À caça de melhor imagem

07-12-2000
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É na sua quinta de Azeitão, onde tem 30 animais selvagens de oito espécies diferentes, que Manuel Vilarinho retempera forças antes da campanha eleitoral

Casado, pai de três filhos (um rapaz e duas raparigas), e gestor de sucesso, Manuel Vilarinho assume-se, aos 52 anos, como um homem frontal, com uma vida familiar económica e financeira estáveis e, sobretudo, «livre para dedicar todo o tempo ao Benfica». A outra paixão, a par da caça, que o pai lhe incutiu.

Sócio desde que nasceu, integrou as direcções de Ferreira Queimado, Fernando Martins e Manuel Damásio, de quem foi presidente adjunto. Diz ter saído por não concordar com o caminho pelo qual Damásio estava a enveredar, e que esta sua candidatura «nasceu» há seis meses atrás, depois de ter conseguido «a autorização da família».

Para a semana garante divulgar a lista completa de quem o acompanhará se ganhar as eleições, mas adiantou desde já ao EXPRESSO dois dos nomes para a direcção: Manuel Tinoco Faria e Henrique Chaves.

A caça, a arte e as colecções

É nos 15 hectares da sua quinta em Azeitão que Vilarinho guarda quase todo o seu espólio pessoal. Obras de arte de autores portugueses e várias colecções, como a de moedas, entre outras, compõem o cenário da casa. Mas, do que fala com maior paixão e orgulho é dos troféus de caça grossa, actividade que iniciou a sério em 1983.

«Tenho receio de falar nisto pois muitas pessoas não compreendem este fenómeno», começa por dizer.

Em tom sério, garante que a nível internacional «as regras são muito rígidas» e a ética «respeitadíssima». Sem se deter, explica que o seu tipo de caçador, o de safari organizado, é «um equilibrador da natureza», ao contrário de outros «que caçam para comer ou pelo comércio das peles, dentes, etc.» É por isso que os grupos ecológicos não «se metem» com o seu grupo.

Com a ajuda de um tratador e um veterinário, vai mantendo o prazer de poder apreciar quando quer «estes seres vivos lindos e únicos». E salienta: «Aqui é proibido matar, dar um tiro sequer. É a tal paixão de contra-senso.»

Nascido e criado em Lisboa, Vilarinho fez o liceu no colégio Padre Manuel Bernardes e enveredou depois pelo curso de Direito «porque era o único que não tinha matemática». Garante, porém, que a sua verdadeira vocação era a medicina.

Apesar de os três anos como magistrado terem sido os de que mais gostou durante toda a carreira profissional - «Não tinha de dar contas a ninguém. Escrevia de consciência e quem não estivesse contente que recorresse» -, foi como gestor que ganhou prestígio nacional.

O negócio dos cafés «Chave de Ouro» (que herdou do pai) e do imobiliário deram-lhe notoriedade e crédito.

Em 1999 decidiu, no entanto, vender aquela empresa da família, o que lhe permitiu assegurar a tal estabilidade financeira e tempo livre para realizar o sonho antigo de ser presidente do Benfica.

Afirma peremptoriamente perceber de futebol - «Era um bom médio e só não fui jogar para a Académica porque o meu pai tinha medo que não acabasse o curso» - e que vai ser um verdadeiro patrão, se for eleito. Quem o conhece diz que sabe trabalhar em equipa, ouve os outros, mas é teimoso e até, às vezes, impulsivo.

Contactado pelo EXPRESSO para traçar um perfil do único candidato oficial às eleições do Benfica, Manuel Boto diz tratar-se de um homem «honesto, com credibilidade e um gestor muito experiente». Opinião aliás secundada pelos sócios Nuno Moreira da Cruz, Silva Gomes, António Figueiredo e Bagão Félix. Manuel Boto vai mais longe e afirma também saber que os investidores financeiros, que o candidato ainda não revelou, «existem, porque já vi os acordos».

O sacrifício da campanha eleitoral

Mas nem tudo são rosas.Se todos concordam que a «onda anti-Vale e Azevedo» está a crescer e joga a favor de Vilarinho, por outro lado muitos dizem não poder declarar o seu apoio incondicional ao candidato, sem saber «quem são os homens da sua lista e o programa concreto».

Nuno Moreira da Cruz considera, inclusive, que o candidato «está a deixar-se levar por pessoas que já estiveram dentro do clube com lugares de responsabilidade» e que seria importante «introduzir sangue novo». Ideia partilhada igualmente por Boto.

Num outro ponto, o grupo de sócios contactados pelo nosso jornal também está de acordo em relação a Vilarinho: a sua falta de imagem e de jeito para lidar com os «media».

«Falta-lhe traquejo e capacidade em expressar bem as suas ideias», refere Bagão Félix, embora. Silva Gomes prefira realçar que a sua espontaneidade é «um pau de dois bicos», pois pode agradar a alguns sócios e não ser levado a sério por outros.

Manuel Vilarinho não nega que está a fazer um grande sacrifício nesta campanha, porque diz não ter jeito para demagogias. E assegura: «Se perder não me meto noutra.»

