Tentar construir um salva-vidas em pleno naufrágio

07-05-2020
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O PSD, como partido responsável que é, tem estado - e bem - ao lado das autoridades públicas e do Governo apoiando sem hesitações todas as medidas que têm sido tomadas. Se alguma divergência tem existido é na entrada em vigor dessas ações, como o encerramento de escolas ou a reposição de controlos de fronteiras, pois fica a sensação que o Governo tem adiado em demasia algumas medidas que mais tarde acaba por adotar pela pressão social e da realidade. Nestas situações, adiar é apenas perder tempo, as decisões mais rápidas e atempadas podem evitar danos maiores.

Como dizia esta semana o meu colega Ricardo Baptista Leite é preciso “cancelar tudo”, parar, cumprir o nosso dever como cidadãos e seguir as recomendações do Governo e da Direção Geral de Saúde. Se todos formos respeitadores das orientações e das regras aprovadas, provavelmente nem seria necessária a declaração de Estado de Emergência.

É de assinalar a preocupação do Governo em criar condições às empresas e aos trabalhadores para que estes possam cumprir as precauções recomendadas, ficando em casa, suspendendo a sua atividade, sem que isso signifique uma perda total de rendimento. Esta cautela é importante e retira qualquer desculpa para o não cumprimento das quarentenas ou do recato social. Aqui importa também que a União Europeia dê o seu contributo quer através do apoio aos Estados-membros que dele precisarem quer por via da flexibilização de algumas metas orçamentais.

Por outro lado, não posso deixar de assinalar que, com as condições políticas e sociais existentes, falo do consenso político e da preocupação de toda a comunidade, não se percebe a necessidade do Governo de justificar sucessivamente todas as decisões em posições ou recomendações de terceiros. O Governo e o primeiro-ministro têm o apoio de todas as bancadas, a legitimidade de todos os portugueses para agir e não apenas reagir, para tomar decisões e para nos proteger. Não é necessária, e até fica mal, tanta cautela e tática política.

Muitos erros e esquecimentos foram e serão cometidos, não vale a pena apontá-los agora de forma pública. Passada a tempestade, teremos tempo para avaliações. Numa tragédia destas é muito difícil fazer tudo bem, mas sem planeamento e antecipação torna-se de todo impossível. Pela minha parte tenho tentado sugerir, recomendar e até alertar diretamente os responsáveis públicos por esquecimentos ou preocupações que nos vão chegando por via de amigos, cidadãos e instituições que naturalmente contactam os Deputados eleitos. Devo confessar que a preocupação, humildade e abertura revelada por alguns membros do Governo em ouvir as sugestões e alertas me tem surpreendido pela positiva.

Não posso, no entanto, deixar de chamar a atenção que como país, como poder político e como comunidade temos que ser mais exigentes no planeamento que compete ao Estado garantir, nas reservas e “almofadas” que o país deve ter e preservar para enfrentar situações inesperadas como esta. Como país temos que fazer opções e alocar tempo, pessoas e dinheiro, para estarmos mais precavidos para eventualidades. Não faz sentido andarmos agora, em cima do acontecimento a formar enfermeiros e finalistas de medicina à pressa para aumentar a capacidade de resposta do serviço Saúde24 quando há pelo menos três meses sabíamos que isto poderia suceder . Não faz sentido o Ministério da Saúde andar agora à pressa a fazer um levantamento do número de ventiladores existentes no SNS, nos hospitais privados e noutras instituições. Pensava eu que isso estaria acautelado e que existiria um plano para activar meios e capacidade dos privados e das instituições sociais para complementar a oferta pública. Felizmente, e ao contrário de outros países, também o sector privado se tem disponibilizado para ajudar, seja através de equipamentos, vagas e mesmo “mão de obra”. O país e nós, decisores políticos, temos que assumir de uma vez a necessidade de planear melhor, gastar mais dinheiro em prevenção e ter meios e instrumentos prontos para qualquer eventualidade que possa ocorrer e que não faça parte do dia-a-dia. Temos que ter “margem” para fazer mais do que o habitual, mesmo que isso signifique investir para nunca usar. Não faz sentido, perante uma crise que começou há três meses na China, Portugal ter ficado de braços cruzados e, por exemplo, as reservas de máscaras e equipamentos de proteção individual terem esgotado ao primeiro espirro de crise.

Planear melhor pode significar poupar vidas. O tempo e suor agora despendido a angariar meios, a aumentar stocks e imaginar medidas de apoio deveria estar a ser utilizado para executar os procedimentos e planos preparados previamente. Não evitaria a crise nem a pandemia, mas reduziria decerto os seus impactos. Pelos vistos, não fizemos antecipadamente tudo o que estava ao nosso alcance. Tal como na crise financeira que varreu a Europa, Portugal está a tentar construir um salva-vidas em pleno naufrágio e, infelizmente, muitos portugueses vão pagar por isso.

Termino como uma palavra de agradecimento a todos os que tanto se têm empenhado no combate a esta epidemia, especialmente os profissionais do sector da saúde, da emergência, e todos aqueles que, apesar da ameaça e consequentes restrições, continuam a desempenhar a sua função para garantir a todos nós os bens necessários à nossa segurança, alimentação e transporte.

