18 Nov 2019, 19:36
É a próxima grande batalha. Todos os candidatos a líder do PSD sabem que vão ter pela frente, em 2021, a oportunidade de voltar a pintar de laranja o mapa autárquico em Portugal e de ficar com uma vitória em carteira. Mas nem todos o assumem. Depois de Rui Rio ter jogado a cartada do realismo, afirmando apenas que a ambição é “recuperar muitas das câmaras perdidas”, Luís Montenegro anunciou na apresentação da sua candidatura que a ambição era “mesmo ganhar eleições”, não só as autárquicas como as próximas legislativas, como as legislativas seguintes. E agora foi a vez de Miguel Pinto Luz apontar também para o alto: objetivo é tirar o partido do “campeonato dos pequeninos”, voltar a pô-lo na primeira liga da política e “ganhar as próximas eleições autárquicas” para, depois, “liderar o governo”. Vontade “imensa” não lhe falta, mas Pinto Luz sabe que o “caminho é difícil, longo e repleto de obstáculos”. Em todo o caso, não admite equacionar outros cenários que não o de ganhar à primeira volta.
“Estou aqui perante vós com uma vontade imensa. A vontade, a energia e a ambição de liderar o PSD, de ganhar as próximas eleições autárquicas e naturalmente reconquistar a confiança dos portugueses para liderar o governo do nosso país. Quero contar com os que estão comigo e com os meus adversários para a construção dessas vitórias. Não ignoro que o caminho é difícil, longo e repleto de obstáculos. Mas não me resigno perante as dificuldades. Sei que trago comigo a coragem das convicções para liderar um projeto político, mobilizador e de mudança para a sociedade portuguesa”, disse já na fase final do seu discurso de quase meia hora, feito “à americana”, num palco montado em 360º, com um moderno teleponto estrategicamente posicionado do lado esquerdo e do lado direito, para não estar a olhar para baixo enquanto lia o discurso.
O cenário, de resto, montado no Pátio da Galé, em Lisboa, transpirava modernidade. É isso que o autarca de Cascais quer catapultar para o PSD: a ideia de um partido “vencedor, dinâmico, relevante, capaz de mobilizar a sociedade portuguesa”, capaz de “atrair novos rostos” e capaz de “agregar os setores mais criativos da sociedade”. Inovação, inteligência artificial, revolução digital, mudança foram palavras repetidas durante a intervenção. “Nós somos a mudança”, resumiu.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Anti-Rio e pró-Passos. Montenegro II? Numas eleições diretas disputadas a três, uma das questões que se coloca é saber distinguir as três candidaturas e perceber que espaço ocupa cada uma. Foi isso que Miguel Pinto Luz tentou fazer esta segunda-feira no Pátio da Galé, em Lisboa: é anti-Rio e tudo o que Rui Rio representa, por um lado, e não nega a herança do passismo, porque foi com ele que o PSD “voltou a ser portador de valores reformistas”, por outro. Ou seja, Miguel Pinto Luz parece ocupar o mesmo espaço que Luís Montenegro, mas rejeita que uma candidatura sua sirva para dispersar os votos anti-Rio, defendendo que o seu objetivo é mesmo ganhar à primeira volta. A herança do passismo, contudo, terá de a disputar com Montenegro. “O PSD cresceu sempre quando foi capaz de apresentar algo novo ao país”, começou por dizer, escolhendo depois elogiar três ex-líderes do partido, para provar a sua tese: Francisco Sá Carneiro, porque foi com ele que o PSD se tornou uma “referência incontornável da social-democracia do estilo europeu”; Cavaco Silva, porque foi com ele que o PSD deu “um novo impulso à economia portuguesa, dando à iniciativa privada o espaço que ela merece”; e, por fim, Pedro Passos Coelho, pelos valores “reformistas” que representa. É com base nessas referências que Miguel Pinto Luz quer assentar os pilares da sua candidatura. Nisso, e na oposição ao rioísmo. Ainda esta segunda-feira o seu mais recente apoiante, Marco António Costa, comparou-o a Cavaco Silva, que também era “improvável e desconhecido”, comparação essa que Pinto Luz admite ser “honrosa” mas dando o devido desconto: “são elogios de amigos”. O nome de Rui Rio não foi ouvido neste final de tarde no Pátio da Galé — a não ser que se conte com o hino “Nós somos um rio” que se ouviu no final da intervenção — mas não faltaram referências à ideia de que a candidatura de Miguel Pinto Luz é, tal como a de Luís Montenegro, uma candidatura de oposição à recandidatura do atual líder do partido, nomeadamente uma oposição à ideia de um partido fragmentado e que vive em torno do líder. “Há quem só goste de uma parte do PSD e quem não gosta deste PSD, que dê lugar a quem goste e queira lutar por Portugal“, disse, acrescentando ainda que “quando se gosta, não se tenta diminuir o partido, concelhia a concelhia, distrital a distrital, apenas para ter o partido à sua imagem e semelhança”. Tudo críticas veladas a Rui Rio.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Categorias
Entidades
18 Nov 2019, 19:36
É a próxima grande batalha. Todos os candidatos a líder do PSD sabem que vão ter pela frente, em 2021, a oportunidade de voltar a pintar de laranja o mapa autárquico em Portugal e de ficar com uma vitória em carteira. Mas nem todos o assumem. Depois de Rui Rio ter jogado a cartada do realismo, afirmando apenas que a ambição é “recuperar muitas das câmaras perdidas”, Luís Montenegro anunciou na apresentação da sua candidatura que a ambição era “mesmo ganhar eleições”, não só as autárquicas como as próximas legislativas, como as legislativas seguintes. E agora foi a vez de Miguel Pinto Luz apontar também para o alto: objetivo é tirar o partido do “campeonato dos pequeninos”, voltar a pô-lo na primeira liga da política e “ganhar as próximas eleições autárquicas” para, depois, “liderar o governo”. Vontade “imensa” não lhe falta, mas Pinto Luz sabe que o “caminho é difícil, longo e repleto de obstáculos”. Em todo o caso, não admite equacionar outros cenários que não o de ganhar à primeira volta.
