Contas de 1999 da fundação revelam valores confusos
Músicos Pagos a Peso de Ouro
Por NUNO SÁ LOURENÇO
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2000 O Relatório de Actividades e Balanço de Contas, entregue pelo presidente do Conselho de Administração da Fundação para a Prevenção e Segurança (FPS), general Tomé Falcão, revelou que a FPS pagou por um concerto dos Delfins e Ritual Tejo a soma de 26 mil e quatrocentos contos. De acordo com a documentação entregue, na passada quarta-feira, à comissão de Assuntos Constitucionais, a fundação promoveu um concerto em Proença-a-Nova, a 3 de Julho de 1999, com as duas bandas lisboetas, apresentando um custo total de 39 700 contos. Uma iniciativa levada a cabo pela empresa Socivídeo, justificada no relatório como uma "acção de sensibilização e prevenção" contra os fogos florestais, "especialmente orientada para a juventude" e que ofereceu ainda dez mil "t-shirts" e bonés. O concerto chegou mesmo a merecer um despacho da Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais (CNEFF), datado de 24 de Junho de 1999, para viabilizar a transferência de verbas com o objectivo da realização do evento artístico. A autorização da transferência foi assinada pelo próprio secretário de Estado-adjunto da Administração Interna, Armando Vara, dando conta que seria o Serviço Nacional de Bombeiros a suportar a despesa com o seu próprio orçamento. Um "cachet" exagerado para os habituais valores do mercado nacional. Segundo especialistas do ramo da produção de espectáculos, bandas como os "Xutos" ou "GNR"- as bandas portuguesas mais caras na actualidade - "andam à volta dos 3500 contos". Mesmo com os valores acrescidos de montagem do palco, estadia e alimentação, seria muito difícil atingir-se o valor de 27 mil contos. Refira-se também, a título de exemplo, que o brasileiro Milton Nascimento, no mesmo ano, cobrava 9800 contos, incluindo já passagens aéreas, deslocações no país, estadia e alimentação. Um valor que cobria as despesas de uma comitiva de 18 pessoas. Estas não são, contudo, as únicas discrepâncias no relatório de contas. O documento regista um desencontro de verbas entre os valores apresentados no relatório como despesas referentes ao ano de 1999 e o somatório dos custos das campanhas publicitárias. Nas conclusões do documento, a FPS apresenta como "despesas originadas pelas diversas acções e medidas e os custos de financiamento da fundação" a cifra de mais de 176 mil contos. O problema é que, na discriminação apontada no capítulo das actividades da FPS, só os custos das campanhas publicitárias resultam numa despesa superior a 208 mil contos. Foram seis as empresas com que a FPS trabalhou na área das campanhas publicitárias, durante o ano de 1999. De acordo com o relatório de actividades, a fundação pagou sete campanhas de sensibilização nas áreas tanto da segurança rodoviária como da protecção civil. Foi com a prevenção rodoviária que se gastou mais dinheiro. A campanha mais dispendiosa surge mesmo nesta categoria. A dividir um bolo de mais de 66 mil contos estão a Folha d'Obra e a FAR. Uma agência de "design" e outra de publicidade, responsáveis pela campanha de Natal de 1999 do programa "Tolerância Zero". Contudo, os incêndios florestais não ficaram muito atrás. A FPS pagou à agência de publicidade Opal mais de 51 mil contos para uma acção de prevenção florestal, que incluiu anúncios na televisão, rádio e imprensa. Com a campanha específica de segurança rodoviária, produzida pela Aximage e denominada "Segurança máxima - Tolerância Zero", foram gastos mais de 43 mil contos. A Caminho Virtual gastou muito menos na produção das brochuras e mapas relativos a uma campanha dedicada à Educação Rodoviária - uma acção de nome "2000 - Ano de Educação Rodoviária". E foi com a empresa que praticou os preços mais baratos que a FPS repetiu campanhas. A Abc4uatro produziu e distribuiu 100 mil folhetos por todo o território nacional cobrando pouco mais de 3500 contos. Uma acção que repetiu para os emigrantes e que custou menos de três mil contos. Tudo isto somado aos números do concerto de Proença-a-Nova perfaz um total de mais de 208 mil contos, que ultrapassa assim os mais de 176 mil contos que a FPS apresenta como despesas totais referentes a esse ano. Nuno Sá Lourenço OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE António Guterres KO
