Tribunal de Justiça (Noronha do Nascimento). Basta ver onde estiveram todos sentados na primeira fila com Sócrates e Lula na mesa principal.
Os tempos e peripécias de José Sócrates ficaram marcados pelos mais diversos episódios que contaram sempre com o travão dos mesmos. Foi o Freeport, o caso Cova da Beira, a Parque Escolar, a licenciatura, os contratos do TVG, das PPP´s, as rendas da energia, a interferência no BCP, o negócio ruinoso da PT, o controlo da comunicação social, os empréstimos da CGD a amigos, entre tantos outros que nunca chegaram ao conhecimento do grande público. Estivemos em pré-bancarrota e hoje percebemos cada vez mais porquê.
Se o PS e António Costa querem provar que estão mesmo arrependidos e que querem dar um banho de ética no Partido Socialista, cortando de vez com aquele passado, então a opção coerente a tomar será reconduzir a atual Procuradora-Geral da República para mais um mandato.
A decisão sobre a recondução da PGR dir-nos-á se este afastamento do PS em relação a José Sócrates é apenas estratégia política ou se é mesmo sincero e honesto.
O país tem que saber com que versão de António Costa é que conta: se com aquele que foi número dois de José Sócrates e que convidou a generalidade dos membros do Governo Sócrates para estarem hoje ao seu lado no Conselho de Ministros; se com o António Costa que tem como Redator da sua moção ao Congresso do PS Arons de Carvalho, que teve a mesma função com José Sócrates e que há poucos dias considerou “normal que um amigo viva de empréstimos de outro”; ou será que há de facto um novo António Costa?
O atual Primeiro-Ministro, que quando não dá jeito não comenta política interna no exterior, disse no Canadá que tinha sido surpreendido pelas declarações de Carlos César. Ora isso só pode ter duas explicações: ou discorda mesmo de César e não está envergonhado com o passado de Sócrates e Pinho, ou então quis apenas passar a ““mão no pelo” a Sócrates e evitar retaliações diretas ou embaraçosas do animal feroz.