“Estou aqui perante vós com uma vontade imensa. A vontade, a energia e a ambição de liderar o PSD, de ganhar as próximas eleições autárquicas e naturalmente reconquistar a confiança dos portugueses para liderar o governo do nosso país. Quero contar com os que estão comigo e com os meus adversários para a construção dessas vitórias. Não ignoro que o caminho é difícil, longo e repleto de obstáculos. Mas não me resigno perante as dificuldades. Sei que trago comigo a coragem das convicções para liderar um projeto político, mobilizador e de mudança para a sociedade portuguesa”, disse já na fase final do seu discurso de quase meia hora, feito “à americana”, num palco montado em 360º, com um moderno teleponto estrategicamente posicionado do lado esquerdo e do lado direito, para não estar a olhar para baixo enquanto lia o discurso.
O cenário, de resto, montado no Pátio da Galé, em Lisboa, transpirava modernidade. É isso que o autarca de Cascais quer catapultar para o PSD: a ideia de um partido “vencedor, dinâmico, relevante, capaz de mobilizar a sociedade portuguesa”, capaz de “atrair novos rostos” e capaz de “agregar os setores mais criativos da sociedade”. Inovação, inteligência artificial, revolução digital, mudança foram palavras repetidas durante a intervenção. “Nós somos a mudança”, resumiu.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Anti-Rio e pró-Passos. Montenegro II? Numas eleições diretas disputadas a três, uma das questões que se coloca é saber distinguir as três candidaturas e perceber que espaço ocupa cada uma. Foi isso que Miguel Pinto Luz tentou fazer esta segunda-feira no Pátio da Galé, em Lisboa: é anti-Rio e tudo o que Rui Rio representa, por um lado, e não nega a herança do passismo, porque foi com ele que o PSD “voltou a ser portador de valores reformistas”, por outro. Ou seja, Miguel Pinto Luz parece ocupar o mesmo espaço que Luís Montenegro, mas rejeita que uma candidatura sua sirva para dispersar os votos anti-Rio, defendendo que o seu objetivo é mesmo ganhar à primeira volta. A herança do passismo, contudo, terá de a disputar com Montenegro. “O PSD cresceu sempre quando foi capaz de apresentar algo novo ao país”, começou por dizer, escolhendo depois elogiar três ex-líderes do partido, para provar a sua tese: Francisco Sá Carneiro, porque foi com ele que o PSD se tornou uma “referência incontornável da social-democracia do estilo europeu”; Cavaco Silva, porque foi com ele que o PSD deu “um novo impulso à economia portuguesa, dando à iniciativa privada o espaço que ela merece”; e, por fim, Pedro Passos Coelho, pelos valores “reformistas” que representa. É com base nessas referências que Miguel Pinto Luz quer assentar os pilares da sua candidatura. Nisso, e na oposição ao rioísmo. Ainda esta segunda-feira o seu mais recente apoiante, Marco António Costa, comparou-o a Cavaco Silva, que também era “improvável e desconhecido”, comparação essa que Pinto Luz admite ser “honrosa” mas dando o devido desconto: “são elogios de amigos”. O nome de Rui Rio não foi ouvido neste final de tarde no Pátio da Galé — a não ser que se conte com o hino “Nós somos um rio” que se ouviu no final da intervenção — mas não faltaram referências à ideia de que a candidatura de Miguel Pinto Luz é, tal como a de Luís Montenegro, uma candidatura de oposição à recandidatura do atual líder do partido, nomeadamente uma oposição à ideia de um partido fragmentado e que vive em torno do líder. “Há quem só goste de uma parte do PSD e quem não gosta deste PSD, que dê lugar a quem goste e queira lutar por Portugal“, disse, acrescentando ainda que “quando se gosta, não se tenta diminuir o partido, concelhia a concelhia, distrital a distrital, apenas para ter o partido à sua imagem e semelhança”. Tudo críticas veladas a Rui Rio.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR