DN

30-05-2001
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Um e outro convergem na tese de que a proliferação de rotundas "veio aumentar a fluidez do tráfego e diminuir significativamente" a sinistralidade viária neste concelho urbano de apenas oito quilómetros quadrados.

O instrutor Paulo Fonseca alinha pelo mesmo diapasão e conta que os seus alunos, a princípio reticentes, acabam por aceitar que vale a pena "andar às voltinhas", em nome da segurança. "Quando vão para a estrada com alguma frequência, percebem a sua utilidade", assegura.

Na PSP local subsiste a convicção de que os frutos colhidos não são os anunciados: "com a inflação de rotundas", os acidentes até aumentaram, embora tenham contornos menos graves, refere fonte policial. "Às violentas colisões provocadas por quem teimava em passar com o vermelho a "cair", sucederam-se os pequenos toques laterais, gerados pelos que, apesar de não terem prioridade, forçam a entrada nas rotundas", admitem os guardas.

Foi há cerca de cinco anos que a autarquia de São João da Madeira decidiu trocar os semáforos pelas rotundas, para facilitar a circulação nos principais cruzamentos de uma cidade que é centro de atracção de toda a região de Aveiro-Norte. "Numa primeira leva, construímos umas 40 e os resultados positivos fizeram-se sentir de imediato", diz o especialista de trânsito do Município.

Fernando Mário, que lida com os problemas viários de São João da Madeira há 18 anos, sustenta que as rotundas são "um remédio eficaz" para condutores sem civismo, que entendem o amarelo não como um aviso para parar, mas um convite para acelerar, "antes que "caia" o vermelho." No cruzamento de acesso ao hospital, onde havia semáforos, "os acidentes eram muitos e graves" e agora "são poucos e reduzem-se a amolgadelas", ilustra o especialista. Fernando Mário admite, contudo, que nem todas as rotundas facilitam o trânsito.

"Para ser eficaz, uma rotunda precisa ter pelo menos 12 metros de diâmetro e algumas não chegam a metade", reconhece, anunciando que se está a estudar, pontualmente, o seu alargamento. O vice-presidente da Câmara fala também de "algumas correcções a fazer", mas secunda Fernando Mário nos elogios às rotundas "como forma eficaz de travar a sinistralidade urbana." E diz não ser "por acaso" que a ideia "foi copiada" por uma série de municípios vizinhos, onde igualmente já começam a escassear os semáforos e a abundar as rotundas.

Mas no vizinho concelho da Feira, o presidente da Junta de Freguesia urbana, Horácio Sá, recebe o remoque com um sorriso. É certo que também optou pela construção de rotundas para solucionar alguns conflitos de trânsito, mas nega ter "bebido" a ideia em São João da Madeira. "A invenção das rotundas não lhes pertence. São João da Madeira só é dona do exagero e esse não copiamos", atira Horácio Sá.

Na esquadra de polícia também se fala de exagero e até se questiona se o decréscimo de sinistralidade grave se deve realmente à proliferação de rotundas ou à colocação de separadores centrais nas principais artérias da cidade. "Deve-se a uma coisa e outra", responde, convicto, o "vice" camarário, para quem São João da Madeira deve manter esta "política inovadora de trânsito." Que tal política se deve manter, essa é também a convicção do técnico de trânsito da autarquia. E para que não restem dúvidas sobre o caminho a seguir, o técnico avisa que já anda às voltas com os projectos de mais rotundas.

* Jornalista da Agência Lusa

Um e outro convergem na tese de que a proliferação de rotundas "veio aumentar a fluidez do tráfego e diminuir significativamente" a sinistralidade viária neste concelho urbano de apenas oito quilómetros quadrados.

O instrutor Paulo Fonseca alinha pelo mesmo diapasão e conta que os seus alunos, a princípio reticentes, acabam por aceitar que vale a pena "andar às voltinhas", em nome da segurança. "Quando vão para a estrada com alguma frequência, percebem a sua utilidade", assegura.

Na PSP local subsiste a convicção de que os frutos colhidos não são os anunciados: "com a inflação de rotundas", os acidentes até aumentaram, embora tenham contornos menos graves, refere fonte policial. "Às violentas colisões provocadas por quem teimava em passar com o vermelho a "cair", sucederam-se os pequenos toques laterais, gerados pelos que, apesar de não terem prioridade, forçam a entrada nas rotundas", admitem os guardas.

Foi há cerca de cinco anos que a autarquia de São João da Madeira decidiu trocar os semáforos pelas rotundas, para facilitar a circulação nos principais cruzamentos de uma cidade que é centro de atracção de toda a região de Aveiro-Norte. "Numa primeira leva, construímos umas 40 e os resultados positivos fizeram-se sentir de imediato", diz o especialista de trânsito do Município.

Fernando Mário, que lida com os problemas viários de São João da Madeira há 18 anos, sustenta que as rotundas são "um remédio eficaz" para condutores sem civismo, que entendem o amarelo não como um aviso para parar, mas um convite para acelerar, "antes que "caia" o vermelho." No cruzamento de acesso ao hospital, onde havia semáforos, "os acidentes eram muitos e graves" e agora "são poucos e reduzem-se a amolgadelas", ilustra o especialista. Fernando Mário admite, contudo, que nem todas as rotundas facilitam o trânsito.

"Para ser eficaz, uma rotunda precisa ter pelo menos 12 metros de diâmetro e algumas não chegam a metade", reconhece, anunciando que se está a estudar, pontualmente, o seu alargamento. O vice-presidente da Câmara fala também de "algumas correcções a fazer", mas secunda Fernando Mário nos elogios às rotundas "como forma eficaz de travar a sinistralidade urbana." E diz não ser "por acaso" que a ideia "foi copiada" por uma série de municípios vizinhos, onde igualmente já começam a escassear os semáforos e a abundar as rotundas.

Mas no vizinho concelho da Feira, o presidente da Junta de Freguesia urbana, Horácio Sá, recebe o remoque com um sorriso. É certo que também optou pela construção de rotundas para solucionar alguns conflitos de trânsito, mas nega ter "bebido" a ideia em São João da Madeira. "A invenção das rotundas não lhes pertence. São João da Madeira só é dona do exagero e esse não copiamos", atira Horácio Sá.

Na esquadra de polícia também se fala de exagero e até se questiona se o decréscimo de sinistralidade grave se deve realmente à proliferação de rotundas ou à colocação de separadores centrais nas principais artérias da cidade. "Deve-se a uma coisa e outra", responde, convicto, o "vice" camarário, para quem São João da Madeira deve manter esta "política inovadora de trânsito." Que tal política se deve manter, essa é também a convicção do técnico de trânsito da autarquia. E para que não restem dúvidas sobre o caminho a seguir, o técnico avisa que já anda às voltas com os projectos de mais rotundas.

* Jornalista da Agência Lusa

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