Vice-presidente do Chega Açores demite-se e arrasa Ventura por “postura centralista”

03-11-2020
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As negociações entre o Chega e o PSD para a viabilização de um governo de direita nos Açores já causaram mossa. Insatisfeito com o processo, o vice-presidente do Chega Açores, Orlando Lima, anunciou esta segunda-feira a sua demissão do cargo e a saída do partido. Na carta de demissão, divulgada na sua página do Facebook, o ex-dirigente do Chega acusa André Ventura de ter assumido uma "lamentável postura centralista", "descurando os interesses dos açorianos" em prol dos interesses da direção nacional.

"A governação Açoriana faz-se para a defesa do povo açoriano, não para resolver as questiúnculas dos senhores de Lisboa nem para ganhar uns pontos junto do eleitorado continental", pode ler-se na carta enviada à direção nacional do Chega.

De acordo com Orlando Lima, o presidente do partido "extrapolou as decisões que deveriam ser locais" para a "defesa infantil de interesses dos 'cheganos' nacionais", ignorando as prioridades da Região Autónoma. "É uma atitude da qual me envergonho e peço desculpa a meu eleitorado e ao Povo Açoriano, esperando que os deputados que ajudei a eleger, encontrem o seu espaço de independência, necessário à imediata correção destas assimetrias", acrescenta.

Lamenta ainda as quatro condições impostas por Ventura para viabilizar um Governo do PSD nos Açores - que passam a nível nacional pela participação do PSD no processo de revisão constitucional e, no plano regional, pela realização de uma auditoria aos governos do PS a começar já em 2021, o compromisso de reduzir para metade, nos quatro anos de legislatura, os beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) e a apresentação de um plano regional de luta contra a corrupção e clientelismo no prazo de um ano. Para Orlando Lima há prioridades mais importantes para a região.

"Os nossos problemas de corrupção são reais e locais, a nossas reivindicações e necessidades passam por problemas locais, mais imediatos do que a redução de 50% do RSI, por muito importante que o é. Reitero que na Terceira temos a contaminação e os graves problemas de saúde que daí advêm, a radioterapia, as malfadadas obras o Porto Pipas, problemas de transportes marítimos e aéreos", argumenta.

Direção regional é também alvo de críticas

O ex-dirigente do Chega Açores dirige ainda críticas à direção regional, que na sua opinião não teve a capacidade de gerir a situação e remeteu-se à "opacidade" e "silêncios" ."Recomendei na noite de 25 de Outubro que André Ventura fosse afastado da comunicação social, devendo o Presidente Regional Carlos Augusto Furtado assumir a comunicação à imprensa, por ser esta a sua e nossa vitória e por ser seu dever e responsabilidade conduzir o Chega Regional pelo difícil mas desafiante caminho de assegurar, mediante cuidada negociação com os parceiros políticos à direita, uma alternativa de governação", explica ainda Orlando Lima, lamentando que não tenham atendido ao seu conselho.

Contactado pelo Expresso, André Ventura garante que foi apanhado de "surpresa" por esta demissão e critica os argumentos invocados por Orlando Lima, frisando que "é preciso compreender que não há Chega Açores, Chega Madeira e Chega Braga". "Há um Chega nacional e as convicções e valores não se podem perder", diz.

Mas, na verdade, Ventura já admitia conflitos internos a nível regional. Prova disso foi a carta enviada na quarta-feira pelo presidente do Chega aos dirigentes regionais do partido, pedindo para que não cedam à "pressão" do PSD e do CDS para viabilizar um governo regional de direita. Nessa missiva, o líder alegava que o partido tinha que ser coerente e continuar a insistir que qualquer entendimento com o PSD teria que passar pela participação do partido no projeto de revisão constitucional do Chega.

As negociações entre o Chega e o PSD para a viabilização de um governo de direita nos Açores já causaram mossa. Insatisfeito com o processo, o vice-presidente do Chega Açores, Orlando Lima, anunciou esta segunda-feira a sua demissão do cargo e a saída do partido. Na carta de demissão, divulgada na sua página do Facebook, o ex-dirigente do Chega acusa André Ventura de ter assumido uma "lamentável postura centralista", "descurando os interesses dos açorianos" em prol dos interesses da direção nacional.

"A governação Açoriana faz-se para a defesa do povo açoriano, não para resolver as questiúnculas dos senhores de Lisboa nem para ganhar uns pontos junto do eleitorado continental", pode ler-se na carta enviada à direção nacional do Chega.

De acordo com Orlando Lima, o presidente do partido "extrapolou as decisões que deveriam ser locais" para a "defesa infantil de interesses dos 'cheganos' nacionais", ignorando as prioridades da Região Autónoma. "É uma atitude da qual me envergonho e peço desculpa a meu eleitorado e ao Povo Açoriano, esperando que os deputados que ajudei a eleger, encontrem o seu espaço de independência, necessário à imediata correção destas assimetrias", acrescenta.

Lamenta ainda as quatro condições impostas por Ventura para viabilizar um Governo do PSD nos Açores - que passam a nível nacional pela participação do PSD no processo de revisão constitucional e, no plano regional, pela realização de uma auditoria aos governos do PS a começar já em 2021, o compromisso de reduzir para metade, nos quatro anos de legislatura, os beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) e a apresentação de um plano regional de luta contra a corrupção e clientelismo no prazo de um ano. Para Orlando Lima há prioridades mais importantes para a região.

"Os nossos problemas de corrupção são reais e locais, a nossas reivindicações e necessidades passam por problemas locais, mais imediatos do que a redução de 50% do RSI, por muito importante que o é. Reitero que na Terceira temos a contaminação e os graves problemas de saúde que daí advêm, a radioterapia, as malfadadas obras o Porto Pipas, problemas de transportes marítimos e aéreos", argumenta.

Direção regional é também alvo de críticas

O ex-dirigente do Chega Açores dirige ainda críticas à direção regional, que na sua opinião não teve a capacidade de gerir a situação e remeteu-se à "opacidade" e "silêncios" ."Recomendei na noite de 25 de Outubro que André Ventura fosse afastado da comunicação social, devendo o Presidente Regional Carlos Augusto Furtado assumir a comunicação à imprensa, por ser esta a sua e nossa vitória e por ser seu dever e responsabilidade conduzir o Chega Regional pelo difícil mas desafiante caminho de assegurar, mediante cuidada negociação com os parceiros políticos à direita, uma alternativa de governação", explica ainda Orlando Lima, lamentando que não tenham atendido ao seu conselho.

Contactado pelo Expresso, André Ventura garante que foi apanhado de "surpresa" por esta demissão e critica os argumentos invocados por Orlando Lima, frisando que "é preciso compreender que não há Chega Açores, Chega Madeira e Chega Braga". "Há um Chega nacional e as convicções e valores não se podem perder", diz.

Mas, na verdade, Ventura já admitia conflitos internos a nível regional. Prova disso foi a carta enviada na quarta-feira pelo presidente do Chega aos dirigentes regionais do partido, pedindo para que não cedam à "pressão" do PSD e do CDS para viabilizar um governo regional de direita. Nessa missiva, o líder alegava que o partido tinha que ser coerente e continuar a insistir que qualquer entendimento com o PSD teria que passar pela participação do partido no projeto de revisão constitucional do Chega.

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