Falta de Luz no Viaduto Duarte Pacheco Contribui para Acidentes Há Vários Anos
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO
Quinta-feira, 10 de Maio de 2001
Perigo em Lisboa
Instituto de Estradas diz que o problema foi resolvido, mas a escuridão manteve-se
O viaduto Duarte Pacheco, na saída de Lisboa para Monsanto, encontra-se há vários meses, em toda a sua extensão e consecutivamente, sem uma única lâmpada em funcionamento. A conhecida estrutura de betão, que funciona como uma das mais importantes entradas e saídas da cidade e liga a Av. Duarte Pacheco ao início da auto-estrada de Cascais, tem sido palco de um número crescente de despistes, aos quais não será alheia a escuridão que, com breves e irregulares períodos de luz, ali se vive desde há anos.
Marcada por uma descida acentuada e de tráfego muito intenso, a aproximação ao viaduto, para quem vem do centro de Lisboa, constitui um risco permanente, que a súbita transição de uma via urbana fortemente iluminada para um tabuleiro completamente às escuras agrava substancialmente. A prova disso são os frequentes embates nos postes de iluminação que se encontram no centro da via e nas guardas laterais da estrutura. Por via destes sucessivos acidentes há três postes à espera de substituição, depois de terem sido derrubados, e em pelo menos dois locais do tabuleiro as protecções laterais foram atiradas para o abismo e substituídas por módulos de betão.
A falta de iluminação do viaduto é algo de enigmático, na medida em que, até há três ou quatro anos, ela era comum à de outras entradas de Lisboa, nomeadamente o nó da Buraca e a zona das antigas portagens de Sacavém, no início da auto-estrada do Norte. Nessa altura, o facto era atribuído a conflitos de competências entre a Brisa, a Câmara de Lisboa, a antiga Junta Autónoma de Estradas e a EDP. Actualmente, o problema parece circunscrever-se ao viaduto Duarte Pacheco, sendo certo que tanto a Brisa como a câmara recusam qualquer responsabilidade no facto. "A nossa concessão começa depois do viaduto, no sentido Lisboa/Cascais, e acaba imediatamente antes dele no sentido contrário", afirma um porta-voz da empresa. No que respeita à autarquia é o director municipal de intervenção local, Pinto Camossa, quem exclui qualquer responsabilidade do município. "Isso é com os institutos das estradas, mas para nós, que temos 60 mil pontos de luz em Lisboa, era fácil resolver o problema de mais uma dezena. Já em tempos sugeri a um responsável desse organismo que nos mandasse um ofício para tratarmos disso, mas eles nunca o fizeram", informa o director municipal.
Na opinião do Instituto das Estradas de Portugal (IEP), que levou quatro dias a responder ao PÚBLICO a um pedido de informação escrita sobre o assunto, o problema, porém, já nem sequer existe. "Informamos que a Direcção de Estradas de Lisboa, integrada no ICERR - Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária contactou os serviços da EDP com a finalidade de ser restabelecida a referida iluminação. Foi confirmado pela EDP que a situação já está normalizada."
A informação oficial e também escrita do IEP foi fornecida na segunda-feira, mas anteontem à noite, a desmenti-la com a maior clareza possível, estava a habitual e perigosa escuridão do viaduto Duarte Pacheco.
Categorias
Entidades
Falta de Luz no Viaduto Duarte Pacheco Contribui para Acidentes Há Vários Anos
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO
Quinta-feira, 10 de Maio de 2001
Perigo em Lisboa
Instituto de Estradas diz que o problema foi resolvido, mas a escuridão manteve-se
O viaduto Duarte Pacheco, na saída de Lisboa para Monsanto, encontra-se há vários meses, em toda a sua extensão e consecutivamente, sem uma única lâmpada em funcionamento. A conhecida estrutura de betão, que funciona como uma das mais importantes entradas e saídas da cidade e liga a Av. Duarte Pacheco ao início da auto-estrada de Cascais, tem sido palco de um número crescente de despistes, aos quais não será alheia a escuridão que, com breves e irregulares períodos de luz, ali se vive desde há anos.
Marcada por uma descida acentuada e de tráfego muito intenso, a aproximação ao viaduto, para quem vem do centro de Lisboa, constitui um risco permanente, que a súbita transição de uma via urbana fortemente iluminada para um tabuleiro completamente às escuras agrava substancialmente. A prova disso são os frequentes embates nos postes de iluminação que se encontram no centro da via e nas guardas laterais da estrutura. Por via destes sucessivos acidentes há três postes à espera de substituição, depois de terem sido derrubados, e em pelo menos dois locais do tabuleiro as protecções laterais foram atiradas para o abismo e substituídas por módulos de betão.
A falta de iluminação do viaduto é algo de enigmático, na medida em que, até há três ou quatro anos, ela era comum à de outras entradas de Lisboa, nomeadamente o nó da Buraca e a zona das antigas portagens de Sacavém, no início da auto-estrada do Norte. Nessa altura, o facto era atribuído a conflitos de competências entre a Brisa, a Câmara de Lisboa, a antiga Junta Autónoma de Estradas e a EDP. Actualmente, o problema parece circunscrever-se ao viaduto Duarte Pacheco, sendo certo que tanto a Brisa como a câmara recusam qualquer responsabilidade no facto. "A nossa concessão começa depois do viaduto, no sentido Lisboa/Cascais, e acaba imediatamente antes dele no sentido contrário", afirma um porta-voz da empresa. No que respeita à autarquia é o director municipal de intervenção local, Pinto Camossa, quem exclui qualquer responsabilidade do município. "Isso é com os institutos das estradas, mas para nós, que temos 60 mil pontos de luz em Lisboa, era fácil resolver o problema de mais uma dezena. Já em tempos sugeri a um responsável desse organismo que nos mandasse um ofício para tratarmos disso, mas eles nunca o fizeram", informa o director municipal.
Na opinião do Instituto das Estradas de Portugal (IEP), que levou quatro dias a responder ao PÚBLICO a um pedido de informação escrita sobre o assunto, o problema, porém, já nem sequer existe. "Informamos que a Direcção de Estradas de Lisboa, integrada no ICERR - Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária contactou os serviços da EDP com a finalidade de ser restabelecida a referida iluminação. Foi confirmado pela EDP que a situação já está normalizada."
A informação oficial e também escrita do IEP foi fornecida na segunda-feira, mas anteontem à noite, a desmenti-la com a maior clareza possível, estava a habitual e perigosa escuridão do viaduto Duarte Pacheco.