Além de servir Cabo Verde, com uma quota de 20% nas exportações da Vieira de Castro, a nova fábrica vai trabalhar para outros PALOP e facilitar a penetração em países vizinhos, apostando em nichos de mercado específicos. Os estudos preliminares estão em fase de conclusão e o projecto arranca a curto prazo.
Actualmente, o principal cliente da fábrica de Famalicão é o Japão, que representa 70% das exportações, seguido de Cabo Verde, onde a Vieira de Castro vende um produto específico, a Maria Cabo Verde, apresentada como uma «bolacha de combate, nutritiva e grossa», que pode ser comprada em pacotes pequenos, de cinco unidades, ou mesmo individualmente, para se tornar mais acessível.
Com uma facturação de três milhões de contos, o maior fabricante nacional de bolacha de água e sal decidiu crescer no exterior e reforçar o peso das exportações, actualmente nos 11%. O objectivo da empresa «é colocar as suas bolachas, sortidos, drageados e rebuçados em novos mercados e encontrar alternativas à Rússia», que durante algum tempo foi o seu principal cliente e representou vendas anuais de bolachas waffer e recheadas na ordem dos 500 mil contos, disse ao EXPRESSO Adriano Santos, do departamento de exportação. No Leste, as alternativas mais prováveis são a Polónia e a Hungria. A China está, também, a ser avaliada como mercado potencial, enquanto na Finlândia, onde a Vieira de Castro já está presente, as bolachas de cacau e com pepitas de chocolate são as mais apreciadas.
Para a família Vieira de Castro, que constituiu a empresa em 1943, a partir de uma confeitaria, os PALOP representam, no entanto, «a aposta natural e lógica para desenvolver negócios». É essa a estratégia para Angola, Moçambique, S. Tomé e Cabo Verde, países com os quais mantém relações comerciais, e, também, para a Guiné Bissau, onde as primeiras bolachas da fábrica de Famalicão deverão chegar no próximo ano. As mesmas linhas de orientação são seguidas para o mercado da saudade, em especial, França, Suíça, Canadá e Estados Unidos.
Israel, outro mercado já conquistado, é um caso especial, com exigências de produção específicas e rótulos em hebreu, mas considerado muito interessante, por servir de porta de entrada para outras comunidades judaicas. «As bolachas para Israel seguem a receita kosher, a gordura animal é proibida, os fornecedores têm de ter certificação própria e a produção é desde o primeiro momento fiscalizada por um rabi que vai à fábrica, liga os fornos, vistoria os ingrediente e acompanha todo o processo», explica Adriano Santos. Na Jordânia, as coisas são um pouco mais simples e a única proibição enfrentada pelas bolachas portuguesas é a gordura de porco.
MARGARIDA CARDOSO
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Além de servir Cabo Verde, com uma quota de 20% nas exportações da Vieira de Castro, a nova fábrica vai trabalhar para outros PALOP e facilitar a penetração em países vizinhos, apostando em nichos de mercado específicos. Os estudos preliminares estão em fase de conclusão e o projecto arranca a curto prazo.
Actualmente, o principal cliente da fábrica de Famalicão é o Japão, que representa 70% das exportações, seguido de Cabo Verde, onde a Vieira de Castro vende um produto específico, a Maria Cabo Verde, apresentada como uma «bolacha de combate, nutritiva e grossa», que pode ser comprada em pacotes pequenos, de cinco unidades, ou mesmo individualmente, para se tornar mais acessível.
Com uma facturação de três milhões de contos, o maior fabricante nacional de bolacha de água e sal decidiu crescer no exterior e reforçar o peso das exportações, actualmente nos 11%. O objectivo da empresa «é colocar as suas bolachas, sortidos, drageados e rebuçados em novos mercados e encontrar alternativas à Rússia», que durante algum tempo foi o seu principal cliente e representou vendas anuais de bolachas waffer e recheadas na ordem dos 500 mil contos, disse ao EXPRESSO Adriano Santos, do departamento de exportação. No Leste, as alternativas mais prováveis são a Polónia e a Hungria. A China está, também, a ser avaliada como mercado potencial, enquanto na Finlândia, onde a Vieira de Castro já está presente, as bolachas de cacau e com pepitas de chocolate são as mais apreciadas.
Para a família Vieira de Castro, que constituiu a empresa em 1943, a partir de uma confeitaria, os PALOP representam, no entanto, «a aposta natural e lógica para desenvolver negócios». É essa a estratégia para Angola, Moçambique, S. Tomé e Cabo Verde, países com os quais mantém relações comerciais, e, também, para a Guiné Bissau, onde as primeiras bolachas da fábrica de Famalicão deverão chegar no próximo ano. As mesmas linhas de orientação são seguidas para o mercado da saudade, em especial, França, Suíça, Canadá e Estados Unidos.
Israel, outro mercado já conquistado, é um caso especial, com exigências de produção específicas e rótulos em hebreu, mas considerado muito interessante, por servir de porta de entrada para outras comunidades judaicas. «As bolachas para Israel seguem a receita kosher, a gordura animal é proibida, os fornecedores têm de ter certificação própria e a produção é desde o primeiro momento fiscalizada por um rabi que vai à fábrica, liga os fornos, vistoria os ingrediente e acompanha todo o processo», explica Adriano Santos. Na Jordânia, as coisas são um pouco mais simples e a única proibição enfrentada pelas bolachas portuguesas é a gordura de porco.
MARGARIDA CARDOSO