Nostalgia do Alentejo

28-10-2000
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Mafalda Troncho

Vinda de Évora, círculo que representa, a deputada não é apenas fiel ao sotaque das suas raízes. Continua apaixonada pela paisagem e pela gastronomia alentejanas, adaptada, mas pouco convencida das virtudes da cidade grande. Em Lisboa vive com uma avó, o que a liberta de muitas das tarefas domésticas que não têm o seu agrado, embora não se incomode nada se tiver de pegar num avental e concentrar-se nos temperos para uma boa refeição.

Entre um bom desafio do Benfica e um prato de migas, Mafalda tem, contudo, dificuldades na escolha. Talvez porque a deputada socialista já jogou futebol, a paixão pelo clube da Luz é assolapada. Sempre que pode, não perde um jogo e pertence à classe de espectadores que não hesita em manifestar as suas emoções. É leitora assídua da «Bola» e do «Record».

Mafalda Troncho está a cumprir o seu primeiro mandato. Aos 24 anos, é a deputada mais nova no hemiciclo, integrada nas comissões de trabalho para a toxicodependência e Segurança Social. São temas que reflectem algumas das suas próprias preocupações. Mafalda diz ter despertado cedo a sua consciência social, muito influenciada pelo pai (o governador Civil de Évora), cujo carácter e forma de estar na vida são para si «uma referência constante».

Sobre a sua adaptação ao cargo, a deputada diz não ter encontrado dificuldades de maior. Excepção feita a certas questões práticas, com as quais não contava - «levei semanas a perder-me na Assembleia, por não conhecer o espaço».

Como qualquer jovem da sua idade, Mafalda gosta de estar com os amigos e lamenta a descoordenação de horários que agora a impedem de estar mais tempo com eles ou com a família. Lamenta, mas não se arrepende. Depois de uma experiência profissional em gestão, área em que se formou, a deputada está satisfeita por ter encontrado uma forma privilegiada para dar asas ao seu espírito de intervenção.

Nostálgica, «como qualquer alentejano» e compreensiva por natureza, Mafalda Troncho raramente se zanga. A contenção é extensiva aos gastos. Não sendo materialista, procura não «entrar nos desvarios consumistas» que o ordenado de deputada lhe permitiria: «Tento manter o estilo de vida que levei até aqui». Até porque tem consciência de que este é um «emprego» sem garantias de duração.

Mafalda não teme que a euforia própria da novidade dê lugar ao conformismo: «Os mais jovens vivem intensamente os problemas, mas não creio que os mais velhos se acomodem com o passar dos anos. Talvez se limitem a encontrar uma forma menos ansiosa de lidar com os problemas».

Mafalda Troncho

Vinda de Évora, círculo que representa, a deputada não é apenas fiel ao sotaque das suas raízes. Continua apaixonada pela paisagem e pela gastronomia alentejanas, adaptada, mas pouco convencida das virtudes da cidade grande. Em Lisboa vive com uma avó, o que a liberta de muitas das tarefas domésticas que não têm o seu agrado, embora não se incomode nada se tiver de pegar num avental e concentrar-se nos temperos para uma boa refeição.

Entre um bom desafio do Benfica e um prato de migas, Mafalda tem, contudo, dificuldades na escolha. Talvez porque a deputada socialista já jogou futebol, a paixão pelo clube da Luz é assolapada. Sempre que pode, não perde um jogo e pertence à classe de espectadores que não hesita em manifestar as suas emoções. É leitora assídua da «Bola» e do «Record».

Mafalda Troncho está a cumprir o seu primeiro mandato. Aos 24 anos, é a deputada mais nova no hemiciclo, integrada nas comissões de trabalho para a toxicodependência e Segurança Social. São temas que reflectem algumas das suas próprias preocupações. Mafalda diz ter despertado cedo a sua consciência social, muito influenciada pelo pai (o governador Civil de Évora), cujo carácter e forma de estar na vida são para si «uma referência constante».

Sobre a sua adaptação ao cargo, a deputada diz não ter encontrado dificuldades de maior. Excepção feita a certas questões práticas, com as quais não contava - «levei semanas a perder-me na Assembleia, por não conhecer o espaço».

Como qualquer jovem da sua idade, Mafalda gosta de estar com os amigos e lamenta a descoordenação de horários que agora a impedem de estar mais tempo com eles ou com a família. Lamenta, mas não se arrepende. Depois de uma experiência profissional em gestão, área em que se formou, a deputada está satisfeita por ter encontrado uma forma privilegiada para dar asas ao seu espírito de intervenção.

Nostálgica, «como qualquer alentejano» e compreensiva por natureza, Mafalda Troncho raramente se zanga. A contenção é extensiva aos gastos. Não sendo materialista, procura não «entrar nos desvarios consumistas» que o ordenado de deputada lhe permitiria: «Tento manter o estilo de vida que levei até aqui». Até porque tem consciência de que este é um «emprego» sem garantias de duração.

Mafalda não teme que a euforia própria da novidade dê lugar ao conformismo: «Os mais jovens vivem intensamente os problemas, mas não creio que os mais velhos se acomodem com o passar dos anos. Talvez se limitem a encontrar uma forma menos ansiosa de lidar com os problemas».

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