O PSD, como partido responsável que é, tem estado - e bem - ao lado das autoridades públicas e do Governo apoiando sem hesitações todas as medidas que têm sido tomadas. Se alguma divergência tem existido é na entrada em vigor dessas ações, como o encerramento de escolas ou a reposição de controlos de fronteiras, pois fica a sensação que o Governo tem adiado em demasia algumas medidas que mais tarde acaba por adotar pela pressão social e da realidade. Nestas situações, adiar é apenas perder tempo, as decisões mais rápidas e atempadas podem evitar danos maiores.

Como dizia esta semana o meu colega Ricardo Baptista Leite é preciso “cancelar tudo”, parar, cumprir o nosso dever como cidadãos e seguir as recomendações do Governo e da Direção Geral de Saúde. Se todos formos respeitadores das orientações e das regras aprovadas, provavelmente nem seria necessária a declaração de Estado de Emergência.

É de assinalar a preocupação do Governo em criar condições às empresas e aos trabalhadores para que estes possam cumprir as precauções recomendadas, ficando em casa, suspendendo a sua atividade, sem que isso signifique uma perda total de rendimento. Esta cautela é importante e retira qualquer desculpa para o não cumprimento das quarentenas ou do recato social. Aqui importa também que a União Europeia dê o seu contributo quer através do apoio aos Estados-membros que dele precisarem quer por via da flexibilização de algumas metas orçamentais.

Por outro lado, não posso deixar de assinalar que, com as condições políticas e sociais existentes, falo do consenso político e da preocupação de toda a comunidade, não se percebe a necessidade do Governo de justificar sucessivamente todas as decisões em posições ou recomendações de terceiros. O Governo e o primeiro-ministro têm o apoio de todas as bancadas, a legitimidade de todos os portugueses para agir e não apenas reagir, para tomar decisões e para nos proteger. Não é necessária, e até fica mal, tanta cautela e tática política.

Muitos erros e esquecimentos foram e serão cometidos, não vale a pena apontá-los agora de forma pública. Passada a tempestade, teremos tempo para avaliações. Numa tragédia destas é muito difícil fazer tudo bem, mas sem planeamento e antecipação torna-se de todo impossível. Pela minha parte tenho tentado sugerir, recomendar e até alertar diretamente os responsáveis públicos por esquecimentos ou preocupações que nos vão chegando por via de amigos, cidadãos e instituições que naturalmente contactam os Deputados eleitos. Devo confessar que a preocupação, humildade e abertura revelada por alguns membros do Governo em ouvir as sugestões e alertas me tem surpreendido pela positiva.

Não posso, no entanto, deixar de chamar a atenção que como país, como poder político e como comunidade temos que ser mais exigentes no planeamento que compete ao Estado garantir, nas reservas e “almofadas” que o país deve ter e preservar para enfrentar situações inesperadas como esta. Como país temos que fazer opções e alocar tempo, pessoas e dinheiro, para estarmos mais precavidos para eventualidades. Não faz sentido andarmos agora, em cima do acontecimento a formar enfermeiros e finalistas de medicina à pressa para aumentar a capacidade de resposta do serviço Saúde24 quando há pelo menos três meses sabíamos que isto poderia suceder . Não faz sentido o Ministério da Saúde andar agora à pressa a fazer um levantamento do número de ventiladores existentes no SNS, nos hospitais privados e noutras instituições. Pensava eu que isso estaria acautelado e que existiria um plano para activar meios e capacidade dos privados e das instituições sociais para complementar a oferta pública. Felizmente, e ao contrário de outros países, também o sector privado se tem disponibilizado para ajudar, seja através de equipamentos, vagas e mesmo “mão de obra”. O país e nós, decisores políticos, temos que assumir de uma vez a necessidade de planear melhor, gastar mais dinheiro em prevenção e ter meios e instrumentos prontos para qualquer eventualidade que possa ocorrer e que não faça parte do dia-a-dia. Temos que ter “margem” para fazer mais do que o habitual, mesmo que isso signifique investir para nunca usar. Não faz sentido, perante uma crise que começou há três meses na China, Portugal ter ficado de braços cruzados e, por exemplo, as reservas de máscaras e equipamentos de proteção individual terem esgotado ao primeiro espirro de crise.

Planear melhor pode significar poupar vidas. O tempo e suor agora despendido a angariar meios, a aumentar stocks e imaginar medidas de apoio deveria estar a ser utilizado para executar os procedimentos e planos preparados previamente. Não evitaria a crise nem a pandemia, mas reduziria decerto os seus impactos. Pelos vistos, não fizemos antecipadamente tudo o que estava ao nosso alcance. Tal como na crise financeira que varreu a Europa, Portugal está a tentar construir um salva-vidas em pleno naufrágio e, infelizmente, muitos portugueses vão pagar por isso.

Termino como uma palavra de agradecimento a todos os que tanto se têm empenhado no combate a esta epidemia, especialmente os profissionais do sector da saúde, da emergência, e todos aqueles que, apesar da ameaça e consequentes restrições, continuam a desempenhar a sua função para garantir a todos nós os bens necessários à nossa segurança, alimentação e transporte.

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