Hoje, os tempos são outros e o Camel Trophy quer conquistar uma nova imagem ambientalista e multi-aventura
A GRANDE maioria nunca tinha calçado umas botas de esqui antes de se inscrever no Camel Trophy «Tierra del Fuego 98» e a sua preparação limitou-se a umas aulas de aprendizagem na Sierra Nevada, duas semanas antes de chegarem a Port del Comte, nos Pirenéus, onde se realizaram as provas de selecção nacionais. «Calçei pela primeira vez uns esquis na quinta-feira, mas isso ainda me deu mais vontade de aprender», comenta Jorge Lucas, um dos concorrentes que acabaria por ficar no lote de quatro candidatos (Gonçalo Pinheiro, Luís Fontes, Jorge Lucas e Pedro Maia) que disputarão as Selecções Internacionais, na Suécia. Foram realizadas provas de orientação em montanha - na qual os candidatos podiam utilizar esquis, pranchas de «snowboard» ou raquetas nos pés, consoante as aptidões de cada elemento - e um percurso de esqui alpino de uma hora e meia. A meio da manhã do segundo dia, já a montanha ficava para trás e os candidatos aproximavam-se do local onde seria disputada uma curta, mas intensa prova de «canyonning»: descer em «rappel» uma garganta de 40 metros, rasgada na rocha pelas águas de uma cascata. O percurso de 14 quilómetros em BTT (bicicleta de montanha) que se seguiu, consistia num «downhill» com «roadbook» que levou os concorrentes às margens do rio Cardener, para uma prova de canoagem em águas bravas. Não tardou que os concorrentes mais desajeitados se debatessem com inúmeros problemas para desencalhar as canoas presas entre as rochas ou não evitassem uma ida «ao charco» num dos rápidos.
E já que estavam molhados e equipados com fatos isolantes em neopreme, nada melhor do que prosseguir a jornada com uma sequência de provas de força e audácia na barragem de S. Pons. Para começar, uma «tirolesa» - cadeira suspensa agarrada a um fio de aço - com cerca de 70 metros de distância, ligando as duas margens de um dos braços da barragem; depois, um salto de 14 metros para a água e uma voltinha de canoa; para, finalmente, dar o tudo por tudo numa escalada vertical de 10 metros, em corda, com auxílio de um ascensor ou «jumar». Duas provas de estratégia estavam reservadas para o último dia. A primeira, individual, consistia em conquistar o máximo de pontos num período de três horas, utilizando criteriosamente a BTT, o jipe ou a corrida de orientação pedestre. A segunda, foi disputada por equipas de seis elementos e consistia na transposição de duas valas profundas com os Discovery.
Foi um «cheirinho» dos velhos tempos do Camel Trophy, quando os participantes desbravavam o seu próprio caminho através da selva. Hoje, os tempos são outros e o Camel Trophy quer conquistar uma nova imagem ambientalista e multi-aventura. «O jipe leva-te até ao último sítio na terra onde pode legalmente levar-te. Depois, entram em cena as canoas, as bicicletas de montanha e os percursos a pé», sintetiza João Paulo Lopes, coordenador do Camel Trophy em Portugal. E assim será no «Tierra del Fuego 98», que saíra de Santiago do Chile, no dia 5 de Agosto, terminando três semanas depois, em Ushuaia e no Cabo Horn, na Argentina. ALEXANDRE COUTINHO
Hoje, os tempos são outros e o Camel Trophy quer conquistar uma nova imagem ambientalista e multi-aventura
A GRANDE maioria nunca tinha calçado umas botas de esqui antes de se inscrever no Camel Trophy «Tierra del Fuego 98» e a sua preparação limitou-se a umas aulas de aprendizagem na Sierra Nevada, duas semanas antes de chegarem a Port del Comte, nos Pirenéus, onde se realizaram as provas de selecção nacionais. «Calçei pela primeira vez uns esquis na quinta-feira, mas isso ainda me deu mais vontade de aprender», comenta Jorge Lucas, um dos concorrentes que acabaria por ficar no lote de quatro candidatos (Gonçalo Pinheiro, Luís Fontes, Jorge Lucas e Pedro Maia) que disputarão as Selecções Internacionais, na Suécia. Foram realizadas provas de orientação em montanha - na qual os candidatos podiam utilizar esquis, pranchas de «snowboard» ou raquetas nos pés, consoante as aptidões de cada elemento - e um percurso de esqui alpino de uma hora e meia. A meio da manhã do segundo dia, já a montanha ficava para trás e os candidatos aproximavam-se do local onde seria disputada uma curta, mas intensa prova de «canyonning»: descer em «rappel» uma garganta de 40 metros, rasgada na rocha pelas águas de uma cascata. O percurso de 14 quilómetros em BTT (bicicleta de montanha) que se seguiu, consistia num «downhill» com «roadbook» que levou os concorrentes às margens do rio Cardener, para uma prova de canoagem em águas bravas. Não tardou que os concorrentes mais desajeitados se debatessem com inúmeros problemas para desencalhar as canoas presas entre as rochas ou não evitassem uma ida «ao charco» num dos rápidos.
E já que estavam molhados e equipados com fatos isolantes em neopreme, nada melhor do que prosseguir a jornada com uma sequência de provas de força e audácia na barragem de S. Pons. Para começar, uma «tirolesa» - cadeira suspensa agarrada a um fio de aço - com cerca de 70 metros de distância, ligando as duas margens de um dos braços da barragem; depois, um salto de 14 metros para a água e uma voltinha de canoa; para, finalmente, dar o tudo por tudo numa escalada vertical de 10 metros, em corda, com auxílio de um ascensor ou «jumar». Duas provas de estratégia estavam reservadas para o último dia. A primeira, individual, consistia em conquistar o máximo de pontos num período de três horas, utilizando criteriosamente a BTT, o jipe ou a corrida de orientação pedestre. A segunda, foi disputada por equipas de seis elementos e consistia na transposição de duas valas profundas com os Discovery.
Foi um «cheirinho» dos velhos tempos do Camel Trophy, quando os participantes desbravavam o seu próprio caminho através da selva. Hoje, os tempos são outros e o Camel Trophy quer conquistar uma nova imagem ambientalista e multi-aventura. «O jipe leva-te até ao último sítio na terra onde pode legalmente levar-te. Depois, entram em cena as canoas, as bicicletas de montanha e os percursos a pé», sintetiza João Paulo Lopes, coordenador do Camel Trophy em Portugal. E assim será no «Tierra del Fuego 98», que saíra de Santiago do Chile, no dia 5 de Agosto, terminando três semanas depois, em Ushuaia e no Cabo Horn, na Argentina. ALEXANDRE COUTINHO