Manhã quente em Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito, a 40 kms de Beja. Comboio praticamente a horas, sem muita gente, e com ar condicionado a funcionar, tornando a viagem a bordo mais confortável do que a atmosfera exterior.
É a mesma linha onde num verão passado o comboio avariou, os passageiros tiveram de arrombar portas para não sufocar e depois, já noite dentro mas com 43 graus, foram obrigados a caminhar sobre as travessas e entre carris, até à estação mais próxima.
Mais sorte teve a comitiva de Marisa Matias, e os jornalistas que a acompanham, nesta manhã de terça-feira. Uma viagem em direção a Beja que demorou uns 27 minutos, feita com tranquilidade.
Foi num dos troços ferroviários mais ermos do país (entre os que não estão efetivamente ao abandono ou já desmantelados) - pois quem pretende ir de Beja para o Algarve tem de subir em direção Lisboa, para depois no Pinhal Novo voltar a descer -, que a candidata do BE revelou que tem um sonho: o dia em que toda uma campanha eleitoral possa ser feita em transportes públicos. Mas isso não é possível, e Marisa Matias acordou rapidamente para a realidade e para a campanha. Para a candidata do Bloco, seriam precisos investimentos que Bruxelas não dá. Quando muito, empresta, e é só em parte. A culpa, para Marisa, é da forma como é vendido o Plano Juncker.
“Desfazer alguns equívocos em relação ao Plano Juncker”, foi o mote das palavras aos jornalistas. “Ele tem sido apresentado como enorme investimento, mas na realidade trata-se de um empréstimo, que conta para a dívida”, afirmou a candidata.
Por outro lado, o Plano Juncker nunca cobre a totalidade do custo da obra, pois cada Estado tem de suportar uma parte. O financiamento nacional anda entre os 40% e 85% de cada projeto, explicou a candidata.
Este colete de forças, conjugado com os critérios determinantes para Bruxelas (“favorecem as PPP e privilegiam a rentabilidade”, diz Marisa Matias), faz com que muitos projetos sejam rejeitados. “A Comissão Europeia já chumbou duas vezes a linha Aveiro – Viseu – Mangualde”, afirma a candidata do Bloco.
Por isso, “o Plano Juncker nunca chegará ou vai chegar a Beja ou a uma região do interior” em Portugal, garante a eurodeputada bloquista.
A solução está “numa políticade coesão a sério, sem cortes”, conclui.
Silêncio de Marcelo sem ruído no BE
Foi já no cais de Beja, no fim da viagem, que Catarina Martins falou aos jornalistas. Instada a comentar o fim do silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa relativo à crise política, a coordenadora nacional do BE mediu bem cada palavra. “O Senhor Presidente da República fez o que tinha fazer e explicou bem, que só falaria se houvesse uma crise política”. A pergunta foi repetida: a mesma resposta, mais palavra menos palavra. Sobre o desempenho presidencial, a líder do Bloco tinha o discurso bem encarrilado.
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Manhã quente em Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito, a 40 kms de Beja. Comboio praticamente a horas, sem muita gente, e com ar condicionado a funcionar, tornando a viagem a bordo mais confortável do que a atmosfera exterior.
É a mesma linha onde num verão passado o comboio avariou, os passageiros tiveram de arrombar portas para não sufocar e depois, já noite dentro mas com 43 graus, foram obrigados a caminhar sobre as travessas e entre carris, até à estação mais próxima.
Mais sorte teve a comitiva de Marisa Matias, e os jornalistas que a acompanham, nesta manhã de terça-feira. Uma viagem em direção a Beja que demorou uns 27 minutos, feita com tranquilidade.
Foi num dos troços ferroviários mais ermos do país (entre os que não estão efetivamente ao abandono ou já desmantelados) - pois quem pretende ir de Beja para o Algarve tem de subir em direção Lisboa, para depois no Pinhal Novo voltar a descer -, que a candidata do BE revelou que tem um sonho: o dia em que toda uma campanha eleitoral possa ser feita em transportes públicos. Mas isso não é possível, e Marisa Matias acordou rapidamente para a realidade e para a campanha. Para a candidata do Bloco, seriam precisos investimentos que Bruxelas não dá. Quando muito, empresta, e é só em parte. A culpa, para Marisa, é da forma como é vendido o Plano Juncker.
“Desfazer alguns equívocos em relação ao Plano Juncker”, foi o mote das palavras aos jornalistas. “Ele tem sido apresentado como enorme investimento, mas na realidade trata-se de um empréstimo, que conta para a dívida”, afirmou a candidata.
Por outro lado, o Plano Juncker nunca cobre a totalidade do custo da obra, pois cada Estado tem de suportar uma parte. O financiamento nacional anda entre os 40% e 85% de cada projeto, explicou a candidata.
Este colete de forças, conjugado com os critérios determinantes para Bruxelas (“favorecem as PPP e privilegiam a rentabilidade”, diz Marisa Matias), faz com que muitos projetos sejam rejeitados. “A Comissão Europeia já chumbou duas vezes a linha Aveiro – Viseu – Mangualde”, afirma a candidata do Bloco.
Por isso, “o Plano Juncker nunca chegará ou vai chegar a Beja ou a uma região do interior” em Portugal, garante a eurodeputada bloquista.
A solução está “numa políticade coesão a sério, sem cortes”, conclui.
Silêncio de Marcelo sem ruído no BE
Foi já no cais de Beja, no fim da viagem, que Catarina Martins falou aos jornalistas. Instada a comentar o fim do silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa relativo à crise política, a coordenadora nacional do BE mediu bem cada palavra. “O Senhor Presidente da República fez o que tinha fazer e explicou bem, que só falaria se houvesse uma crise política”. A pergunta foi repetida: a mesma resposta, mais palavra menos palavra. Sobre o desempenho presidencial, a líder do Bloco tinha o discurso bem encarrilado.