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Contas de 1999 da fundação revelam valores confusos
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2000 O Relatório de Actividades e Balanço de Contas, entregue pelo presidente do Conselho de Administração da Fundação para a Prevenção e Segurança (FPS), general Tomé Falcão, revelou que a FPS pagou por um concerto dos Delfins e Ritual Tejo a soma de 26 mil e quatrocentos contos. De acordo com a documentação entregue, na passada quarta-feira, à comissão de Assuntos Constitucionais, a fundação promoveu um concerto em Proença-a-Nova, a 3 de Julho de 1999, com as duas bandas lisboetas, apresentando um custo total de 39 700 contos. Uma iniciativa levada a cabo pela empresa Socivídeo, justificada no relatório como uma "acção de sensibilização e prevenção" contra os fogos florestais, "especialmente orientada para a juventude" e que ofereceu ainda dez mil "t-shirts" e bonés. O concerto chegou mesmo a merecer um despacho da Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais (CNEFF), datado de 24 de Junho de 1999, para viabilizar a transferência de verbas com o objectivo da realização do evento artístico. A autorização da transferência foi assinada pelo próprio secretário de Estado-adjunto da Administração Interna, Armando Vara, dando conta que seria o Serviço Nacional de Bombeiros a suportar a despesa com o seu próprio orçamento. Um "cachet" exagerado para os habituais valores do mercado nacional. Segundo especialistas do ramo da produção de espectáculos, bandas como os "Xutos" ou "GNR"- as bandas portuguesas mais caras na actualidade - "andam à volta dos 3500 contos". Mesmo com os valores acrescidos de montagem do palco, estadia e alimentação, seria muito difícil atingir-se o valor de 27 mil contos. Refira-se também, a título de exemplo, que o brasileiro Milton Nascimento, no mesmo ano, cobrava 9800 contos, incluindo já passagens aéreas, deslocações no país, estadia e alimentação. Um valor que cobria as despesas de uma comitiva de 18 pessoas. Estas não são, contudo, as únicas discrepâncias no relatório de contas. O documento regista um desencontro de verbas entre os valores apresentados no relatório como despesas referentes ao ano de 1999 e o somatório dos custos das campanhas publicitárias. Nas conclusões do documento, a FPS apresenta como "despesas originadas pelas diversas acções e medidas e os custos de financiamento da fundação" a cifra de mais de 176 mil contos. O problema é que, na discriminação apontada no capítulo das actividades da FPS, só os custos das campanhas publicitárias resultam numa despesa superior a 208 mil contos. Foram seis as empresas com que a FPS trabalhou na área das campanhas publicitárias, durante o ano de 1999. De acordo com o relatório de actividades, a fundação pagou sete campanhas de sensibilização nas áreas tanto da segurança rodoviária como da protecção civil. Foi com a prevenção rodoviária que se gastou mais dinheiro. A campanha mais dispendiosa surge mesmo nesta categoria. A dividir um bolo de mais de 66 mil contos estão a Folha d'Obra e a FAR. Uma agência de "design" e outra de publicidade, responsáveis pela campanha de Natal de 1999 do programa "Tolerância Zero". Contudo, os incêndios florestais não ficaram muito atrás. A FPS pagou à agência de publicidade Opal mais de 51 mil contos para uma acção de prevenção florestal, que incluiu anúncios na televisão, rádio e imprensa. Com a campanha específica de segurança rodoviária, produzida pela Aximage e denominada "Segurança máxima - Tolerância Zero", foram gastos mais de 43 mil contos. A Caminho Virtual gastou muito menos na produção das brochuras e mapas relativos a uma campanha dedicada à Educação Rodoviária - uma acção de nome "2000 - Ano de Educação Rodoviária". E foi com a empresa que praticou os preços mais baratos que a FPS repetiu campanhas. A Abc4uatro produziu e distribuiu 100 mil folhetos por todo o território nacional cobrando pouco mais de 3500 contos. Uma acção que repetiu para os emigrantes e que custou menos de três mil contos. Tudo isto somado aos números do concerto de Proença-a-Nova perfaz um total de mais de 208 mil contos, que ultrapassa assim os mais de 176 mil contos que a FPS apresenta como despesas totais referentes a esse ano. Nuno Sá Lourenço OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE António Guterres KO
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