Luís Marques Mendes, a propósito da saída da Grécia do programa de resgate do FMI, BCE e Comissão Europeia, comparou com Portugal que saiu em 2014.
A Grécia teve esta semana a sua saída limpa.
“É inevitável, por isso mesmo, comparar os resgates de Portugal e da Grécia”, diz o comentador que trouxe este domingo para a SIC dois quadros comparativos.
A Grécia teve três resgates, durante 8 anos, envolvendo financiamentos de 288 mil milhões de euros. Portugal teve apenas um único resgate, teve três anos de intervenção e apenas 78 mil milhões de euros.
“Portugal foi mais bem sucedido que a Grécia”. O que se torna mais evidente quando se compara os resultados da economia no momento da saída limpa.
Portugal, designadamente em matéria de dimensão da dívida pública foi muito melhor que a Grécia, pois tinha 130% de dívida pública sobre o PIB e a Grécia sai com 180% da dívida pública sobre o PIB, e já teve dois perdões de dívida (ao contrário de Portugal).
Em termos de juros soberanos a 10 anos (espelho do riscode um país), Portugal quando saiu do resgate tinha os juros a 3,5% e a Grécia no momento da saída tem um juro no mercado secundário de 4,2%.
Em termos de contracção da economia. A Grécia teve durante este período uma contração do PIB de 27,5%, Portugal apenas 10%.
Ao nível do desemprego, a Grécia sai do resgate com uma taxa de 19,5% e Portugal tinha na sua saída limpa 14,4%.
Depois temos as exportações. A Grécia durante este período de sete anos teve um crescimento de 20%, Portugal no mesmo período as exportações cresceram 50%. “Em todos os indicadores o nosso resgate teve mais sucesso que o grego”.
“Apesar de doloroso, o resgate português foi menos pesado que o grego”, disse Marques Mendes.
“É a esta luz que se devem analisar as polémicas declarações de Centeno”, contextualizou o comentador. “Muita gente criticou o presidente do Eurogrupo por ele ter elogiado o resgate grego”, nomeadamente o PS (João Galamba), o PCP e o Bloco de Esquerda. Mas Marques Mendes diz que não acha que Mário Centeno deva ser censurado pelo que disse sobre a Grécia. “Disse o óbvio e disse o que a cartilha do Eurogrupo manda dizer. Ou seja que os gregos tiveram grandes erros, como o despesismo e irresponsabilidade orçamental, que convém não repetir”.
O ministro das Finanças do governo de António Costa, que é presidento do Eurogrupo, disse que os “gregos aprenderam com o que se passou; que a Grécia pagou caro os seus erros do passado; que a economia se modernizou e que a Grécia reconquistou o controlo do seu destino”.
Isto é o discurso normal. “O que é censurável é sim o que Mário Centeno disse há três anos em Portugal, quando o país fez a sua saída limpa” com o Governo de Pedro Passos Coelho.
“Centeno na altura criticou a saída limpa do país, apesar de o nosso resgate ter sido muito mais bem sucedido que o resgate grego”.
Fica a ideia que “Mário Centeno tem uma relação difícil com a verdade e com a coerência”.
“Aqui teve dois pesos e duas medidas. Em Portugal, criticou a saída portuguesa para agradar à geringonça. Em Bruxelas, elogiou a saída grega para agradar aos alemães, a pensar na sua carreira internacional”, apontou o comentador .
António Costa e a rentrée
O líder do PS fez este fim de semana um discurso de campanha eleitorial. Começou por apresentar a obra feita (na economia, no emprego, na saúde e na educação). “É um discurso bem feito e bem fundamentado. Mas tem apenas um senão: não é honesto comparar este mandato com o mandato anterior, no tempo da troika.
Depois faz um discurso sobre o próximo orçamento. Os dados para o OE 2019 “não tem novidades face ao que já se sabia. Aposta nas Pensões, aposta na cultura, aposta na ciência e aposta no interior”. Marques Mendes disse que o discurso gera dinâmica e expectativa positiva.
“Há uma terceira parte no discurso de António Costa que são recados”, disse especificando que foi um discurso “com dois recados aos parceiros de Governo, BE e PCP. Quando diz que atenção nada de crises políticas porque o país precisa de estabilidade”. Como quem diz “não chumbem o OE porque o país precisa de estabilidade”.
Em segundo lugar diz “apesar de ser um ano de eleições não contém comigo para irresponsabilidade orçamental. Também aqui me parece um discurso inteligente, porque dá do PS a imagem de um partido moderado, responsável e de boas contas. O ideal para conquistar votos ao centro. O que devia preocupar o PSD.
Mas houve ainda um recado ao presidente da República que tem dito que não quer um Orçamento eleitoralista.
