a rectidão da água; o crescimento

02-09-2020
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a rectidão da água; o crescimento

das avenidas, ao anoitecer, sob a nua

vibração dos faróis;

o laço, mesmo, das portas só

entreabertas, onde a luz

silenciosa se demora;

são memórias, decerto, de um anterior

esquecimento, uma inocente

fadiga das coisas,

como os corpos calados, abandonados

na véspera da guerra, o teu

jeito para

o desalinho branco das palavras,

altas as

asas de nuvens no clarão do céu

em vão rigor abrindo

o destinado enigma: assim

desconhecer-te cada dia mais

ausente de recados e colheitas,

em assustado bosque, em sombra

clareira,

ao risco dos rios frívolos descendo

seixos polidos, desinscritos,

imóveis movendo

a luz do dia;

a margem recortada, aonde vivem

ausentes e seguros, os luminosos

animais do inverno;

assim são na verdade os muros claros;

assim respira o tempo, a terra intensa.

antónio franco alexandre

poemas

a pequena face

assírio & alvim

1996

a rectidão da água; o crescimento

das avenidas, ao anoitecer, sob a nua

vibração dos faróis;

o laço, mesmo, das portas só

entreabertas, onde a luz

silenciosa se demora;

são memórias, decerto, de um anterior

esquecimento, uma inocente

fadiga das coisas,

como os corpos calados, abandonados

na véspera da guerra, o teu

jeito para

o desalinho branco das palavras,

altas as

asas de nuvens no clarão do céu

em vão rigor abrindo

o destinado enigma: assim

desconhecer-te cada dia mais

ausente de recados e colheitas,

em assustado bosque, em sombra

clareira,

ao risco dos rios frívolos descendo

seixos polidos, desinscritos,

imóveis movendo

a luz do dia;

a margem recortada, aonde vivem

ausentes e seguros, os luminosos

animais do inverno;

assim são na verdade os muros claros;

assim respira o tempo, a terra intensa.

antónio franco alexandre

poemas

a pequena face

assírio & alvim

1996

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