ALEXANDRA SIMÕES DE ABREU

É na sua quinta de Azeitão, onde tem 30 animais selvagens de oito espécies diferentes, que Manuel Vilarinho retempera forças antes da campanha eleitoral

Casado, pai de três filhos (um rapaz e duas raparigas), e gestor de sucesso, Manuel Vilarinho assume-se, aos 52 anos, como um homem frontal, com uma vida familiar económica e financeira estáveis e, sobretudo, «livre para dedicar todo o tempo ao Benfica». A outra paixão, a par da caça, que o pai lhe incutiu.

Sócio desde que nasceu, integrou as direcções de Ferreira Queimado, Fernando Martins e Manuel Damásio, de quem foi presidente adjunto. Diz ter saído por não concordar com o caminho pelo qual Damásio estava a enveredar, e que esta sua candidatura «nasceu» há seis meses atrás, depois de ter conseguido «a autorização da família».

Para a semana garante divulgar a lista completa de quem o acompanhará se ganhar as eleições, mas adiantou desde já ao EXPRESSO dois dos nomes para a direcção: Manuel Tinoco Faria e Henrique Chaves.

A caça, a arte e as colecções

É nos 15 hectares da sua quinta em Azeitão que Vilarinho guarda quase todo o seu espólio pessoal. Obras de arte de autores portugueses e várias colecções, como a de moedas, entre outras, compõem o cenário da casa. Mas, do que fala com maior paixão e orgulho é dos troféus de caça grossa, actividade que iniciou a sério em 1983.

«Tenho receio de falar nisto pois muitas pessoas não compreendem este fenómeno», começa por dizer.

Em tom sério, garante que a nível internacional «as regras são muito rígidas» e a ética «respeitadíssima». Sem se deter, explica que o seu tipo de caçador, o de safari organizado, é «um equilibrador da natureza», ao contrário de outros «que caçam para comer ou pelo comércio das peles, dentes, etc.» É por isso que os grupos ecológicos não «se metem» com o seu grupo.

Com a ajuda de um tratador e um veterinário, vai mantendo o prazer de poder apreciar quando quer «estes seres vivos lindos e únicos». E salienta: «Aqui é proibido matar, dar um tiro sequer. É a tal paixão de contra-senso.»

Nascido e criado em Lisboa, Vilarinho fez o liceu no colégio Padre Manuel Bernardes e enveredou depois pelo curso de Direito «porque era o único que não tinha matemática». Garante, porém, que a sua verdadeira vocação era a medicina.

Apesar de os três anos como magistrado terem sido os de que mais gostou durante toda a carreira profissional - «Não tinha de dar contas a ninguém. Escrevia de consciência e quem não estivesse contente que recorresse» -, foi como gestor que ganhou prestígio nacional.

O negócio dos cafés «Chave de Ouro» (que herdou do pai) e do imobiliário deram-lhe notoriedade e crédito.

Em 1999 decidiu, no entanto, vender aquela empresa da família, o que lhe permitiu assegurar a tal estabilidade financeira e tempo livre para realizar o sonho antigo de ser presidente do Benfica.

Afirma peremptoriamente perceber de futebol - «Era um bom médio e só não fui jogar para a Académica porque o meu pai tinha medo que não acabasse o curso» - e que vai ser um verdadeiro patrão, se for eleito. Quem o conhece diz que sabe trabalhar em equipa, ouve os outros, mas é teimoso e até, às vezes, impulsivo.

Contactado pelo EXPRESSO para traçar um perfil do único candidato oficial às eleições do Benfica, Manuel Boto diz tratar-se de um homem «honesto, com credibilidade e um gestor muito experiente». Opinião aliás secundada pelos sócios Nuno Moreira da Cruz, Silva Gomes, António Figueiredo e Bagão Félix. Manuel Boto vai mais longe e afirma também saber que os investidores financeiros, que o candidato ainda não revelou, «existem, porque já vi os acordos».

O sacrifício da campanha eleitoral

Mas nem tudo são rosas.Se todos concordam que a «onda anti-Vale e Azevedo» está a crescer e joga a favor de Vilarinho, por outro lado muitos dizem não poder declarar o seu apoio incondicional ao candidato, sem saber «quem são os homens da sua lista e o programa concreto».

Nuno Moreira da Cruz considera, inclusive, que o candidato «está a deixar-se levar por pessoas que já estiveram dentro do clube com lugares de responsabilidade» e que seria importante «introduzir sangue novo». Ideia partilhada igualmente por Boto.

Num outro ponto, o grupo de sócios contactados pelo nosso jornal também está de acordo em relação a Vilarinho: a sua falta de imagem e de jeito para lidar com os «media».

«Falta-lhe traquejo e capacidade em expressar bem as suas ideias», refere Bagão Félix, embora. Silva Gomes prefira realçar que a sua espontaneidade é «um pau de dois bicos», pois pode agradar a alguns sócios e não ser levado a sério por outros.

Manuel Vilarinho não nega que está a fazer um grande sacrifício nesta campanha, porque diz não ter jeito para demagogias. E assegura: «Se perder não me meto noutra.»

ALEXANDRA SIMÕES DE ABREU

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