“António Costa pediu a maioria absoluta sem a pedir diretamente quando diz que é preciso dar mais força ao PS para garantir a estabilidade”, disse o comentador. “O que é isto se não pedir a maioria? Para bom entendedor meia palavra basta”.
Vem aí a decisão de substituir ou não Joana Marques Vidal
O mandato da Procuradora Geral da República termina em outubro. O mandato é de seis anos. Pode fazer mais um e quem decide é o Presidente da República sob proposta do Governo.
“Em setembro, o Presidente da República e Governo vão tomar uma decisão que pode ser profundamente consensual ou altamente polémica: a recondução ou a substituição de Joana Marques Vidal. Do ponto de vista do país, há todas as razões para reconduzir a actual PGR”, defendeu o comentador e citou a sua atuação positiva no último mandato.
Joana Marques Vidal é o primeiro PGR que sai mais prestigiado à saida do que à entrada.
Sobre a CGD, e tendo em conta que há mais de seis anos que não havia uma greve no banco do Estado. Sucedeu esta semana, uma greve contra a ideia da Caixa de pretender rever o acordo da empresa. “Importa dizer que ambas as partes – Administração da Caixa e sindicatos – estão a cumprir o seu papel”.
Marques Mendes salienta que a CGD fez uma proposta equilibrada “as regalias mantèm-se acima dos outros bancos em vários setores, nas condições de acesso à reforma dos trabalhadores, na saúde, na assistência social e nas diuturnidades”, lembrou.
Marques Mendes frisou que “a Administração está a fazer o que responsavelmente tem de ser feito: cumprir o plano de restruturação que foi aprovado por Bruxelas e que não é responsabilidade desta Administração; harmonizar as regalias laborais dentro da Caixa como as que já se praticam na Banca em geral; substituir alguns excessos do passado, como as progressões por antiguidade pelas progressões por mérito”.
O sucesso da paralisação foi relativo (36% de adesão à greve).
O projecto de reversão das freguesias é considerado por Marques Mendes um erro, à semelhança do que defenderam já outras vozes sociais democratas.
Sobre a intenção anunciada por António Costa de querer apresentar uma lista paritária (50% homens e 50% mulheres) ao Parlamento Europeu, Marques Mendes elogiou o princípio e anunciou que o numero dois “será Maria João Rodrigues”, que foi ministra de Guterres.
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Luís Marques Mendes, a propósito da saída da Grécia do programa de resgate do FMI, BCE e Comissão Europeia, comparou com Portugal que saiu em 2014.
A Grécia teve esta semana a sua saída limpa.
“É inevitável, por isso mesmo, comparar os resgates de Portugal e da Grécia”, diz o comentador que trouxe este domingo para a SIC dois quadros comparativos.
A Grécia teve três resgates, durante 8 anos, envolvendo financiamentos de 288 mil milhões de euros. Portugal teve apenas um único resgate, teve três anos de intervenção e apenas 78 mil milhões de euros.
“Portugal foi mais bem sucedido que a Grécia”. O que se torna mais evidente quando se compara os resultados da economia no momento da saída limpa.
Portugal, designadamente em matéria de dimensão da dívida pública foi muito melhor que a Grécia, pois tinha 130% de dívida pública sobre o PIB e a Grécia sai com 180% da dívida pública sobre o PIB, e já teve dois perdões de dívida (ao contrário de Portugal).
Em termos de juros soberanos a 10 anos (espelho do riscode um país), Portugal quando saiu do resgate tinha os juros a 3,5% e a Grécia no momento da saída tem um juro no mercado secundário de 4,2%.
Em termos de contracção da economia. A Grécia teve durante este período uma contração do PIB de 27,5%, Portugal apenas 10%.
Ao nível do desemprego, a Grécia sai do resgate com uma taxa de 19,5% e Portugal tinha na sua saída limpa 14,4%.
Depois temos as exportações. A Grécia durante este período de sete anos teve um crescimento de 20%, Portugal no mesmo período as exportações cresceram 50%. “Em todos os indicadores o nosso resgate teve mais sucesso que o grego”.
“Apesar de doloroso, o resgate português foi menos pesado que o grego”, disse Marques Mendes.
“É a esta luz que se devem analisar as polémicas declarações de Centeno”, contextualizou o comentador. “Muita gente criticou o presidente do Eurogrupo por ele ter elogiado o resgate grego”, nomeadamente o PS (João Galamba), o PCP e o Bloco de Esquerda. Mas Marques Mendes diz que não acha que Mário Centeno deva ser censurado pelo que disse sobre a Grécia. “Disse o óbvio e disse o que a cartilha do Eurogrupo manda dizer. Ou seja que os gregos tiveram grandes erros, como o despesismo e irresponsabilidade orçamental, que convém não repetir”.
O ministro das Finanças do governo de António Costa, que é presidento do Eurogrupo, disse que os “gregos aprenderam com o que se passou; que a Grécia pagou caro os seus erros do passado; que a economia se modernizou e que a Grécia reconquistou o controlo do seu destino”.
Isto é o discurso normal. “O que é censurável é sim o que Mário Centeno disse há três anos em Portugal, quando o país fez a sua saída limpa” com o Governo de Pedro Passos Coelho.
“Centeno na altura criticou a saída limpa do país, apesar de o nosso resgate ter sido muito mais bem sucedido que o resgate grego”.
Fica a ideia que “Mário Centeno tem uma relação difícil com a verdade e com a coerência”.
“Aqui teve dois pesos e duas medidas. Em Portugal, criticou a saída portuguesa para agradar à geringonça. Em Bruxelas, elogiou a saída grega para agradar aos alemães, a pensar na sua carreira internacional”, apontou o comentador .
António Costa e a rentrée
O líder do PS fez este fim de semana um discurso de campanha eleitorial. Começou por apresentar a obra feita (na economia, no emprego, na saúde e na educação). “É um discurso bem feito e bem fundamentado. Mas tem apenas um senão: não é honesto comparar este mandato com o mandato anterior, no tempo da troika.
Depois faz um discurso sobre o próximo orçamento. Os dados para o OE 2019 “não tem novidades face ao que já se sabia. Aposta nas Pensões, aposta na cultura, aposta na ciência e aposta no interior”. Marques Mendes disse que o discurso gera dinâmica e expectativa positiva.
“Há uma terceira parte no discurso de António Costa que são recados”, disse especificando que foi um discurso “com dois recados aos parceiros de Governo, BE e PCP. Quando diz que atenção nada de crises políticas porque o país precisa de estabilidade”. Como quem diz “não chumbem o OE porque o país precisa de estabilidade”.
Em segundo lugar diz “apesar de ser um ano de eleições não contém comigo para irresponsabilidade orçamental. Também aqui me parece um discurso inteligente, porque dá do PS a imagem de um partido moderado, responsável e de boas contas. O ideal para conquistar votos ao centro. O que devia preocupar o PSD.
Mas houve ainda um recado ao presidente da República que tem dito que não quer um Orçamento eleitoralista.
“António Costa pediu a maioria absoluta sem a pedir diretamente quando diz que é preciso dar mais força ao PS para garantir a estabilidade”, disse o comentador. “O que é isto se não pedir a maioria? Para bom entendedor meia palavra basta”.
Vem aí a decisão de substituir ou não Joana Marques Vidal
O mandato da Procuradora Geral da República termina em outubro. O mandato é de seis anos. Pode fazer mais um e quem decide é o Presidente da República sob proposta do Governo.
“Em setembro, o Presidente da República e Governo vão tomar uma decisão que pode ser profundamente consensual ou altamente polémica: a recondução ou a substituição de Joana Marques Vidal. Do ponto de vista do país, há todas as razões para reconduzir a actual PGR”, defendeu o comentador e citou a sua atuação positiva no último mandato.
Joana Marques Vidal é o primeiro PGR que sai mais prestigiado à saida do que à entrada.
Sobre a CGD, e tendo em conta que há mais de seis anos que não havia uma greve no banco do Estado. Sucedeu esta semana, uma greve contra a ideia da Caixa de pretender rever o acordo da empresa. “Importa dizer que ambas as partes – Administração da Caixa e sindicatos – estão a cumprir o seu papel”.
Marques Mendes salienta que a CGD fez uma proposta equilibrada “as regalias mantèm-se acima dos outros bancos em vários setores, nas condições de acesso à reforma dos trabalhadores, na saúde, na assistência social e nas diuturnidades”, lembrou.
Marques Mendes frisou que “a Administração está a fazer o que responsavelmente tem de ser feito: cumprir o plano de restruturação que foi aprovado por Bruxelas e que não é responsabilidade desta Administração; harmonizar as regalias laborais dentro da Caixa como as que já se praticam na Banca em geral; substituir alguns excessos do passado, como as progressões por antiguidade pelas progressões por mérito”.
O sucesso da paralisação foi relativo (36% de adesão à greve).
O projecto de reversão das freguesias é considerado por Marques Mendes um erro, à semelhança do que defenderam já outras vozes sociais democratas.
Sobre a intenção anunciada por António Costa de querer apresentar uma lista paritária (50% homens e 50% mulheres) ao Parlamento Europeu, Marques Mendes elogiou o princípio e anunciou que o numero dois “será Maria João Rodrigues”, que foi ministra de Guterres.